Xiaomi Mi 11 Review: velocidade e elegância pelo preço certo

Bruno Coelho

Tirar um novo smartphone da caixa é sempre uma experiência agradável. O cortar do autocolante que a sela, o cheiro de um novo gadget e o barulho do retirar do plástico fazem parte uma experiência que qualquer entusiasta tecnológico aprecia.

Quando o equipamento é também ele excitante, é com grande alegria que o ligamos a primeira vez e só desejamos que o processo de inicialização termine para começar a utilizar o novo “brinquedo”. E quando ao Mi 11 chegou a minha casa, não foi diferente.

O mais recente telemóvel topo de gama da Xiaomi foi apresentado em janeiro, e chega a Portugal com um preço base de 749,99 €. A versão gentilmente cedida pela Mi Store Portugal para os nossos testes custa 799,99 € no nosso país, e conta com 8GB de memória RAM e 256GB de armazenamento.

Lançado sem qualquer versão Pro ou Ultra, o Mi 11 é à data o melhor smartphone da Xiaomi que podes comprar nos mercados globais. Embora não seja um equipamento perfeito, tem praticamente tudo o que um utilizador procura quando compra um novo topo de gama em 2021.

Xiaomi Mi 11

Pontos fortes do Xiaomi Mi 11:

  • Ecrã simplesmente fenomenal que combina resolução, fluidez e brilho
  • Som de grande qualidade graças à parceria com a Harman / Kardon
  • Câmara com muitos modos para descobrir
  • Carregamento rápido, com e sem fios
  • Construção elegante e de qualidade

Pontos fracos do Xiaomi Mi 11:

  • Falta de certificação IP68
  • Várias aplicações desnecessárias pré-instaladas
  • Carece de uma lente telefoto

A experiência de unboxing do Xiaomi Mi 11

Ao contrário do que fizeram Apple e a Samsung, a Xiaomi optou por manter tudo o que é necessário na caixa da versão global do Xiaomi Mi 11. Assim que a abrimos pela primeira vez, lá está o Mi 11 em cinzento (Midnight Gray), com todos os acessórios essenciais.

Isto significa que no interior da caixa do Mi 11 não encontras apenas o smartphone, o cabo de carregamento USB-C para USB-A e a ferramenta para colocares o teu cartão SIM. Este também chega apetrechado com um adaptador de parede, que te permite carregar o terminal até 55W. Pena este adaptador não ser USB-C.

Ainda dentro da caixa, podes encontrar uma capa transparente, como vem sendo cortesia da Xiaomi. E embora este equipamento não tenha entrada de áudio de 3,5mm, a Xiaomi faculta um adaptador USB-C para jack 3.5mm se quiseres ligar uns auriculares com fios. De referir ainda que o smartphone traz uma película de plástico colocada.

Xiaomi Mi 11

Sem surpreender, o design do Mi 11 é sóbrio e competente

Costuma-se dizer que comemos muito com os olhos, e num mercado onde todos os equipamentos parecem apenas retângulos com um ecrã, o Mi 11 é um produto bastante sóbrio e consistente.

Na parte frontal, a marca opta aqui por um ecrã com uma ligeira curvatura nas laterais, que acaba por ajudar ao manuseamento com uma mão. As margens no canto do ecrã podem ser consideradas um pouco estranhas à primeira vista, mas não afetam a experiência, e até podem ajudar em caso de quedas (já que nessa zona não tem vidro).

Xiaomi Mi 11

O mesmo se pode dizer do pequeno punch-hole para a câmara frontal, que acaba por ser aqui uma escolha segura enquanto a tecnologia de câmara debaixo do ecrã não está pronta. O vidro fosco utilizado na traseira em cinzento faz com que não seja um ímane de dedadas, o que é salutar.

Ainda na parte de trás temos um módulo de câmaras que busca alguma inspiração ao iPhone 12, embora seja um pouco mais pronunciado. O sensor principal acaba por ter maior destaque com uma “auréola” em seu torno, e combina com a tónica sóbria do equipamento.

Xiaomi Mi 11

Para os meus padrões é um equipamento grande, mas nem por isso deixo de apreciar os seus pergaminhos. Escrever mensagens ou navegar é possível com apenas uma mão, mesmo para mim que as tenho pequenas.

Bem construído, embora sem certificação IP68

Este é um terminal verdadeiramente bem construído. O seu ecrã conta com proteção Gorilla Glass Victus, e podes ainda contar uma traseira com Gorilla Glass 5. A moldura é em alumínio, e não temos a apontar quaisquer fraquezas neste sentido durante os testes.

Ainda assim, é importante mais uma vez afirmar que a Xiaomi optou por não oferecer certificação IP68 no equipamento. Esta será uma escolha que provavelmente é feita para manter o preço do terminal mais baixo. Mas eu mantê-lo-ia longe da chuva.

Xiaomi Mi 11

Um dos melhores ecrãs da atualidade

É algo que dizemos várias vezes e não é à toa: o ecrã é a coisa mais importante num smartphone. É para o ecrã que olhamos todos os dias e no qual realizamos qualquer ação no smartphone. E olhar para o painel deste Mi 11, é um verdadeiro deleite.

São 6.81” polegadas, com um aproveitamento de ecrã 91,4%. Trata-se ainda de um painel curvo AMOLED fabricado pela Samsung, que combina 120Hz de taxa de atualização com resolução de 1440 por 3200 pixeis. O brilho tem um pico de 1500 nits.

Xiaomi Mi 11

Sem sequer pensar nos números, este é um painel que simplesmente impressiona. As cores são muito aprimoradas, e seja a navegar pelas redes sociais ou a jogar, os 120Hz fazem toda a diferença numa experiência plena de fluidez.

Embora tenhamos um pequeno buraco para a câmara frontal, isso não é algo que incomode minimamente. Atrevo-me até a dizer que facilmente esqueces que isso está la quando começas a apreciar um filme ou uma boa série neste telemóvel.

Embutido no ecrã está o sensor de impressões digitais. Nota-se o aprimoramento feito face aos anteriores modelos, e destaco a sua generosa área de ação. Pode dizer-se que acerta em cada 9 em 10 vezes.

Xiaomi Mi 11

Desempenho de topo é uma das bandeiras do Mi 11

O Xiaomi Mi 11 chega-nos às mãos equipado com o mais poderoso processador para Android da atualidade - o Qualcomm Snapdragon 888 -, combinado com GPU Adreno 660. A versão que testamos oferece ainda 8GB de memória RAM e 256GB de armazenamento.

Na prática, significa que não vais ter quaisquer problemas de desempenho neste equipamento. Qualquer aplicação que lhe “atires para cima” corre sem problemas ou engasgos, que tenhamos notado

No que concerne a jogos, testei sobremaneira o Pokémon GO que acaba por ser um bom barómetro. O título da Niantic funciona a 60Hz, mas acaba por ser uma experiência de grande qualidade, sendo que o jogo roda de forma bastante fluida.

Xiaomi Mi 11

Quanto à transição entre aplicações, é feita de maneira bastante leve, e mesmo a usar apps com o ecrã dividido, não notei quebras de performance.

MIUI está cada vez melhor, mas há aplicações pré-instaladas desnecessárias

O último smartphone pessoal que usei da Xiaomi foi o Redmi Note 5. Desde aí, noto melhorias significativas na versatilidade, mas também no quão polida está a MIUI 12. Não noto mudanças de maior no aspeto da interface, da qual já gostava anteriormente.

Xiaomi Mi 11

Algo que denoto nesta versão é o facto de já não ver a necessidade de instalar um launcher externo. Primeiro porque agora temos acesso a uma gaveta de aplicações. E quem não gosta de a ter? E depois porque os ícones se adequam todos ao mesmo tamanho sem exceções.

Infelizmente, tal como outras fabricantes, a Xiaomi insiste em trazer aplicações pré-instaladas que não fazem falta nenhuma. Um exemplo disso são os quatro jogos que chegam pré-instalados. Embora os possas apagar, estes chegam de forma inexplicável no equipamento.

Já para não falar de aplicações de descontos em hotéis como a “Agoda” que também estão no equipamento “à nascença”, assim como os já "clássicos" Facebook ou Netflix. Um apontamento positivo é que, pelo menos nesta unidade, não encontrei quaisquer anúncios na interface. Quanto às aplicações que referi, podem ser desinstaladas (mas nem deviam estar lá em primeira instância).

Coluna externa? Não é preciso

Uma das grandes bandeiras deste smartphone é também a sua qualidade sonora. A parceria com a Harman / Kardon traz-nos altifalantes estéreo de grande qualidade. Esquece a coluna para ouvir música enquanto cozinhas. O Mi 11 serve.

Xiaomi Mi 11

Câmara versátil e competente

A seguir ao ecrã e à performance, a câmara é provavelmente um dos pormenores a que mais damos importância. Neste caso temos um sensor principal de 108MP, acompanhado de uma ultrawide de 13MP e ainda uma telemacro de 5MP.

O sensor principal é o mesmo do Mi 10, o ISOCELL Bright HMX da Samsung. Isto significa que combina informação de quatro pixeis adjacentes, oferecendo-te imagens com 27 megapixeis de resolução.

Xiaomi Mi 11

O resultado são fotografias com boas cores, bem detalhadas e que não terás problemas de utilizar em qualquer situação. Ainda assim, é bom referir à priori que no geral considero os exemplos tirados pelo meu iPhone 12 ou o Galaxy Note 20 Ultra que testei há algum tempo superiores. Mas o preço desses equipamentos também é mais alto.

Imagem capturada com a câmara principal do Xiaomi Mi 11
Imagem capturada com a câmara principal do Xiaomi Mi 11. Vê na qualidade original

Esta é uma app de câmara versátil, e cheia de modos para te divertires. Podes tirar fotografias com zoom digital de 2x, e ainda esticar a corda às 5x, 10x ou 30x. Mas a qualidade além das 2x é geralmente duvidosa. É neste campo que faria falta uma lente telefoto.

Xiaomi Mi 11

No campo do vídeo, é possível gravar até 8K a 30 frames por segundo. Contudo, é a 4K que vais conseguir os resultados mais estáveis. Aí consegues gravar até 60fps com boa estabilidade, embora não ao nível dos dois equipamentos que referi acima (e que também são mais caros). Abaixo confere a qualidade de vídeo e o som que consegues captar.

Além dos habituais modo Pro, Panorama, Retrato ou Noturno, tens outros modos bastante interessantes. Falamos, por exemplo, do vídeo duplo, que te permite gravar a ti e outra pessoa a falar sem problemas (usando câmara frontal e traseira em simultâneo).

Xiaomi Mi 11

Tens ainda os modos de clone ou de efeitos de filme, que te permitem fazer algumas imagens interessantes, como podes ver abaixo. Será algo que alguns utilizadores vão gostar de experimentar, e outros provavelmente nem se darão conta de que existe.

Modo clone é um dos mais divertidos do Mi 11. Vê na qualidade original
Modo clone é um dos mais divertidos do Mi 11. Vê na qualidade original (Modelo: João Ferreira)

No final das contas, esta é uma câmara com que podes contar para qualquer situação. A focagem é rápida, as cores são boas e à noite também não vais ficar desiludido. Há melhor no mercado, mas também custa mais dinheiro. Como disse acima, sinto é falta de uma lente telefoto.

Xiaomi Mi 11

Bateria para um dia inteiro não é problema

A bateria é um tema sensível, e os gastos desta vão sempre depender de cada utilizador. O que te posso dizer em relação ao Mi 11 é que a performance em standby é boa, e que não notei grandes gastos com o ecrã desligado.

Como é óbvio, quando juntas resolução QuadHD+ e 120Hz, não podes esperar que os 4600mAh façam milagres. Tendo isso em conta, é uma bateria que em uso normal a intensivo me durou facilmente um dia inteiro. Em utilizadores que façam uso mais moderado, talvez possam ter bateria para boa parte do dia seguinte.

Xiaomi Mi 11

Carregar o equipamento é um verdadeiro mimo. Com o carregador de 55W que vem na caixa, carrega-lo em menos de uma hora. Se tiveres por casa um carregador sem fios, este smartphone pode ser carregado até 50W. Podes ainda "encher a barriga" com o carregamento inverso a outros equipamentos a 10W.

Pelo preço, é difícil encontrar melhor que o Xiaomi Mi 11

Dou de barato as aplicações pré-instaladas que facilmente posso apagar, e não sou utilizador de ter a necessidade da certificação de IP68. O que senti mais falta neste Mi 11 foi mesmo a ausência de uma lente telefoto que proporcionasse mais zoom sem perda de qualidade.

Por 799 €, temos aqui um smartphone que no que diz respeito ao ecrã não fica a dever em nada a qualquer smartphone que se encontra atualmente no mercado (nem aos que custam 1300 €). E o mesmo se pode dizer da sua performance, encabeçada pelo Snapdragon 888.

Xiaomi Mi 11

O som é igualmente de topo, sendo que não noto diferenças de maior para o meu iPhone 12. Além do mais, a bateria é competente e carrega rápido o suficiente para me deixar satisfeito.

Especificações técnicas do Xiaomi Mi 11:

  • Processador Qualcomm Snapdragon 888
  • Gráfica: Adreno 660
  • 8GB de memória RAM LPDDR5
  • 128GB ou 256GB de armazenamento UFS 3.1
  • Ecrã: AMOLED WQHD+ de 6.81" polegadas
  • Resolução de 3200x1440, 515 ppp
  • Pico de brilho de 1500 nits
  • Taxa de atualização adaptativa até 120Hz
  • Taxa de resposta ao que de 480Hz
  • Proteção Gorilla Glass Victus (ecrã) e Gorilla Glass 5 (traseira)
  • Bateria de 4600mAh
  • Carregamento de 55W (com fios), 50W (sem fios) e 10 (inverso)
  • Câmara principal de 108MP f/1.85 e OIS (estabilização ótica de imagem
  • Câmara ultrawide de 13MP + câmara telemacro de 5MP
  • Câmara frontal de 20MP f/2.2
  • Sensor de impressões digitais no ecrã
  • Dual SIM e suporte para 5G
  • Wi-Fi 6 e Bluetooth 5.2
  • Altifalantes estéreo com com Harman Kardon e certificado Hi-Res
  • Suporte para HDR10+
  • Infravermelhos
  • Android 11, MIUI 12
  • Dimensões: 164.3x74.6x8.06mm
  • Peso: 196g
  • Disponível nas cores Midnight Gray e Horizon Blue

Para quem é o Xiaomi Mi 11?

É um smartphone para quem quer o melhor que a Xiaomi tem para oferecer nos mercados globais. Se procuras uma experiência de ecrã e som de topo, uma performance sem pestanejar e uma câmara competente, este é o smartphone para ti. Como disse, se a ausência de uma lente telefoto e de IP68 forem um problema, terás de te virar para outras paragens. Ainda assim, é provavelmente o melhor Android topo de gama (como Snapdragon 888) em qualidade-preço, sem esquecer todos os "essenciais" num smartphone.

Escolhas de design 8.5
Qualidade de construção 8.5
Ecrã 9,5
Performance / Desempenho 9.5
Interface / UI 8
Câmara 8
Bateria 8.5
Qualidade / Preço 9
Pontuação 8,7 - Recomendado pela 4gnews

O Xiaomi Mi 11 encontra-se disponível na Mi Store Portugal por 799,99 € na versão de 8GB/256GB que testámos. Agradecemos à Mi Store pela cedência do equipamento. Confere as fotografias e vídeos que capturei com o Mi 11 na qualidade original, e ainda as imagens que tirámos ao equipamento durante os testes.

Bruno Coelho
Bruno Coelho
O Nokia 3650 foi o primeiro grande mergulho no mundo tecnológico. Se o Football Manager e o cinema são dois dos seus escapes, o Macbook Pro é o melhor amigo. Escrever sobre tecnologia é o processo natural na vida de alguém que come especificações ao pequeno-almoço.