Não é todos os dias que temos oportunidade de visitar uma fábrica na qual são fabricados alguns dos telemóveis de que falamos todos os dias aqui no 4gnews e alguns dos quais até já testámos. Viajámos até à China a convite da Xiaomi como o primeiro meio de comunicação em Portugal a visitar a misteriosa fábrica inteligente da marca em Pequim.
Entrar numa instalação que demorou mais de 1000 dias a ser desenvolvida e que resultou num investimento de sensivelmente 292 milhões de euros é, por si só, uma experiência avassaladora. Para quem, como eu, já visitou outra fábrica de smartphones no passado, o que a Xiaomi construiu nas redondezas da capital da China está noutro nível. É uma fábrica inteligente e totalmente digital de 81 mil metros quadrados.
Onde a tecnologia ganha forma
A construção desta unidade arrancou em junho de 2021 e a produção em massa começou em fevereiro de 2024. Foi aqui que a Xiaomi produziu o seu atual topo de gama, o Xiaomi 15 Ultra, embora durante a nossa visita as máquinas estivessem focadas na série Redmi Note 15.
A escala é impressionante, principalmente quando temos em conta o nível de automação. É que a fábrica tem capacidade para entregar 10 milhões de smartphones de gama alta por ano. O dado mais incrível é a cadência de saída. Em média, um smartphone fica concluído a cada 6 segundos.
O cérebro digital da operação
A visita guiada começou perante o Xiaomi Hyper Intelligent Manufacturing System. Este sistema, desenvolvido integralmente pela marca, funciona como um cérebro central que mostra os dados de produção em tempo real. Num ecrã gigante, conseguimos ver desde o rendimento diário até à gestão de armazém e manutenção de equipamentos.
Através de um mapa 3D, a equipa monitoriza a operação dos veículos autónomos que circulam pela linha de produção do primeiro de três andares. Se houver algum dado fora do normal, o sistema dispara alertas imediatos para que os funcionários intervenham sem interromper o fluxo.
Engenharia modular e automação
Caminhámos por uma linha de montagem com cerca de 100 metros de comprimento. Um ponto de destaque é que mais de 4 000 unidades de equipamento nesta fábrica têm o logótipo da Mi, o que significa que foram desenvolvidas internamente. Com uma taxa de automação de 81%, a eficiência é a prioridade.
Vimos isto claramente na estação de teste de motherboards. Enquanto a geração anterior usava braços robóticos para testar 16 placas de cada vez, o novo sistema de gavetas consegue testar 40 placas em simultâneo. Outra vantagem competitiva é a modularidade. O design de plataforma e módulos permite que a reconfiguração da linha para um novo modelo seja feita em apenas 10 horas, quando o padrão da indústria costuma ser de uma semana.
O rigor do detalhe humano
Apesar de toda a tecnologia envolvida, o fator humano ainda é decisivo em processos de extrema precisão. Produzir um smartphone envolve mais de 200 etapas e algumas delas são feitas em cabines de limpeza especializadas. Vimos funcionários a trabalhar com microscópios apenas para garantir que não existe uma única partícula de pó nas lentes das câmaras, por exemplo.
A montagem da tampa traseira é outro exemplo que demonstra a minúcia levada a cabo na fábrica. Envolve testar a estanquidade (ou vedação), garantir a limpeza absoluta do interior, aplicar o adesivo em todo o contorno e, finalmente, realizar a prensagem. Antes de seguirem para a embalagem, os equipamentos passam por três rondas de testes funcionais e de envelhecimento, onde se simula o uso diário para garantir que tudo, desde o Wi-Fi aos sensores, funciona na perfeição.
Sair desta fábrica dá-nos uma perspetiva renovada sobre o dispositivo que transportamos diariamente. No teu caso, se for um dos novos Redmi Note 15 ou um Xiaomi 15 Ultra, por exemplo, é bem provável que já tenha sido produzido nesta fábrica. A automação, a digitalização e a inteligência artificial já não são promessas de futuro depois de vermos o que está a ser feito em espaços como este.
Embora o rigor da segurança não nos tenha permitido captar fotos ou fazer vídeos no interior, a marca partilhou connosco o material visual que permite ilustrar a nossa vista.
