O Instagram faz parte da rotina de milhões de portugueses — especialmente quando o roaming pode deixar de ser um problema. Publicar uma viagem, uma conquista pessoal ou um momento em família é algo natural. O problema é que, no meio desse entusiasmo, há conteúdos que parecem inofensivos mas que podem ser usados contra ti.
As burlas online estão cada vez mais direcionadas e personalizadas. E muitas começam com informação que a própria vítima colocou nas redes sociais. Estes são 5 exemplos mais comuns que continuam a acontecer.
1. Cartões de embarque e bilhetes de viagem
Fotografias no aeroporto com o cartão de embarque visível continuam a ser um clássico de quem vai fazer uma pausa da vida agitada. Mesmo que não mostres tudo, o código de barras ou QR code pode conter dados da reserva.
Com essa informação, alguém pode:
- Tentar aceder à tua reserva online
- Obter o teu nome completo e contacto
- Criar esquemas de phishing credíveis enquanto estás fora do país
Além disso, estás a indicar publicamente que não estás em casa.
2. Encomendas com etiqueta à vista
Recebeste uma encomenda e partilhaste a caixa fechada com a etiqueta de envio legível. Nome, morada e, por vezes, número de telefone ficam expostos.
Pode parecer irrelevante, mas estes dados podem ser cruzados com outras informações disponíveis online. O resultado pode ser tentativas de burla por telefone, emails falsos ou esquemas mais direcionados.
Eu nunca pensei muito nas encomendas que recebo em casa — que mal tem afinal, não é? Mas não é só o online. Até pacotes que mandamos para o lixo contêm informação pessoal e nós nem sabemos onde vão parar. Felizmente há solução para isto.
Se receberes uma encomenda — digamos, da Amazon, como exemplo —, podes passar álcool por cima da tua informação com um algodão ou papel. Desta forma, a tinta desvanece rapidamente e manténs toda a tua informação segura, mesmo no offline.
3. Documentos pessoais “tapados”
Um novo cartão de cidadão, carta de condução ou até um contrato assinado com um emoji a cobrir parte da informação. Mesmo quando achas que está protegido, podem continuar visíveis:
- Número parcial do documento
- Data de nascimento
- Assinatura
- Morada
Dados, por mais incompletos que sejam, continuam a ser dados pessoais. E são suficientes para alimentar tentativas de fraude.
4. Fotografias com morada ou localização identificável
Uma selfie à porta de casa, uma foto do prédio novo ou da rua onde moras. Muitas vezes o número da porta, o nome da rua ou outros detalhes ficam claramente visíveis.
A isto junta-se a partilha de localização em tempo real. Ao criares um padrão público sobre onde estás e quando não estás, estás a expor mais do que imaginas.
5. Informações sobre rotinas e ausências prolongadas
Publicações como “duas semanas nas Maldivas” acompanhadas de fotos diárias deixam claro que a tua casa está vazia. E quando essas publicações incluem datas exatas, horários de voo ou contagem decrescente para o regresso, estás praticamente a oferecer, a quem quiser, um calendário da tua ausência.
Para quem está no outro lado, e com más intenções, não é propriamente a fotografia bonita que querem ver, mas sim saber a informação que acabaste de transmitir. Saber que não estás em casa hoje já é bom. Saber que não vais estar durante 10 ou 14 dias é ainda mais apelativo.
Mesmo que tenhas a conta privada, isso não elimina o problema. Basta um seguidor mal-intencionado, alguém com quem já não tens contacto próximo ou até uma conta comprometida para que essas informações circulem fora do teu controlo. Screenshots fazem-se em segundos. Partilhas em grupos privados também.
Há vários relatos, dentro e fora de Portugal, de situações em que assaltos foram facilitados por publicações públicas de férias. Não significa que qualquer foto de viagem vá resultar num crime, obviamente. Mas significa que a exposição, e em tempo real, aumenta o risco.
Uma alternativa simples é partilhar os melhores momentos depois de regressares. A experiência mantém-se, as fotografias continuam a ser tuas, mas deixas de anunciar ao mundo que a tua casa está vazia durante dias seguidos.
O que deves ter em conta
Antes de publicares, pergunta a ti mesmo: esta informação pode ser usada contra mim fora da internet? Se a resposta for sim, não deve estar online — e isto funciona para os vários campos da nossa vida.
Rever as definições de privacidade, limitar quem pode ver as stories e evitar mostrar dados sensíveis são passos básicos. Não se trata de deixar de usar o Instagram, mas de o fazer com consciência.
Na maioria dos casos, as burlas digitais não começam com tecnologia avançada ou aparelhos fora do comum, mas sim com excesso de exposição.
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