Há uns anos, pagar menos de 100 euros por um smartwatch era quase como gastar dinheiro num relógio "de brincar". Já estávamos a contar com um ecrã potencialmente fraco, GPS inexistente ou bateria a pedir carga a toda a hora.
Felizmente, hoje em dia, já existem muitas ofertas no mercado para olhar e poder escolher. Os três relógios aqui apresentados têm ecrã AMOLED, GPS integrado e funcionam com Android e iPhone. A diferença está nos detalhes, e é com base neles (e no teu uso) que tens de decidir qual se encaixa melhor na tua rotina.
Xiaomi Redmi Watch 6
O Redmi Watch 6 é o maior e mais fino dos três. Tem um ecrã AMOLED de 2,07 polegadas com margens muito reduzidas e uma caixa de alumínio com apenas 9,9 mm de espessura, 1,4 mm menos do que a geração anterior.
Onde a Xiaomi aposta mesmo é na autonomia: até 24 dias com uso ligeiro, graças a uma bateria de 550 mAh. Se és daquelas pessoas que se esquecem de carregar o relógio, este é o que mais te perdoa. Traz GPS com cinco sistemas de satélite, mais de 150 modos desportivos e resistência à água de 5 ATM, por isso aguenta desportos como a natação sem problemas.
O ponto fraco está no software. O HyperOS 3.0 faz o essencial, mas tem apenas 512 MB de memória e não tens mapas offline nem apps de terceiros como no Amazfit. É um relógio para acompanhar a tua atividade e receber notificações, não para te substituir o telemóvel em treino.
Melhores características:
- Bateria de até 24 dias com uso ligeiro
- Ecrã AMOLED de 2,07", brilhante e legível ao sol
- Corpo de alumínio com apenas 9,9 mm de espessura
- GPS com cinco sistemas de satélite
- Resistência à água de 5 ATM
- Mais de 150 modos desportivos
Contras:
- Sem mapas offline
- Só 512 MB de memória, o que limita as funcionalidades
- Ecossistema de software mais fechado
Amazfit Bip MAX
O Bip MAX é o mais completo para quem leva o treino a sério. Partilha o ecrã AMOLED de 2,07" com o Xiaomi e uma bateria de até 20 dias, mas vai bastante mais longe no que oferece ao desportista.
O grande trunfo são os 4 GB de armazenamento, que permitem guardar mapas offline diretamente no relógio. Descarregas os mapas na app Zepp e tens navegação passo a passo sem depender do telemóvel.
Para quem faz trail, caminhadas ou ciclismo, isto muda a forma como usas o relógio. Soma-se o modo HYROX, o Zepp Coach, métricas como VO₂ Max e carga de treino, e a pontuação HybridCharge, que cruza sono, treino e stress para te dizer se hoje é dia de apertar ou de descansar.
O Zepp Hybrid Training funciona sem subscrição. Num mercado cheio de funcionalidades pagas, isto é quase uma dádiva.
O contra é que, sendo um relógio mais virado para o treino, pode ser mais do que precisas se só queres ver notificações e contar passos. E o sistema Zepp OS, apesar de evoluído, não tem a fluidez de um Wear OS ou de um Apple Watch.
Melhores características:
- Mapas offline com 4 GB de armazenamento e navegação passo a passo
- Bateria para até 20 dias
- Modo HYROX, Zepp Coach, VO₂ Max e carga de treino
- Treino híbrido sem subscrição
- GPS com cinco sistemas de satélite
- Ecrã AMOLED de 2,07"
Contras:
- Pode ser exagerado para uso casual
- Zepp OS menos fluido do que os sistemas mais premium
- Caixa grande de 50 mm, que pode não agradar a pulsos pequenos
CMF Watch 3 Pro, da Nothing
O CMF Watch 3 Pro é o mais diferente dos três, e não é só pelo formato redondo. É o único com um design pensado para parecer um relógio a sério e não um mini telemóvel no pulso. O ecrã AMOLED é mais pequeno, de 1,43", a 60 fps, com mais de 120 mostradores e modo Always-On.
Em termos técnicos, destaca-se o GPS dual band (L1 e L5), que pretende proporcionar um posicionamento mais rápido e rotas mais estáveis em cidades com edifícios altos ou em zonas com árvores.
Se corres no meio urbano, esta é a vantagem mais prática. Tem ainda um sensor de ritmo cardíaco novo, que a Nothing diz ser mais preciso em treinos intensos, e permite chamadas por Bluetooth diretamente do pulso.
O preço a pagar é a autonomia: 13 dias com uso normal, 10 com uso intenso e apenas 4,5 dias com o Always-On ligado. Continua a ser bom, mas fica atrás dos outros dois. Também não tens mapas offline e a memória é de apenas 256 MB.
Melhores características:
- GPS dual band (L1 e L5) para melhor precisão
- Design redondo, mais discreto e mais próximo de um relógio clássico
- Ecrã AMOLED de 1,43" a 60 fps, com Always-On
- Chamadas por Bluetooth no pulso
- Mais de 120 mostradores
- Sensor de ritmo cardíaco atualizado
Contras:
- Bateria de 13 dias, só 4,5 com Always-On ligado
- Ecrã mais pequeno
- Sem mapas offline
- Sistema FreeRTOS básico, com 256 MB de memória
Qual deves escolher?
Se o que queres é carregar o menos possível, o Redmi Watch 6 é a escolha certa. Se treinas com regularidade e queres mapas e métricas a sério sem pagar subscrições, o Amazfit Bip MAX é o mais completo. Mas se preferes um relógio com melhor aspeto e GPS mais preciso para correr na cidade, o CMF Watch 3 Pro faz mais sentido.
Nenhum deles vai substituir um Apple Watch ou um Galaxy Watch, mas também não é exatamente nesse nível de relógio que tentam competir. Por menos de 100 euros, qualquer um dos três cumpre bem o que promete.


