2A3213F800000578-3148311-image-m-48_1435920798499O organismo humano é algo verdadeiramente complexo e maravilhoso, desde a replicação do ADN até à gestação e nascimento de uma nova vida, o corpo humano é um intrincado mecanismo em que biliões de factores têm de estar correctos para que possamos desfrutar de algo tão simples como passear e ir às compras.

De facto, torna-se incrível pensar que uma simples mutação genética ou um erro na divisão celular possa causar uma avalanche de consequências nas mais diversas vertentes físicas e psicológicas mas geralmente, tudo está perfeitamente calibrado e alinhado.

E quando tal não sucede? Das múltiplas possibilidades em que algo pode afastar-se do padrão de normalidade, uma alergia à corrente eléctrica e, consequentemente ao sinal wi-fi, é sem dúvida uma das mais bizarras condições médias de que ouvi falar. Infelizmente, este é o caso de uma mulher britânica de 50 anos, Jackie Lindsey que se auto-diagnosticou com hipersensibilidade eletromagnética (EHS), a partir daí o seu dia-a-dia nunca mais foi o mesmo.

   

A senhora Lindsey tinha uma vida normal, sustentando-se com o aluguer de vários terrenos que possuía, até que há cerca de 8 anos começou a sofrer de vários sintomas neurológicos, tonturas, dores lancinantes nos olhos e dormência nas mãos, no entanto os médicos não conseguiram encontrar explicação para o sucedido ao que ela resolveu começar a investigar, deparando-se com a EHS. Este síndrome não é ainda reconhecido pela ordem médica no Reino Unido mas já é tratado como uma incapacidade na Suécia.

De acordo com uma instituição de caridade do Reino Unido, 4% da população sofre actualmente de EHS e este número deverá aumentar tendo em conta o crescimento e importância exponencial dos equipamentos electrónicos no nosso dia-a-dia e em toda a economia.

Sem qualquer tratamento conhecido, face a esta alergia fatal, a senhor Lindsey vive agora numa área remota em Wimborne, Dorset, tendo sido forçada a abandonar a sua antiga casa porque conseguia sentir a electricidade do vizinho.

Actualmente na sua nova casa, ela vive em reclusão e sem qualquer equipamento eléctrico. O seu dia-a-dia depende de fósforos, gás para cozinhar e aquecimento e claro, velas.

Nas poucas vezes em que sai de casa, a senhora Lindsey tem que usar uma espessa roupa que cobre totalmente o seu corpo da cabeça aos pés. Utilizando um tecido composto por 20% de fio de prata, o que a torna relativamente “impermeável” a ondas eletromagnéticas e que lhe confere um aspecto de “apicultora sinistra”.

Caso se aventure no exterior sem esta estranha roupa, poderia sofrer um choque anafilático e paragem cardio-respiratória, uma alergia fatal que pode ser despoletada por um simples smartphone ou por uma rede wi-fi. Só mesmo com este insólito traje é que consegue passar alguns minutos dentro de uma loja sem que os diversos aparelhos electrónicos comecem a causar-lhe irritação.

Nestas saídas esporádicas, Lindsey leva consigo um medidor de campo eletromagnético que usa para se afastar de zonas onde se faça sentir de forma mais intensa a corrente elétrica, sinal wi-fi, etc.

O impacto desta alergia fatal no seu dia-a-dia é inacreditável e tornou-a dependente dos seus familiares para que lhe tragam as compras e bens de primeira necessidade a sua casa. “Eu perdi tudo na vida que faz com que você se sinta humano”, disse durante uma entrevista ao Daily Mail.

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