A Google está finalmente a abrir as portas do Android a lojas de aplicações de terceiros, mas não o faz propriamente por boa vontade. A alteração surge no seguimento de um processo antitrust que obrigou a gigante tecnológica a flexibilizar as regras da Play Store e a criar o programa Registered App Stores.
A partir de agora, qualquer plataforma alternativa pode candidatar-se a fazer parte do ecossistema oficial. O objetivo da Google é definir os critérios de segurança e os requisitos que estas lojas têm de cumprir para poderem funcionar nos smartphones Android.
Na prática, isto muda completamente a forma como vais passar a instalar e gerir aplicações no teu telemóvel a partir destas lojas.
O que muda na experiência de utilização?
Até aqui, descarregar uma app fora da loja oficial era um processo chato, cheio de avisos de segurança e com várias etapas de confirmação. Com o novo sistema, a experiência passa a ser idêntica à da Play Store:
- Instalação num só clique: Só precisas de carregar num botão para descarregar a loja e abrir a plataforma (o mesmo com as apps).
- Atualizações em segundo plano: As aplicações instaladas por estas lojas alternativas passam a atualizar automaticamente, sem te pedir permissões a cada nova versão.
- Presença na Play Store: As lojas aprovadas vão estar disponíveis para download diretamente na Play Store, numa nova categoria dedicada a lojas.
De acordo com o PhoneArena, estas lojas não vêm pré-instaladas de fábrica nos telemóveis, o que tem vindo a acontecer com vários sistemas Android, cujas marcas chegam de fábrica com imenso bloatware. A escolha de as descarregar cabe-te somente a ti. Como é habitual no Android, a gama de smartphones Pixel deverá ser a primeira a receber esta atualização.
Por que razão esta mudança fica aquém do esperado?
No papel, ter mais escolha é sempre uma boa notícia para quem usa Android. A remoção dos obstáculos técnicos torna a navegação mais simples e elimina a burocracia do processo de instalação.
No entanto, o controlo da Google continua bem presente. Ao exigir que todas as lojas passem pelo seu processo de aprovação e cumpram os seus critérios de segurança, a marca garante que continua a ser a entidade certificadora de tudo o que entra no sistema operativo.
É uma abertura do sistema, mas feita totalmente sob as regras e a supervisão da própria Google. Também se pode ver isto de outra forma: a Google pode também querer garantir a salvaguarda dos utilizadores para evitar a fácil instalação de lojas falsas e vírus que ponham em risco a segurança.