Como possivelmente já deste conta, a Netflix é um autêntico viveiro de minisséries. Neste momento, há duas que ocupam os primeiros lugares das mais vistas da plataforma de streaming tanto em Portugal como a nível global.
São centenas de minisséries que estão presentes catálogo e muitas dezenas são de qualidade superlativa. Como tal, eleger a melhor é sempre uma tarefa inglória e que provocará discórdias.
Portanto, nada melhor do que utilizar a plataforma Rotten Tomatoes é o melhor barómetro possível. Nesse sentido, "Baby Reindeer", com sete episódios e uns impressionantes 99% de aprovação dos críticos (e selo de Fresh), é atualmente o grande destaque.
Qual o enredo?
A história acompanha Donny Dunn, um comediante em início de carreira que trabalha num bar em Londres para pagar as contas enquanto tenta conquistar o mundo do stand-up.
Tudo muda quando conhece Martha, uma mulher a quem oferece um chá por compaixão. O gesto aparentemente inocente desencadeia uma obsessão crescente: Martha começa a persegui-lo, a inundar a sua caixa de entrada com milhares de emails e a aparecer em todos os lugares da sua vida.
Mas "Baby Reindeer" não é apenas uma história 'banal' de stalking. À medida que a obra avança, percebe-se que Donny carrega os seus próprios segredos e traumas, nomeadamente um abuso sofrido às mãos de um mentor da indústria do entretenimento.
A minha opinião
Há obras que ficam connosco mesmo após o seu término. "Baby Reindeer" é uma delas. Desde o primeiro episódio que a sensação é de estarmos a ver algo diferente de tudo o que já vimos na Netflix.
É uma história (baseada em factos reais) crua, desconfortável, que recusa os atalhos fáceis do entretenimento convencional. O que a torna verdadeiramente extraordinária é a sua recusa em ser simples.
Poderíamos estar perante um thriller de perseguição e há momentos em que o é. Mas o que faz verdadeiramente a diferença é que Richard Gadd tem a coragem de virar a câmara sobre si próprio e expor as suas próprias contradições, os seus erros, a sua cumplicidade involuntária nalgumas das situações que viveu.
Essa honestidade brutal é muito rara no pequeno ecrã. A construção de personagens é outro ponto alto. Martha, a perseguidora, é simultaneamente aterradora e profundamente humana; e é esse equilíbrio impossível que faz com que a série nos perturbe de uma forma que não conseguimos bem explicar.
"Baby Reindeer" é o tipo de obra que justifica a existência das minisséries como formato: sete episódios sem gordura, sem uma cena desperdiçada, com um final que deixa qualquer um em silêncio. É, sem margem para dúvida, uma das melhores coisas que a Netflix alguma vez produziu.
O que diz a crítica?
Como o próprio título indica é a minissérie mais bem avaliada no Rotten Tomatoes. "Uma obra auto ficcional impactante do criador e protagonista Richard Gadd, Baby Reindeer pode ser uma experiência difícil de assistir, mas recompensa ricamente os espectadores com a sua complexidade emocional e excelentes interpretações", escreve a crítica de forma unânime.
"Chocante, hilariante, doloroso e devastador, Baby Reindeer é uma pérola rara na televisão, que nos relembra o que é possível neste meio", regista a Variety.
"O horror limítrofe do comediante escocês Richard Gadd sobre uma stalker é brilhantemente assustador. É uma [minis]série televisiva tensa e assustadora que ficará na sua memória por muito tempo", aponta o The Guardian.
