MEO, NOS e Vodafone funcionam bem no Intercidades da CP? ANACOM apresenta estudo

Bruno Coelho
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O mais recente estudo da ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) centra no desempenho dos serviços móveis da MEO, NOS e Vodafone no serviço Intercidades da CP - Comboios de Portugal.

Este destaca que, geralmente, existe sinal de rádio e elevadas taxas de estabelecimento de chamadas com sucesso (98%) e de terminação bem-sucedida de chamadas (94%).

Existem zonas de linha sem cobertura de qualquer uma das redes móveis, segundo a ANACOM

No entanto, é afirmado que existem algumas zonas da linha em que não existe qualquer uma das redes móveis. Tal verifica-se nomeadamente nos túneis mais distantes dos grandes centros urbanos e junto ao estuário do Sado.

Destaca-se ainda que estes locais impossibilitam, inclusivamente, o acesso ao número de emergência 112 e apresentam-se assim como boas oportunidades de melhoria do desempenho e serviço proporcionado pelas redes móveis da MEO, NOS e Vodafone.

O trabalho de campo deste estudo decorreu entre 3 abril e julho de 2022. Tal visou avaliar e verificar a qualidade dos serviços prestados em 2G, 3G, 4G e 5G, nos seguintes troços ferroviários do serviço Intercidades:

  • Lisboa–Évora;
  • Lisboa–Guarda;
  • Lisboa–Beja;
  • Lisboa–Faro;
  • Pampilhosa–Guarda;
  • Porto–Braga;
  • Porto–Guimarães;
  • Porto–Valença;
  • Porto–Lisboa.

Para o realizar, foram feitas 11 560 chamadas de voz, 11 242 testes NET.mede e 389 611 registos de sinal rádio, numa extensão de cerca de 5400 km percorridos.

A ANACOM destaca as seguintes conclusões:

  • do total de registos obtidos, verificou-se globalmente indicação de cobertura (existência de sinal rádio) em mais de 99% das amostras das quais 87% correspondem a valores de qualidade entre “Aceitável” e “Muito Bom”. Sem cobertura, registaram-se menos de 1% das amostras, não existindo diferenças significativas entre operadores;
  • do total de amostras, a tecnologia mais utilizada foi 4G com 53% dos registos, tendo-se verificado a utilização de tecnologia 5G em 32% dos registos efetuados;
  • o serviço de voz apresenta um bom desempenho global, com uma taxa de sucesso na acessibilidade (estabelecimento de chamada com sucesso) de 98% e uma taxa de terminação bem-sucedida de chamadas (as que se concretizaram e se concluíram com sucesso) de 94%, sem diferenças significativas entre operadores.
  • Pela negativa destacam-se os troços: Portela–Trofa; Pampilhosa–Mortágua; Mangualde-Fornos de Algodres; Rodão–Abrantes; Pombal–Entroncamento; Vendas Novas–Casa Branca; Casa Branca–Évora; Pinhal Novo–Grândola; Ermidas Sado–Funcheira; Funcheira–Santa Clara Saboia e Santa Clara Saboia–Messines Alte, nos quais se verifica, simultaneamente, um fraco desempenho dos três operadores.
  • no serviço de dados o desempenho global é razoável, com taxas de sucesso de testes (iniciados e concluídos) de 85%, sendo o melhor desempenho obtido pela MEO. Os testes NET.mede registam razoáveis velocidades médias de transferência de dados em download/upload superiores a 80 Mbps/15 Mbps, respetivamente, com o melhor resultado a ser obtido pela NOS.
  • a variabilidade nos resultados é bastante elevada com máximos em download e upload de 1074 Mbps e 147 Mbps, e mínimos de 0,1 Mbps (quer em download quer em upload). Na análise do serviço de dados também se verificam zonas dos troços ferroviários em que este se degrada ao ponto de apresentar falhas.
  • Pela negativa identificaram-se os troços: Portela–Trofa; Pampilhosa–Mortágua; Mortágua–Santa Comba Dão; Mangualde–Fornos de Algodres; Rodão–Abrantes; Fundão–Castelo Branco; Pombal–Entroncamento; Entroncamento–Santarém; Santarém–Vila Franca de Xira; Pinhal Novo–Vendas Novas; Vendas Novas–Casa Branca; Casa Branca–Alcáçovas; Casa Branca–Évora; Pinhal Novo–Grândola; Grândola–Ermidas Sado; Ermidas Sado–Funcheira; Funcheira–Santa Clara Saboia; Santa Clara-Saboia–Messines-Alte e Albufeira (Ferreiras)–Loulé, nos quais se registam fracos desempenhos pelos três operadores.

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Bruno Coelho
Vive entre a paixão pela escrita, a música e a tecnologia. Licenciou-se em Ciências da Comunicação na Universidade da Beira Interior em 2015, e fez parte da equipa que fundou o Jornal de Belmonte. Produziu vários podcasts independentes pelo caminho. Colabora com a 4gnews desde 2017, e faz parte da redação desde 2019. Come especificações ao pequeno-almoço. brunocoelho@4gnews.pt