Os utilizadores de Android podem estar em risco perante uma nova ameaça que combina roubo de dados bancários, espionagem e uma forma invulgar de enviar informações através de outros telemóveis infetados que estejam por perto.
Batizado de Manic pela empresa de cibersegurança ThreatFabric, o malware está a ser distribuído ativamente através da internet. O principal foco é a Ucrânia, mas a lista de alvos também inclui aplicações utilizadas na Rússia, Europa Central e Ocidental, Reino Unido e serviços globais de fintech e criptomoedas.
Manic pode roubar PINs, palavras-passe e códigos
O Manic combina características de malware bancário, criado para roubar informações financeiras, com funções de spyware, utilizado para vigiar a atividade do utilizador.
Conforme reportou o The Hacker News, a equipe de investigadores de segurança da Thereat Fabric identificou que 169 aplicações são monitorizadas, incluindo bancos, serviços de pagamento, carteiras de criptomoedas, aplicações governamentais, autenticadores, navegadores, email e aplicações de mensagens.
Depois de obter permissões de acessibilidade e acesso às notificações, consegue recolher palavras-passe, códigos enviados por SMS, PINs e frases de recuperação de carteiras de criptomoedas.
Também pode obter contactos, chamadas, mensagens, notificações, ficheiros, localização e capturas de ecrã, além de permitir que o atacante veja e controle remotamente o smartphone.
PIN pode ser roubado sem mostrar uma aplicação bancária falsa
Uma das técnicas mais avançadas permite capturar o PIN enquanto a vítima continua a utilizar a aplicação legítima.
O Manic coloca uma camada transparente sobre o teclado numérico. Quando o utilizador toca num número, o malware regista a posição e depois reproduz o mesmo toque no teclado verdadeiro.
Desta forma, tudo parece funcionar normalmente, enquanto o atacante consegue descobrir o código introduzido.
O malware também pode utilizar os serviços de acessibilidade como uma espécie de keylogger, ou seja, um sistema capaz de registar aquilo que é escrito no dispositivo.
Dados podem passar por outros telemóveis infetados
A característica mais invulgar está na forma como o Manic consegue enviar informações mesmo quando o telemóvel comprometido está sem ligação direta à internet.
Os dados roubados ficam guardados e encriptados no dispositivo. Depois, o malware procura outro telefone infetado nas proximidades através de tecnologias como Wi-Fi Direct e Bluetooth.
Se encontrar um, pode transferir os dados para esse equipamento, que os encaminha posteriormente para o servidor dos atacantes.
O sistema permite inclusive que a informação passe por vários dispositivos infetados, com até quatro retransmissões por defeito.
Por isso, desligar simplesmente a internet de um telemóvel comprometido poderá não impedir a saída dos dados, caso exista outro equipamento infetado por perto.
Como reduzir o risco no Android
O Manic continua em desenvolvimento ativo, mas existem alguns cuidados que podem reduzir a possibilidade de infeção.
Evita instalar aplicações descarregadas através de links, sites desconhecidos ou mensagens de phishing, sobretudo quando se apresentam como ferramentas ou utilitários.
Também deves ter especial atenção quando uma aplicação pede acesso aos Serviços de Acessibilidade ou às notificações, já que são precisamente estas permissões que o Manic utiliza para observar o dispositivo e recolher informações.
É igualmente importante manter o Google Play Protect ativo. O próprio malware tenta desativar esta proteção através da automatização dos menus do Android, o que torna qualquer alteração inesperada nesta definição um sinal a ter em conta.
Caso suspeites que instalaste uma aplicação maliciosa, verifica as aplicações instaladas e as permissões concedidas.
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