A Guarda Nacional Republicana (GNR) divulgou os dados relativos às infrações por uso indevido do telemóvel ao volante, e os números não são animadores. Só no primeiro trimestre de 2026, entre janeiro e março, foram registadas 4.179 infrações, numa tendência que a GNR descreve como "um desafio crítico para a segurança rodoviária".
O mês de março é o que mais preocupa as autoridades. Com 1.688 infrações detetadas, representa um aumento de 16,5% face a fevereiro e uma subida de 61,8% em relação a janeiro. Ou seja, ao longo do trimestre, o comportamento foi piorando mês após mês.
2025 foi o ano com mais infrações de sempre
Para perceber a dimensão do problema, vale a pena recuar um pouco. Em 2025, a GNR registou 18.631 infrações por uso do telemóvel ao volante: o valor mais alto dos últimos três anos e um aumento de cerca de 8% face às 17 281 registadas em 2024. Isto traduz-se numa média de cerca de 50 infrações por dia.
Embora o acumulado do primeiro trimestre de 2026 mostre uma descida de 25,5% em relação ao mesmo período de 2025, que foi o trimestre mais grave do período em análise, com 5 612 infrações, a subida acentuada verificada em março trava qualquer otimismo.
Porto e Lisboa no topo
A distribuição geográfica das infrações mostra que Porto e Lisboa concentram sistematicamente o maior volume de casos. O Porto registou 3 826 infrações em 2024 e 3 522 em 2025. Lisboa segue de perto, com 2 257 e 2 453 respetivamente.
Em 2026, os dados provisórios do primeiro trimestre colocam Lisboa na liderança com 804 casos, seguida do Porto com 610. O distrito de Braga surge também em destaque, com 457 infrações nos primeiros três meses do ano.
Um risco que se compara ao álcool ao volante
A GNR sublinha que este não é apenas um problema legal, é um perigo real. Segundo a GNR, o uso indevido do telemóvel durante a condução pode triplicar a probabilidade de ocorrência de acidentes, provocando uma distração cognitiva que reduz a capacidade de reação e o campo visual do condutor. Os efeitos, alertam as autoridades, são comparáveis aos da condução sob influência do álcool.
Face a este cenário, a GNR recomenda a utilização de sistemas mãos-livres, a configuração prévia do GPS e da música antes de arrancar, e a paragem do veículo em local seguro sempre que for necessário consultar o telemóvel.
A GNR avisa ainda que continuará a intensificar as ações de fiscalização nesta área.
