As trotinetes elétricas tornaram-se uma alternativa rápida e ecológica para deslocações urbanas, mas o crescimento da sua utilização está a ser acompanhado por um aumento da sinistralidade.
Segundo dados divulgados pela Guarda Nacional Republicana, foram registados mais de 1900 acidentes nos últimos sete anos, resultando em dez vítimas mortais, 88 feridos graves e mais de 1400 feridos ligeiros. As autoridades alertam para os riscos e reforçam recomendações de segurança para os utilizadores.
O aumento da sinistralidade tornou-se particularmente alarmante nos últimos anos. Em 2023, foram registados 540 acidentes, número que continuou a crescer em 2024, ultrapassando os 709 casos (aumento de 29%), o valor mais elevado desde que estes veículos começaram a ser monitorizados pelas autoridades.
Se é certo que de 2024 para 2025 os números baixaram ligeiramente, para os 458 acidentes, também é verdade que aumentou o número de mortes, de dois para três. Números alarmantes, com sustentação no presente ano, em que, até 28 de fevereiro, já se contabilizam 72 acidentes.
Principais causas dos acidentes
De acordo com o comunicado da GNR, entre as situações mais frequentes estão a circulação em locais proibidos, como passeios; desrespeito pela sinalização rodoviária; falta de equipamento de proteção, como capacete; e a condução imprudente.
Recorda que as trotinetes elétricas são legalmente equiparadas a velocípedes, ou seja, os utilizadores devem cumprir as mesmas regras do Código da Estrada, nomeadamente a taxa limite de álcool.
Recomendações de segurança
Para reduzir o risco de acidentes, as autoridades recomendam que os utilizadores utilizem capacete e equipamentos de visibilidade; circulem preferencialmente em ciclovias ou na faixa de rodagem; evitem transportar mais do que uma pessoa na trotinete; respeitem a sinalização e os limites de circulação.
Sinistralidade por distrito
A GNR apresentou ainda um quadro da sinistralidade com trotinete elétricas, desde 2019, assinalando-se:
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A sinistralidade com trotinetes tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, particularmente a partir de 2023;
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2024 foi o ano com mais acidentes registados em Portugal, ultrapassando os 700 casos a nível nacional;
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Aveiro e Faro surgem entre os distritos com maior número de acidentes, e Setúbal apresenta o maior número de vítimas mortais associadas;
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Distritos urbanos ou turísticos concentram maior utilização e, consequentemente, mais ocorrências, mas a tendência de crescimento é transversal a vários distritos, o que indica que o fenómeno não se limita às grandes cidades;
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Os 72 acidentes registados nos primeiros meses de 2026 sugerem que a tendência de subida poderá continuar.
