Huawei passa a marca secundária após um 2020 debilitante, afirmam analistas

Rui Bacelar
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A Huawei enfrentará um 2021 com vários obstáculos ao seu crescimento, começando pela lenta implementação dos seus equipamentos de redes 5G, banidos em vários mercados ocidentais. A marca continuará a apostar nos Huawei Mobile Services (HMS) enquanto espera por uma América mais favorável aos seus smartphones, ansiando pelo alívio das sanções impostas em 2020.

A fabricante chinesa vê-se estrangulada perante a sua dependência de várias empresas norte-americanas para o normal desenvolvimento e produção dos seus chips e semicondutores. Uma dependência que afetou particularmente o seu departamento de smartphones e produtos para consumo, relegando a outrora pujante marca para um papel secundário, aponta a Reuters.

O calvário da Huawei começou em maio de 2019

Huawei

Em maio de 2019 o Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América colocou a Huawei na sua lista negra. Alegando riscos para a segurança nacional do país - apontados por várias agências de segurança como a NSA - a entidade reguladora do comércio não hesitou em banir a fabricante chinesa do país. A ZTE também sentiu a mesma mão pesada.

Ainda que tenha negado - e continue a negar - veementemente qualquer acusação, certo é que as empresas norte-americanas viriam a ser impedidas de negociar com a Huawei. A empresa viu-se assim privada de tecnologia e componentes essenciais para o normal curso dos seus negócios, afetando sobretudo o departamento de dispositivos móveis, os smartphones Huawei.

As restrições e sanções impostas pelos EUA viriam a estender-se a empresas estrangeiras que também negociassem com entidades norte-americanas. Entre estas, a TSCM, produtora de chips e semicondutores baseada em Taiwan, viu-se entre a espada e a parede, tendo optado por manter as relações comerciais com empresas ocidentais e deixando assim cair a Huawei.

A Huawei depende de várias empresas para produzir os seus smartphones

Huawei Honor
A Huawei viria a vender a sua sub-marca, Honor.

O calcanhar de Aquiles da Huawei foi atingido efetivamente quando os EUA redobraram as sanções em agosto último. A partir daí, a fabricante chinesa viu-se impedida de manter a normal produção de smartphones Android, carecendo de componentes vitais.

Numa nota positiva, a Huawei conseguiu adiar o impacto destas medidas ao utilizar o stock de componentes armazenados. No entanto, os componentes armazenados também se esgotam, não resolvendo o problema de raiz.

Em testemunho colhido pela agência Reuters o analista Dan Wang foi mais além ao comentar "Esta sentença de morte não implica uma execução rápida", afirmou numa nota a um dos seus clientes. "Em vez disso, o processo é equiparável a um lento estrangulamento", acrescenta Wang.

A Huawei sentirá o maior impacto no seu departamento de smartphones

Huawei

O mesmo analista afirmou que a Huawei sentirá o maior impacto negativo no seu departamento de produtos para consumo onde se enquadram os seus smartphones. Esta divisão foi responsável pela arrecadação de 54% das receitas da Huawei em 2019.

Mais recentemente, em novembro último, a tecnológica finalizaria a venda da Honor, até então a sua sub-marca. Esta venda, afirmou Ren Zhengfei, fundador da Huawei, permitirá à Honor recuperar o acesso a chips, componentes e tecnologias norte-americanas.

A gigante chinesa chegou a ser a maior fabricante mundial de smartphones durante o segundo trimestre de 2020. Foi impulsionada por um forte fervor patriótico com os consumidores a aderirem em massa aos seus smartphones na China, bem como à recuperação económica desse mercado.

No entanto, a venda da Honor e a escassez de componentes devem empurrar a Huawei para fora do Top 5 mundial ainda este ano, sendo relegada para sexta posição. Esta afirmação foi feita pela agência de análise e estudo de mercado, Trendforce.

A reviravolta pode dar-se agora com a nova administração da Casa Branca, com os analistas a apontar uma mão mais leve para com a Huawei. Não obstante, as ações de Washington terão sempre em consideração os pareceres das agências de segurança.

A Huawei concentrou-se no seu Harmony OS

HarmonyOS

Entretanto, sem outra opção, a Huawei concentrou fundos e atenção nas soluções próprias. Desde o ecossistema de serviços Huawei Mobile Services, à sua alternativa ao Android. Apesar de não ser fácil competir com soluções estabelecidas, o HarmonyOS pode abrir novas oportunidades não só aos consumidores, mas também aos programadores.

Ao mesmo tempo, a gigante chinesa pode colocar mais ênfase no departamento de computação com as suas soluções a chegarem já a Portugal. Outro dos vértices de crescimento podem ser os serviços de cloud, bem como o universo IoT.

Por fim, o departamento de redes continua forte, deixando os analistas mais otimistas. Por outro lado, com o Japão e o Reino Unido a banirem as suas infraestruturas, a sua aplicação concentrar-se-á apenas na China.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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