Huawei e Honor justificam a deturpação dos testes de benchmark

Rui Bacelar
Honor Huawei Mate 20 Pro Android benchmark
Os próximos topos de gama Android da tecnológica chinesa já terão este SoC.

Os testes sintéticos de benchmarks são frequentemente tema de conversa não só pelo que representam mas também pelas suspeitas de deturpação destes mesmos números. Seja uma OnePlus ou mais recentemente uma Huawei e a sua sub-marca, a Honor. Em suma, poderemos continuar a confiar numa pontuação de benchmark?

Importa ainda frisar que independentemente da plataforma utilizada - AnTuTu, Geekbench ou mesmo a GFXBench. Há sempre uma forma de adulterar estas pontuações de forma a conseguir resultados mais elevados já que o público anseia por "números grandes".

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Segundo consta, à medida que as fabricantes se aperceberam da atenção prestada pelos consumidores a estas pontuações surgiu uma nova tentação. Otimizar todo o processador para permitir a obtenção de "números" mais aliciantes para tentar o consumidor.

Agora é a vez da Huawei e da Honor justificarem a adulteração destas pontuações e fazem-no utilizando argumentos...incríveis. "Se todos o estão a fazer porque é que nós não podemos?"

Huawei e Honor - a controvérsia dos benchmarks

A temática foi exposta pela publicação da AnandTech que detectou resultados díspares em situações concretas. Isto é, assim que o smartphone detectava a presença de uma aplicação de benchmark a ser executada entrava em "modo Turbo". Em questão está o Honor Play, o smartphone para gaming da Huawei. Este dispositivo na aplicação GFXBench era capaz de reconhecer cenários de teste, desativando qualquer precaução térmica para potenciar os resultados. Em seguida temos um exemplo claro disso mesmo.

benchmark Huawei Honor Android
Acima podemos ver os resultados na GFXbench com e sem a deteção de cenários de benchmark

Tal como podemos observar temos dois resultados bem distintos, ora com a deteção de benchmark ativa, ora com esta "função" desativada. Os resultados diferem consideravelmente, sobretudo no quesito dos frames por segundo ou fps.

Honor Play é o mais recente smartphone da Huawei

Perante esta constatação, a equipa da AnandTech pressionou a tecnológica Huawei no sentido de obter uma resposta. Esta surgiria pela mão do responsável máximo de software na Huawei, o Dr. Wang Chenglu.

A sua justificação começou por afirmar que os benchmarks estão a afastar-se cada vez mais da performance real de utilização no dia-a-dia. Todavia, são cada vez mais utilizadas por analistas (reviewers), amadores e profissionais.

Em segundo lugar o público presta cada vez mais atenção aos números e resultados de benchmarks. Algo bem presente na mentalidade da Huawei e da sua sub-marca Honor, bem como várias outras fabricantes mundiais.

Situação generalizada em toda a indústria "mobile"?

Em terceiro lugar, o executivo da Huawei afirma que a marca foi forçada a adotar esta estratégia uma vez que todas as outras também a utilizam. Isto de forma a não ficar para trás nesta corrida pelas pontuações sintéticas de benchmarks.

Em suma, enquanto o público geral olhar atentamente, ou depositar alguma confiança nestes resultados, os mesmos serão consistentemente adulterados. Mais uma vez, a situação está de tal forma generalizada que até mesmo as grandes marcas não ousam descurar este quesito.

Números grandes deslumbram mentes pequenas. Já numa nota editorial, deixaremos de publicar as pontuações de benchmarks no decurso das nossas análises.

Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. É na tecnologia que encontrou o seu expoente máximo e na 4gnews a plataforma ideal para a redação e produção de vídeo.