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Usas o LinkedIn? Então tens de começar a ter cuidado

O LinkedIn pode estar a analisar as extensões instaladas no teu browser e há preocupações quanto à falta de transparência. O caso já ganhou o nome de “BrowserGate”

linkedin

O que está o LinkedIn a fazer, exatamente?

Cada vez que abres o LinkedIn num browser como Chrome, Edge, Brave, Opera ou Arc, um código em JavaScript analisa o ambiente do teu browser a procura de extensões instaladas.

Esse processo permite recolher dados do dispositivo, como o estado da bateria, a resolução do ecrã e o fuso horário, encriptar essa informação e associá-la aos pedidos feitos durante a sessão.

De acordo com uma investigação da Fairlinked e.V., uma associação de utilizadores comerciais do LinkedIn, e confirmada de forma independente pelo BleepingComputer, a plataforma injeta um script em JavaScript em cada carregamento de página que consegue detetar até 6.236 extensões do Chrome instaladas nos browsers dos utilizadores.

Porque é que isto é diferente da recolha de dados habitual?

Como o LinkedIn sabe onde cada utilizador trabalha, estes registos individuais podem ser agregados em perfis de inteligência corporativa detalhados, revelando que ferramentas de software as empresas utilizam, sem o seu conhecimento ou consentimento.

Segundo o relatório BrowserGate, o LinkedIn analisa extensões que podem revelar religião, orientação política, neuro divergência e até se estás à procura de emprego, tudo na mesma plataforma onde o teu empregador pode ver o teu perfil.

Sob o RGPD europeu, processar estas categorias de dados normalmente requer consentimento explícito do utilizador, algo que o LinkedIn não obtém, porque nem sequer divulga a prática.

O que diz o LinkedIn?

O LinkedIn não nega que deteta determinadas extensões de browser, tendo dito ao BleepingComputer que essa informação é usada para proteger a plataforma e os seus utilizadores.

No entanto, a empresa afirma que o relatório foi criado por alguém cuja conta foi restringida por scraping e por violar os termos de utilização do LinkedIn.

O LinkedIn rejeita as acusações e afirma que “as alegações feitas no site são simplesmente falsas”, indicando que o autor violou os termos de serviço, incluindo práticas de scraping que levaram à restrição da conta.

A empresa explica que a deteção de extensões faz parte das suas medidas de segurança, permitindo identificar ferramentas que recolhem dados sem consentimento e proteger a estabilidade da plataforma.

Segundo a própria, essa identificação é feita através de sinais técnicos deixados pelas extensões no browser, como ficheiros acessíveis nas páginas. Estes sinais permitem perceber se estão instaladas e ajudam a detetar comportamentos fora do normal, como acessos a grandes volumes de dados.

Garante ainda que esta informação não é usada para inferir dados sensíveis e acrescenta que o caso chegou a tribunal na Alemanha, mas a ação foi rejeitada, com o tribunal a considerar as acusações sem fundamento.

❖ LinkedIn

Há um detalhe importante: o autor do BrowserGate tem uma extensão própria chamada “Teamfluence”, que foi restringida pelo LinkedIn por violar os termos de serviço, e um tribunal alemão rejeitou a sua queixa contra a plataforma.

A escala do problema está a crescer

Em 2025, o LinkedIn verificava cerca de 2.000 extensões. Dois meses depois eram 3.000. A lista conta agora com 6.236 extensões e continua a crescer.

Se tens extensões maliciosas instaladas no teu browser, o problema já é grave. Mas este caso é diferente: não é malware de terceiros, é a própria plataforma a fazer a recolha.

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Miguel Vieira
Miguel Vieira
Redator no 4gnews com formação em Programação e Multimédia. Cobre tecnologia, gaming e mobilidade elétrica, com presença em eventos como a Web Summit, Lisboa Games Week, ECarShow e SAHE.