Nos últimos meses, tutores de animais em Portugal tornaram-se alvo de uma burla cruel que se aproveita de um momento de fragilidade emocional. Criminosos têm contactado donos de animais desaparecidos a prometer a devolução do animal mediante um pagamento imediato via MB WAY.
Explorar a ansiedade de quem está vulnerável
O esquema teve início a partir de publicações em grupos do Facebook e do Instagram dedicados à procura de animais perdidos. Aproveitando-se desse contexto, os burlões passaram a contactar os tutores, fazendo-se passar por funcionários de abrigos municipais de proteção animal e alegando que o animal tinha sido encontrado.
Na abordagem, afirmavam que o resgate só poderia ser feito após o pagamento de supostas taxas de acolhimento ou custos veterinários, exigindo transferências urgentes via MB WAY ou referência Multibanco. Perante a ansiedade e o medo de perder o animal, muitas vítimas acabaram por efetuar o pagamento sem confirmar a autenticidade do contacto.
A situação ganhou grande repercussão nas redes sociais ao envolver a Casa dos Animais de Lisboa (CAL), centro oficial de recolha de animais errantes. Perante o aumento dos relatos, a autarquia precisou de emitir um comunicado público a alertar a população sobre a fraude.
As autoridades, incluindo a PSP, também intervieram para reforçar que abrigos oficiais utilizam apenas canais verificados e nunca solicitam pagamentos antecipados por mensagens ou chamadas telefónicas.
Confiança excessiva na tecnologia facilita burlas
Ferramentas digitais de comunicação e pagamento foram centrais para a eficácia do esquema. O MB WAY, amplamente utilizado pela sua rapidez e conveniência, acabou por ser explorado por criminosos justamente por permitir transferências imediatas e sem possibilidade de cancelamento.
Em situações de forte apelo emocional, como o desaparecimento de um animal de estimação, a combinação entre urgência e medo reduz a capacidade de análise crítica das vítimas. Isso dificulta a distinção entre um contacto legítimo e um golpe bem estruturado.
Além disso, a exposição excessiva de informações pessoais nas redes sociais contribui diretamente para esse tipo de fraude. Dados como rotinas, localizações frequentes, nomes dos animais e características físicas oferecem aos burlões elementos suficientes para construir narrativas convincentes e altamente personalizadas.
Privacidade digital e proteção de dados ganham protagonismo
Casos como este servem de alerta sobre como hábitos digitais aparentemente inofensivos podem ser usados contra os próprios utilizadores. Cada ligação a uma rede Wi-Fi pública, cada formulário preenchido sem garantias de segurança e cada informação sensível partilhada em plataformas abertas aumenta a superfície de exposição.
Perante este cenário, soluções de proteção digital tornam-se cada vez mais relevantes. Uma VPN (rede privada virtual), por exemplo, cria uma camada adicional de segurança ao encriptar o tráfego de internet e proteger a identidade do utilizador — algo essencial ao aceder a aplicações bancárias, serviços de pagamento ou trocar informações confidenciais.
Serviços como a NordVPN ajudam a reduzir significativamente o risco de monitorização por terceiros, especialmente em redes públicas ou móveis, oferecendo mais tranquilidade durante a navegação e a utilização de serviços sensíveis.

Boas práticas para evitar cair em fraudes
Com o aumento de esquemas que envolvem animais desaparecidos, vendas falsas e pedidos urgentes via MB WAY, autoridades e especialistas em cibersegurança recomendam algumas medidas básicas de proteção:
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Verifique o contacto: confirme se o número ou perfil pertence a uma entidade oficial antes de efetuar qualquer pagamento.
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Desconfie da urgência: burlões criam pressão emocional para provocar decisões impulsivas.
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Proteja os seus dados pessoais: evite partilhar informações detalhadas em plataformas abertas.
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Denuncie atividades suspeitas: reporte casos à PSP, GNR ou autoridades competentes para investigação.
A burla envolvendo animais desaparecidos em Lisboa não é um caso isolado. Reflete uma tendência mais ampla, em que criminosos exploram fragilidades emocionais e falhas na proteção de dados pessoais. Num ambiente digital cada vez mais exposto, investir em privacidade e segurança deixou de ser opcional e tornou-se uma necessidade.