Huawei perde o coração da Europa para a Nokia na corrida ao 5G

Rui Bacelar
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As operadoras Orange e Proximus optaram por escolher a Nokia como parceira de desenvolvimento das infraestruturas de redes 5G, preterindo a anterior favorita, Huawei. A Bélgica é assim o mais recente país da Europa a descartar a fabricante chinesa.

A decisão é agora avançada pela agência Reuters e está entre as primeiras ações tomadas por operadoras da Europa no sentido de deixar cair os vínculos existentes com a Huawei. Esta medida surge após meses de pressão diplomática de Washington que alega o uso indevido de equipamentos da fabricante chinesa para possíveis ações de espionagem a favor de Pequim.

A Bélgica deixa cair a Huawei em favor da Nokia

Huawei ousted from heart of EU as Nokia wins Belgian 5G contracts https://t.co/VtFv9NmMtW pic.twitter.com/68HFqsMRky

— Reuters Tech News (@ReutersTech) 9 de outubro de 2020

A Bélgica acolhe em Bruxelas o centro nevrálgico da União Europeia, sendo por isso o país de importância particularmente simbólica para os esforços e ambições da Huawei na Europa. Ao mesmo tempo, é um centro decisório da mais alta sensibilidade.

Dado o seu papel nos destinos da União, a Bélgica foi alvo de várias pressões por parte da administração dos EUA para abandonar os equipamentos de suporte a redes 5G da fabricante chinesa. Agora, a balança pende firmemente para o ocidente.

Em declarações à Reuters, John Strand, consultor dinamarquês de telecomunicações afirmou o seguinte: "A Bélgica tem sido 100% dependente das fabricantes chinesas para os equipamentos de telecomunicações e redes. Enquanto isso, as pessoas que trabalham na NATO e na UE têm feito chamadas telefónicas nestas redes móveis".

"As operadoras dão assim um claro sinal de que é importante ter acesso a redes seguras", acrescenta Strand.

A Huawei nega todas as acusações de que é alvo

A fabricante chinesa mantém-se impreterível perante as contínuas acusações de que tem sido alvo. Sendo a maior fabricante mundial de equipamentos de redes e infraestruturas de apoio, a sua posição mantém-se firme, negando tudo.

Ainda assim, de acordo com a Reuters, a Huawei terá aceitado as decisões da Orange e da Proximus, operadoras belgas que procurarão agora a Nokia para desenvolver e implementar as redes 5G no país.

"O sucedido é ao resultado natural do mercado livre", avança um porta-voz da Huawei. "Abraçamos a competição justa e natural, pois quanto mais diversificada for a cadeia de fornecimento, mais competitiva esta se tornará", acrescenta a fonte ligada à Huawei.

Atualmente a Nokia e a Ericsson são as maiores favorecidas com o desaire da Huawei na Europa e não só. Com a fabricante chinesa sob pesado escrutínio, as operadoras voltam-se para estas fabricantes ocidentais.

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Rui Bacelar
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