![]()
Quando olhamos para a ficha técnica de nosso smartphone novo, a atenção recai quase sempre no processador, na qualidade das câmaras ou na capacidade da bateria. Contudo, há uma especificação técnica silenciosa que passou a ser um requisito absolutamente obrigatório na minha decisão de compra. Falo do suporte para eSIM.
A conveniência de ter um cartão SIM virtual devia ser uma norma na indústria, mas a realidade do mercado de telemóveis é bem diferente. Nem todos os telemóveis mais baratos oferecem esta tecnologia, mesmo alguns que chegam ao mercado a custar mais de 200 €.
O problema das viagens fora da Europa
Para quem viaja com frequência, e muito em particular para destinos fora do espaço europeu, a ausência do eSIM torna a logística de conectividade menos conveniente. O cenário habitual sem eSIM passa por chegar a um país desconhecido e ficar dependente da compra de cartões de dados físicos em quiosques de aeroporto ou lojas locais.
Recentemente, um familiar meu viajou para Marrocos de férias e sentiu este exato problema. Viu-se forçado a comprar um cartão de dados físico no destino e pagar um valor consideravelmente mais elevado. É algo que, caso o seu telemóvel tivesse suporte para eSIM, o problema seria resolvido numa questão de minutos.
Poderia simplesmente ter subscrito um plano de dados virtual de forma antecipada em plataformas como a Holafly ou Airalo como fiz quando viajei para a China. Nessas plataformas, podes escolher a quantidade de dados e tempo pretendidos, e sair do avião já com internet a funcionar. O meu familiar o fez apenas porque a limitação do hardware do seu telemóvel não o permitiu.
É uma estratégia de poupança que só prejudica o consumidor
As marcas cortam certas funções nos telemóveis acessíveis para maximizar a poupança nos custos de produção. No entanto, o eSIM é uma daquelas características que já deveria estar presente em qualquer equipamento atual. Sim, mesmo aqueles que custam pouco mais de 100 €.
Olhemos para exemplos muito recentes no mercado. Os novos modelos base do Redmi Note 15 não incluem suporte para eSIM. O resultado prático desta decisão é que se o consumidor quiser beneficiar desta tecnologia, tem de desembolsar um valor extra e dar o salto para a variante Note 15 Pro. Mas, por exemplo, o baratinho SPC Discovery 3 Pro tem suporte para eSIM.
O eSIM é uma necessidade de mobilidade e conveniência. Limitar esta tecnologia apenas para justificar as margens de lucro dos modelos mais caros é uma estratégia que lesa quem procura uma boa relação qualidade e preço. As marcas precisam de rever as suas prioridades e democratizar o eSIM de uma vez por todas.
Até porque todas as operadoras em Portugal já suportam esta tecnologia e foi, aliás, uma das razões pelas quais mudei da Amigo para a WOO.


