5 pontos em que os iPhone 12 mudaram os smartphones Android

Rui Bacelar
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A Apple é a fabricante mais influente no mercado de dispositivos móveis. As suas decisões e escolhas, frequentemente controversas, acabam por ser aceites, integradas, ou moldadas para servir os interesses das diversas fabricantes Android.

Em 2020 o lançamento da geração iPhone 12 trouxe consigo inovações e alterações significativas para os smartphones Apple, com as inspirações já visíveis no segmento Android. São pelo menos 5 vetores em que o universo iOS mudou a esfera Android.

1. A remoção do carregador USB e dos auriculares da caixa

Apple iPhone 12
A totalidade dos componentes incluídos na caixa dos iPhone 12.

As causas ambientais e de sustentabilidade ecológica motivaram a Apple a tomar esta decisão radical em outubro de 2020. Recebida com bastante contestação e alvo de chacota por diversas fabricantes Android, que meses depois fariam o mesmo.

Para registo futuro, tanto a Samsung como a Xiaomi satirizaram esta decisão. Entretanto, viriam a lançar os respetivos smartphones topo de gama sem o carregador incluído na caixa (nem os auriculares), apesar de tal ser opcional no caso da Xiaomi.

A decisão privou os consumidores destes acessórios, mas de acordo com a gigante de Cupertino, uma parte significativa já tinha vários carregadores espalhados por casa, alguns sem nunca terem sido usados.

Uma polémica agravada pelo lançamento simultâneo das soluções MagSafe da Apple, opções de carregamento sem-fio. Na prática, um novo conjunto de acessórios particularmente onerosos e destinados aos utilizadores de iPhone.

Veríamos, em dezembro, a Xiaomi a apresentar também um carregador rápido sem-fios, ao passo que a Samsung tem já vários destes acessórios no mercado, tendo-se assim antecipado à Apple.

Termino este primeiro ponto com a devida nota à BQ, uma outrora conhecida fabricante espanhola que também não incluía o carregador USB nos seus produtos pelas mesmas questões ambientais.

2. Smartphones pequenos e compactos, mas poderosos!

Apple iPhone 12 Mini
Os Apple iPhone 12 Pro Max, iPhone 12 Pro e iPhone 12 mini.

O formato e tamanho dos dispositivos móveis tem vindo a aumentar gradualmente, sobretudo no segmento de gama alta, quem procura o melhor, está limitado a usar "o maior". Algo que não agrada a todos os utilizadores e visível nos modelos "Ultra".

Há, contudo, o bom exemplo da Sony com a linha Compact, apesar da pouca expressão no mercado. Ainda assim, seria a Apple com o iPhone 12 mini a colocar no mercado um topo de gama pequeno e compacto com desempenho sublime.

Poderia ser dito que até o iPhone SE (2020) ajudou a cimentar esta nova tendência e, até certo ponto, fez exatamente isso. Seria, contudo, o iPhone 12 mini a cristalizar esta nova opção para quem não quer um pequeno tablet nas mãos, ou no bolso.

Acreditamos que este exemplo venha a inspirar mais fabricantes Android a colocar nas lojas opções igualmente poderosas, mas que não desafiem os limites dos nossos dedos. Em parte, tanto o Xiaomi Mi 11 como o Samsung Galaxy S21 são disso exemplo.

Ambos os exemplos citados têm processadores topo de gama, em formatos não tão grandes - não são smartphones pequenos - mas também não são pequenos tablets - phablets - como o Galaxy S21 Ultra.

3. Maior robustez para o ecrã com vidro Gorilla Glass

Apple iPhone 12 Pro Max
As capas de proteção acrescentam uma camada extra de resistência.

Um dos vetores de inovação nos smartphones iOS são as soluções de durabilidade, mais concretamente o vidro utilizado para proteger o ecrã e a traseira do dispositivo - em alguns casos. Atualmente a Apple usa a solução Ceramic Shield nos iPhone 12.

Esta fórmula, desenvolvida pela Corning e pela Apple, endurece o vidro com cristais cerâmicos - de acordo com a Apple. É mais resistente a quebras, mas aparenta ser mais suscetível a pequenos riscos, ao contrário do Gorilla Glass Victus.

O Victus é o melhor tipo de vidro que podemos encontrar num smartphone Android em 2021. É o melhor escudo e garantia de durabilidade do dispositivo móvel, apesar de a maioria dos utilizadores optar também pelo uso de capa de proteção.

De qualquer modo, é provável que mais fabricantes Android unam esforços com a Corning para criar soluções própria com vista a garantir a maior resistência dos seus smartphones. É, portanto, uma boa influência da Apple no universo Android.

4. Apple ProRAW e a influência na fotografia computacional

Apple iPhone 12 Pro

A fotografia é um dos maiores vetores de inovação no mercado de dispositivos móveis, com a Apple a destacar-se nos modelos iPhone 12 Pro, e sobretudo no iPhone 12 Pro Max. Ambos os modelos têm novos recursos de fotografia computacional.

Em concreto, o modo ProRAW que ajuda a conseguir os melhores resultados fotográficos possíveis a partir dos sensores presentes nos iPhone 12. Este modo agrega mais informação, processando-a sem perder detalhes e consegue produzir melhores imagens.

Não só o ruído digital é reduzido, como também a cor, equilíbrio de brancos, exposição e intervalo dinâmico são beneficiados. Este é um bom exemplo da fotografia computacional - processamento de imagem - ao serviço dos utilizadores.

Há, contudo, excelentes exemplos no campo Android com mérito próprio, desde a Google com os Pixel, ou a Huawei. Em síntese, neste ponto vemos diferentes abordagens, com resultados igualmente promissores, tanto na esfera Android como iOS.

5. Sensor LiDAR e a realidade aumentada (RA)

Apple iPhone 12 Pro Max
O modelo iPhone 12 Pro Max conta com o sistema LiDAR.

A realidade aumentada (RA) tem sido desenvolvida por várias fabricantes como a Google e também a Apple. Em concreto, nos iPhone 12 Pro Max temos o sistema LiDAR que permite mapear rapidamente um espaço, além de ajudar a câmara fotográfica.

Este mesmo sistema é aplicado noutros equipamentos como os robots aspiradores para mapear rapidamente um cómodo. Trata-se de uma solução relativamente precisa e recentemente miniaturizada para smartphones como o caso do topo de gama da Apple.

O sistema de radar de luz faz um mapeamento preciso, permitindo ao smartphone entender o espaço e processa-lo quase como um humano. Permite medir distâncias com precisão, auxiliar nas opções de acessibilidade para o iPhone, entre outros usos.

Acreditamos que este sistema, ou uma derivação do mesmo, venha a ser implementado pelas fabricantes Android. À medida que a Realidade Aumentada ganha expressão e aplicações práticas, pode vir a tornar-se mais comum nos smartphones Android.

Influências que permeiam tanto o Android como o iOS

O mercado mobile é pautado por tendências. Em determinado ano as fabricantes optam por seguir um rumo para convencer o consumidor do seu impacto e inovação. Por vezes tudo se resume a uma campanha de marketing, mas noutros casos há inovações reais a chegar ao mercado.

Veja-se o exemplo dos smartphones dobráveis, para já em fase embrionária. É, contudo, um ponto marcante em que a esfera Android influenciará certamente a Apple, falando-se já no estudo de um iPhone dobrável pela empresa de Cupertino.

Serve isto para ilustrar a grande permeabilidade de inspirações e soluções entre as principais marcas Android e a obtusa Apple.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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