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Nothing Ear (stick) review: o estilo e a qualidade de som entram num bar

Bruno Coelho

“Muitas vezes a tecnologia põe-se no caminho do que queremos experienciar”, afirma a Nothing. De forma a acabar com essas barreiras, a jovem empresa apresentou esta semana os seus novos auriculares totalmente sem fios chamados Ear (stick).

Estes não são a segunda geração dos Ear (1), mas sim uma alternativa para os consumidores que pretendem conforto, comodidade e qualidade de som e não pensam em funcionalidades como cancelamento de ruído ativo.

Tive oportunidade de testar os Ear (stick) ao longo das últimas duas semanas. Esquece todo o hype e preconceitos que possas ter acerca da marca, porque este é dos produtos que já testei do qual tenho mais elogios a fazer. E posso dizer-te de antemão que, dos três produtos da Nothing (testei todos), passa a ser o meu preferido. Nesta review/análise explico-te porquê.

Nothing Ear Stick

Unboxing e primeiras impressões

Aqui começa a primeira boa impressão sobre os Nothing Ear (stick) apresentam-se numa caixa bastante apelativa, e o estojo de carregamento (com os auriculares dentro, é retirado pela lateral como podes ver no vídeo abaixo.

A primeira sensação é de que estamos perante um produto bem mais caro do que realmente é (chega à Europa por 119 €). Apresenta uma boa robustez, e o toque de transparência a que a Nothing já nos habituou e formato cilíndrico com silhueta de batom, facilmente o faz diferenciar-se de qualquer outro produto do género.

nothing

Design e conforto

Isto leva-nos obviamente à questão do design. Este até pode não ser um design para todos. Mas são simplesmente os auriculares e estojo de carregamento mais bonitos que já tive oportunidade de utilizar.

Adorei o design dos Ear (1). Mas não me posso afirmar fã do seu estojo de carregamento que achava pouco prático. Pois parece que a Nothing ouviu as críticas e trouxe-nos um estojo de carregamento que além de bonito é funcional.

O seu aspeto cilíndrico tem um sistema de torção que usamos para abrir e retirar os auriculares, poupando espaço. Estes são fáceis de colocar e retirar, e este design também privilegia a arrumação, cabendo mais facilmente num bolso com outros objetos no mesmo.

Quanto aos auriculares, seguem as linhas transparentes dos Ear (1), mas sem a borracha de silicone que promove o isolamento passivo. Mas como temos aqui uma driver maior, acabam por ser mais expressivos.

Nothing Ear Stick

Esta conjugação de mudanças também faz com que tenhamos uns auriculares mais confortáveis. E se eu já achava os Ear (1) dos auriculares mais confortáveis que já testei, a inexistência da peça de silicone deste modelo, torna-os simplesmente os melhores auriculares para usar por longos períodos de tempo.

Qualidade de som

Mas será que o facto de não terem a borracha milagrosa os faz perder na qualidade de som? A verdade é que fiquei bastante impressionado, e posso dizer-te que são os auriculares com design semi intra-auricular que já testei com melhor qualidade de som.

A driver de 12,6 mm e a equalização de som que a Nothing aqui colocou, aos meus ouvidos, colocam-nos até num patamar superior face a auriculares que testei recentemente com a peça de silicone que em muito auxilia a predominância dos graves.

Neste modelo não temos uns graves que te vão deixar de boca aberta, mas posso dizer-te que impressionam tendo em conta o design destes auriculares. E para compensar essa parte de hardware, a marca usa a tecnologia Bass Lock. Tanto os médios como os agudos são de realçar, e há uma boa distinção de instrumentos e vozes.

Nothing Ear Stick

Diria que, além do design e conforto, a Nothing jogou mesmo todas as cartas em entregar a melhor qualidade de som possível. Para uma empresa que é muitas vezes acusada de viver do marketing, o melhor desafio que te posso colocar é: experimenta os Ear (stick) e fica impressionado como eu fiquei.

Cancelamento de ruído e modo transparência

Tendo em conta o formato semi intra-auricular dos Ear (stick), estes não chegam com cancelamento de ruído ou modo de transparência. Até porque não é para esse tipo de público que se destinam. É certo que se procuras isso, os Ear (1) são uma opção mais adequada no seio da marca. Se queres ficar atento ao que te rodeia, os Ear (stick) são os auriculares ideais.

Qualidade de chamadas

Neste campo posso dizer-te que voltei a ficar impressionado. A Nothing colocou três microfones externos nos Ear (stick) mais a tecnologia Clear Voice. E mesmo com apenas um auricular colocado, fui sempre muito bem ouvido em chamadas.

O feedback que tive, numa oportunidade em que estava a conduzir com um auricular colocado em chamada, é de que nem parecia que estava a conduzir. Era ouvido perfeitamente e com ruído de fundo bastante reduzido. Sinal de que o trabalho neste campo foi bem feito.

Nothing Ear Stick

Autonomia e carregamento

Neste campo pode dizer-se que os Ear (stick) não impressionam, mas também estão longe de estar entre os piores do mercado. A marca anuncia 7 horas de autonomia de reprodução nos auriculares, e 22 horas adicionais com o estojo de carregamento.

Isto significa que basicamente tens auriculares para usar num dia inteiro de trabalho sem problemas. E podem facilmente ser usados entre 3 a 4 dias, pela minha experiência, sem ter de carregar o estojo de carregamento. O que para o meu uso é mais que suficiente.

Ao contrário dos Ear (1), estes não possuem carregamento sem fios. Para muitos pode ser considerado um ponto fraco, mas tendo em conta o formato do estojo de carregamento, fica difícil exigir esta característica.

Latência, App Nothing X e emparelhamento

Pela minha experiência a ver uns vídeos ou jogar, não notei problemas de latência. Além disso, se tiveres um Nothing Phone (1), este ativa automaticamente o modo de baixa latência quando fores jogar.

Nothing Ear Stick

Também no Nothing Phone (1), todas as personalizações dos auriculares estão embutidas nas definições. Mas não penses que se tiveres qualquer outro smartphone vais ficar a perder.

Acaba de ser lançada a app Nothing X, que basicamente traz todas as personalizações dos auriculares para qualquer smartphone Android ou iOS. Ali podes personalizar o equalizador a teu gosto, ligar ou desligar o modo de baixa latência, ativar a deteção de ouvido, encontrar os teus auriculares perdidos ou atualizar o firmware.

O emparelhamente é bastante rápido num Nothing Phone (1), mas também o é em qualquer smartphone Android com Google Fast Pair. Mas também no meu iPhone este se verifica rápido e efetivo sempre que os quero utilizar.

Controlos por toque

Nas Definições dos Nothing Phone (1) ou noutros smartphones na app Nothing X, também é possível personalizar os controlos por toque. Ao contrário dos Ear (1), estes funcionam como controlos por pressão na zona da aste que vês na foto abaixo.

Nothing Ear Stick

Com controlos por pressão, o objetivo é evitar toques indesejados. Com toques únicos ou tocando e não largando, podes facilmente pausar a música, alternar entre faixas, ativar a assistente virtual ou mudar o volume.

E se ao início estava recetivo a este sistema, posso dizer-te que fiquei conquistado. Tinha gostado bastante dos controlos por toque dos Ear (1), mas estes são ainda melhores. Acaba por ser bastante intuitivo pressionar sem largar para aumentar ou baixar o volume.

Outras observações a fazer

A antena dos Ear (stick) passou para a zona superior da aste, em vez de estar na zona inferior como nos Ear (1). Desta forma temos maior receção de sinal quando te afastas do dispositivo.

Isto fez com que mais facilmente pudesse deambular pelo meu apartamento em chamadas ou a ouvir músicas sem nunca sentir problemas de ligação. Algo que não acontece com todos os auriculares que testo. A ligação é Bluetooth 5.2.

Nothing Ear Stick

Há ainda a destacar o facto de terem certificação IP54, pelo que poderás ficar descansado se os usares para treinar e suares um pouco. No campo dos codecs, contam com os clássicos SBC e AAC.

Qualidade-preço

O preço dos Nothing Ear (stick) cifra-se nos 119 € em Portugal (já em pré-venda na Amazon de Espanha), o que pode ser considerado caro para quem procura uns auriculares Bluetooth baratos. Mas volto a reiterar que são os auriculares que já testei com design semi intra-auricular com melhor qualidade de som (AirPods 3 incluídos).

Nothing Ear Stick

  • Driver dinâmica de 12,6 mm
  • Autonomia de até 7 horas de reprodução numa única carga
  • Até 29 horas de autonomia com o estojo de carregamento
  • Carregamento via USB-C (cabo USB-C para USB-C incluído)
  • Certificação IP54
  • Deteção de ouvido
  • Google Fast Pair
  • Microsoft Swift Pair
  • Bluetooth 5.2
  • Codec: AAC e SBC
  • App Nothing X disponível para Android e iOS
  • Compatibilidade com dispositivos Android 5.1 ou superior e iOS 11 e superior
  • Modo Low Lag com o Nothing Phone (1)
  • Peso de cada auricular: 4,6 g
  • Peso do estojo de carregamento: 46,3 g

Tendo em conta que podem ser vistos como uma alternativa barata aos AirPods 3, e dada a sua perfeição ligação com produtos Apple, é bom realçar que o rival da Apple custa 219 € (mais 100 €).

Visto assim, pode considerar-se que não se portam nada mal na qualidade-preço. Mas tenho a perfeita noção que é o tipo de auricular que as pessoas só vão perceber a qualidade se testarem.

Conclusão

Se leste esta análise desde o início, não será de espantar que a minha conclusão seja bastante positiva. Posso dizer-te que praticamente só tenho testado auriculares com design intra-auricular, mas desde que tenho os Ear (stick) não quero outra coisa. E vão provavelmente ser os auriculares que vou usar até os devolver.

Se conforto e qualidade de som são a tua prioridade, em torno dos 119 €, é uma opção que deves equacionar. Obviamente que se cancelamento de ruído está nos topos das tuas prioridades, este não é um produto direcionado para ti, e deves ver outras alternativas como os próprios Nothing Ear (1).

Nothing Ear Stick

Fiquei impressionado com a qualidade de som que conseguem entregar neste tipo de design, mas também no facto de os poder usar por horas sem desconforto. A possibilidade de os poder usar no iPhone com tudo a que tenho direito como no Nothing Phone (1), também é uma forma de a marca mostrar a preocupação com a experiência de utilizador. Levam o selo de aprovação 4gnews com toda a certeza.

Pontos fortes dos Nothing Ear (stick)

  • Melhor qualidade de som que já testei no formato semi intra-auricular
  • Auriculares com conforto acima da média para usar por longos períodos de tempo
  • App com equalizador e todos os controlos para qualquer Android ou iOS
  • O design do estojo de carregamento é apaixonante e prático (e até viciante)
  • Qualidade de chamadas excelente
  • Controlos de toque por pressão bastante cómodos

Pontos fracos dos Nothing Ear (stick)

  • O preço poderia ser menos elevado
  • Gostaria que tivessem Bluetooth multiponto

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Bruno Coelho
Bruno Coelho
Vive entre a paixão pela escrita, a música e a tecnologia. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior em 2015, e fez parte da equipa que fundou o Jornal de Belmonte. Produziu vários podcasts independentes pelo caminho. Colabora com a 4gnews desde 2017, e faz parte da redação desde 2019. Come especificações ao pequeno-almoço. brunocoelho@4gnews.pt