Porque é que os sons de notificações causam nostalgia

António Guimarães

Há uns dias vi um vídeo no Youtube que pelos vistos era mais antigo do que pensava pois do nada toca um som. Uma notificação que já não ouvia de forma legítima há anos. Era o som de notificação do Windows Live Messenger.

De imediato fui remetido a um flashback de memórias de chegar a casa da escola e ligar o computador, ansioso para falar com colegas e amigos. Foi verdadeiramente uma era de descoberta digital que evolui para a comunicação constante entre telemóveis que temos hoje.

Este efeito nostálgico aplica-se a mim e a centenas de outras pessoas que utilizaram o mítico Windows Messenger. Contudo, se fores de uma geração mais recente, talvez o som original do Facebook Messenger seja nostálgico para ti e os teus amigos.

Tal como uma canção tem o poder de te levar de volta ao passado, também estes sons. Ainda que seja de uma forma mais curta, pode até ser mais intensa porque a certa altura fez parte do nosso dia a dia.

Todos os sons de notificações e toques fazem agora parte da história. Desde os toques monofónicos da Nokia ao toque de xilofone do iPhone. Esses sons não são fabricados ao acaso.

Os sons das notificações são planeados e estudados

Segundo Will Littlejohn, o director de design de som do Facebook, os sons produzidos são feitos para adicionar à história, para que sejam associados a memórias e emoções.

De facto, os sons podem ser 'gatilhos' e relembrar-nos de acontecimentos da nossa vida, positivos ou negativos. Principalmente, sons associados à infância. Quem não sente arrepios ao ouvir o som de arranque da PlayStation original?

Toda esta interacção entre o cérebro humano e sons é estudada e utilizada quando se desenvolvem interfaces. Lembro-me de passar horas a personalizar o meu telemóvel Android para colocar os sons na interface, no teclado e nas notificações que mais me agradavam.

De certa forma, somos condicionados a gostar destes sons. Numa era onde procurarmos gratificação instantânea, ouvir o som de uma mensagem deixa-nos de imediato curiosos. Como um gato a ouvir um sino ou a rebolar num novelo de lã.

Sabemos que recebemos uma mensagem e ficamos contentes pela atenção dada, nem que seja por um segundo. Pode ser um amigo, um interesse amoroso ou mesmo, na pior das hipóteses, um e-mail de publicidade irrelevante.

As ligações cerebrais ao som

Testes tem sido feitos para percebermos o efeito que o som tem nas nossas memórias, pensamentos, emoções ou mesmo humor. Cientistas utilizaram ratos ao longo dos anos para perceber como o cérebro cria ligações entre o som e as nossas memórias.

Conforme mencionado, quando ouvimos um som, o nosso cérebro responde de uma forma, que por sua vez gera um impulso no corpo. Podemos ainda tirar informação dos sons ao configurar diferentes toques para e-mails e mensagens para que possamos diferenciar.

Uma das experiências mais básicas envolve dar um choque a um rato sempre que ouve um som. A certa altura, o rato irá saltar e reagir ao choque mesmo quando só ouve o som.

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Comparativamente com os humanos, por vezes não sentes uma notificação ou vibração "fantasma"? Parece que ouviste um som que estás super habituado e quando vais ver o telemóvel, não está lá nada.

A relação entre o nosso cérebro e os sons vai bem além dos smartphones e tecnologia. Contudo, essa ligação é mais evidente quando observamos os efeitos destes equipamentos no nosso dia-a-dia.

Há quem diga que podem ser considerados nocivos, causando ansiedade. Hoje em dia temos um controlo tão grande sobre com quem falamos, quando respondemos e quando lemos que está a afectar a forma como lidamos com uma simples conversa.

Quantas vezes estás a conversar com amigos por mensagens e recebes a etiqueta "Lida" mas a pessoa não responde? Existem mil e uma razões pelas quais a pessoa pode não ter respondido mas saber que a pessoa leu e não respondeu é quase ofensivo.

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A tecnologia à nossa volta comunica connosco por sons

A arquitectura dos sons está presente diariamente mas é mais evidente na tecnologia. Foram criados sons para que as máquinas comuniquem connosco como os mencionados toques e notiificações de telemóvel.

Outro exemplo são os computadores. Temos o clássico som de arranque do Windows mas temos uma panóplia de outros sons que nos dão informação. Sons de erro, sons de confirmação, o simples acto de baixar ou aumentar o volume, etc.

Quando ouvimos um som fora do comum, é preocupante, normalmente indica um problema. A mesma situação com os carros, se estiveres a conduzir e ouvires um som que nunca ouviste antes, pode ser indicação de algum problema.

Por isso é que afirmo que o som é quase uma ferramenta de diagnóstico que relata o estado do computador, do carro, do smartphone. Da mesma forma que nós humanos no nosso quotidiano fazemos os mesmos sons, as máquinas também o fazem. Quando algo está mal, nós queixamo-nos com sons e a tecnologia também seja por uma avaria ou por bateria fraca.

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António Guimarães
António Guimarães
Juntamente com os seus atuais companheiros Mi A2 e Surface Go, batalha para elucidar as massas sobre todos os acontecimentos da esfera tecnológica. "Informação é poder" é a frase que o acompanha diariamente. Talvez um dia a coloque numa t-shirt.