Este é o filme que todos andam a ver em Portugal. E percebo bem porquê

Pode uma tradição sobreviver à modernidade sem perder a alma? É a pergunta que se coloca em "Santo António, o Casamenteiro de Lisboa", com Rita Blanco e Joaquim Monchique a darem rosto ao dilema.

Adicionar 4gnews como fonte preferida
Filme
(Foto: Instagram Rúben Alves)

Foi há pouco mais de uma semana que estreou no cinema o filme "Santo António - Casamenteiro de Lisboa", realizado por Rúben Alves, que também realizou o grande sucesso de "A Gaiola Dourada".

Só no primeiro fim de semana de exibição, foram perto de 300.000 euros em receita de bilheteira, com cerca de 41.000 espectadores. Isto num fim de semana. De acordo com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), é o filme português com mais sucesso de bilheteira do ano, no arranque.

Qual a história de "Santo António - Casamenteiro de Lisboa" ?

Já vi o filme, pelo que vou tentar ao máximo não te estragar a experiência, sendo spoiler. Falando de um modo mais superficial, a história fala-nos de uma realidade em que os Casamentos de Santo António bateram no fundo, de acordo com uma empresa francesa, que quer assumir o evento.

Carmo e Valentim, que organizam os casamentos há 25 anos, recebem um ultimato: ou esta edição é um sucesso e apresenta um toque mais moderno, ou então serão demitidos das suas funções. De um lado, a globalização e a modernidade. Do outro, a tradição tipicamente portuguesa (lisboeta, neste caso).

O que achei e porque gostei tanto?

Desde logo, uma palavra de reconhecimento ao elenco do filme. Vários nomes sonantes participaram, com destaque para Rita Blanco (Carmo) e Joaquim Monchique (Valentim), que provaram o porquê de fazerem parte de uma espécie de "Olimpo" da representação nacional, com duas atuações excecionais.

Fora os protagonistas, o elenco de apoio também é um verdadeiro luxo à escala nacional, com nomes como Ana Bola, Maria Rueff, Albano Jerónimo, Joaquim de Almeida, João Catarré e muito mais.

Quanto ao filme, acho que foi exímio em provocar um misto de sensações. Houve momentos para rir, para comover, imagens com significado forte (por exemplo, quando Carmo passa pela rua e ouve fado pela varanda de um senhor idoso, e passado uns dias a janela fecha e a música acaba).

Convida a refletir sobre os conceitos de noção de identidade de um país e globalização que "abafa" os costumes e tradições. Convida ainda a refletir sobre o equilíbrio entre ser moderno e preservar um legado. Gosto dos filmes que deixam coisas no ar e abrem alas à subjetividade. Sinto que este foi um desses.

A banda sonora esteve à altura, a realização de Rúben Alves teve pormenores deliciosos para quem vê. Apenas achei algo exagerado alguns pontos (como quando Carmo pede um galão e uma torrada e propõem-lhe uma avocado toast). Entendo que funciona como comédia, o que tem sentido, mas aqui e ali, houve alguns exageros, na minha ótica.

No IMDb, "Santo António - Casamenteiro de Lisboa" tem 7,4/10 estrelas de rating. Vale o que vale, mas, se tivesse de avaliar, talvez desse um pouco mais: 8,5/10.

Luís Guedes
Luís Guedes
O Luís é redator no 4gnews e traz-te as novidades mais recentes sobre as melhores séries e filmes do momento, bem como sobre smartphones.