A Apple pode estar a preparar uma mudança importante na sua cadeia de produção de chips. Segundo um relatório recente da Bloomberg, a empresa terá iniciado conversas preliminares com a Samsung e a Intel para avaliar a possibilidade de fabricar processadores para os futuros dispositivos da marca.
A decisão ainda não está tomada. De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, a Apple ainda não fez qualquer encomenda e as negociações continuam numa fase inicial. Ainda assim, o movimento mostra que a empresa poderá estar interessada em reduzir a sua forte dependência da TSMC, responsável há vários anos pela produção dos chips usados no iPhone, iPad e Mac.
Apple quer reduzir dependência da TSMC
Durante a última década, a Apple confiou sobretudo na TSMC para fabricar os seus principais processadores. Estes chips, também conhecidos como SoCs, juntam numa única peça vários componentes essenciais, como CPU, GPU e outros elementos responsáveis pelo desempenho dos dispositivos.
O problema é que depender de um único fornecedor limita a margem de manobra da empresa. Como observa o site Engadget, o próprio Tim Cook, ex-CEO da Apple, reconheceu recentemente que a Apple tem "menos flexibilidade na cadeia de abastecimento" do que gostaria. Esta situação ficou ainda mais sensível com a escassez de chips e com a crescente procura por componentes destinados a produtos de inteligência artificial.
Há também uma preocupação geopolítica. A TSMC continua a fabricar grande parte dos chips da Apple em Taiwan, uma região que pode enfrentar riscos caso aumentem as tensões com a China. Embora a TSMC já produza alguns chips para a Apple na sua fábrica no Arizona, esta capacidade ainda não cobre a dimensão real da procura da marca.
Para se ter uma ideia, a Apple afirmou que 100 milhões dos seus chips serão produzidos nos Estados Unidos em 2026. Mesmo assim, este número representaria apenas uma parte dos seus dispositivos, já que a empresa vendeu 247,4 milhões de iPhones apenas em 2025.
Samsung e Intel entram nas conversas
Segundo a Bloomberg, a Apple já terá contactado a Intel e visitado recentemente uma fábrica de chips da Samsung que está em construção no Texas. A ideia seria estudar alternativas para futuros produtos, mas não para a geração imediata do iPhone.
Isto porque a Apple deverá utilizar o processo de 2 nm da TSMC nos chips A20 e A20 Pro, esperados para a linha iPhone 18. Ou seja, qualquer chip produzido pela Samsung ou Intel só deverá aparecer em produtos lançados em 2027 ou depois.
Ainda não é claro que dispositivos poderiam receber componentes fabricados por estas empresas. Podem ser iPhones, iPads ou outros equipamentos da Apple. Mas o relatório da Bloomberg também refere que a Apple ainda tem algum receio em utilizar tecnologias que não sejam da TSMC e pode acabar por não avançar com outra parceria.
O que isto pode mudar para quem compra produtos Apple
Para os consumidores, a principal vantagem desta possível mudança seria a disponibilidade. Como observa o Tom's Hardware, se a Apple conseguir distribuir parte da produção dos seus chips entre a TSMC, a Samsung e a Intel, poderá reduzir a pressão sobre um único fornecedor. Isto é importante porque, em lançamentos muito aguardados, como os novos iPhones ou MacBooks, podem acontecer atrasos de várias semanas quando a produção não acompanha a procura.
Outro impacto possível está nos preços. Diversificar a produção não significa, necessariamente, que os produtos Apple vão ficar mais baratos. No entanto, isto pode ajudar a empresa a evitar aumentos bruscos de preço caso exista algum problema em Taiwan, onde a TSMC concentra uma parte importante da produção. Com mais opções de fornecimento, a Apple ganha margem para manter os custos mais controlados e reduzir o risco de uma escassez afetar diretamente o valor final dos aparelhos.
Há ainda a questão da evolução tecnológica. Afinal, com a procura por chips de inteligência artificial a ocupar cada vez mais a capacidade das fábricas avançadas, a Apple pode procurar alternativas para não ficar dependente da fila da TSMC. Se a Samsung e a Intel conseguirem entregar processos competitivos, isto pode ajudar a manter o ritmo de melhorias no desempenho, na eficiência energética e na bateria.
