Telegram responde a acusações que pedem remoção da App Store

Rui Bacelar
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A Telegram afirma que durante a última semana removeu centenas de publicações com incitações públicas à violência nos Estados Unidos da América. A resposta da rival da WhatsApp vem no seguimento do processo judicial que coloca a Apple no banco dos réus por não ter removido a plataforma da App Store, a loja oficial de aplicações para dispositivos iOS como o iPhone.

A resposta de Pavel Durov, fundador e responsável máximo da Telegram dirige-se assim às críticas da Coalition for a Safer Web que acusam a plataforma de não moderar e permitir que todo o tipo de discurso extremista grasse na plataforma de origem russa.

Pavel Durov vem a público defender a Telegram

Public calls to violence have no place on Telegram https://t.co/X96QXG5Svl

— Pavel Durov (@durov) 18 de janeiro de 2021

Durov garante que a sua plataforma faz cumprir os respetivos Termos de Serviço e que, para tal, têm procedido à remoção de centenas de incitações públicas à violência. A publicação de Durov foi feita no seu canal de Telegram e partilhada nas redes sociais.

"A Telegram acolhe o debate pacífico e o protesto, mas os nossos Termos de Serviço proíbem explicitamente as incitações à violência", escreveu o homem forte da Telegram. "Movimentos de Direitos Humanos de todo o mundo usam diariamente a Telegram para defender os direitos humanos sem recorrer à violência.", acrescenta o fundador da rival do WhatsApp.

As salas e chat encriptado na Telegram

Por outro lado, as declarações de Durov omitem a função de chat encriptado disponível na plataforma. Função esta que protege as conversas de qualquer acesso por parte de terceiros, inibindo assim os mecanismos de moderação de conteúdo.

Note-se que apesar de a Telegram moderar as publicações nas salas públicas, continua a resistir às pressões externas que pretendem ver também os chats encriptados submetidos ao escrutínio da empresa, além de acessíveis às forças de autoridade.

A temática ganhou novo destaque após os motins que assolaram o Capitólio, o coração da democracia norte-americana, apontando-se os dedos acusadores para grupos extremistas, pro-Trump. Perante a onda de violência registada, plataformas como a Parler sofreriam o âmago das represálias da Google, Apple e Amazon. Até ao momento, a Telegram permanece incólume.

Atualmente fazem-se ouvir diversas vozes que advogam uma diminuição das proteções à privacidade para serviços de chat encriptados.

Durov reconhece o aumento da violência na Telegram

Telegram

O homem forte da plataforma afirma que viu este mesmo aumento de ameaças violentas em diversos serviços a operar nos Estados Unidos da América, não sendo um fenómeno exclusivo da Telegram.

"No início de janeiro a equipa de moderação na Telegram começou a receber um aumento de casos a apontar atividades violentas e coordenação de ataques através da nossa plataforma", aponta Durov.

A equipa de moderação terá retirado as publicações que iam contra os Termos de Utilização do serviço. "Graças aos seus esforços (equipa de moderação) centenas de publicações e incitações públicas à violência foram removidas.", frisa Durov.

A Telegram recebeu um incrível número de utilizadores em apenas três dias, fruto da desastrosa decisão do WhatsApp em atualizar a sua Política de Privacidade. Apesar de já ter adiado a sua entrada em vigor para 15 de maio, o WhatsApp continua a perder utilizadores para a Signal, Telegram, e outras das melhores alternativas.

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Rui Bacelar
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