Como seriam os smartphones se o Apple iPhone não tivesse existido?

Pedro Henrique
Apple iPhone 8 Plus Apple iPhone X Smartphones
O primeiro Apple iPhone foi o pontapé de saída para os atuais smartphones...

Há uma semana foi revelado oficialmente o Apple iPhone X, para além de mais dois smartphones da Apple, o 8 e o 8 Plus. De facto, o mercado mobile nunca mais foi o mesmo desde que Steve Jobs anunciou o primeiro smartphone da empresa de Cupertino.

Contudo, o que poderia ter acontecido se esse não tivesse sido lançado? Será que a Internet seria o que é hoje? Provavelmente não. E argumentarei a seguir o porquê dessa probabilidade com base em dados estatísticos do mercado mobile, pré-iPhone.

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Em primeiro lugar, foquemo-nos no estado dos mercados mundiais, em termos de vendas de telemóveis com base no seu sistema operativo. Havia claramente uma hegemonia do Symbian em todos as Regiões Continentais à exceção de uma, e apenas uma. Fácil.

  • Europa, Médio Oriente e África, a par do Japão, da América Latina e toda a Ásia (com exceção da China) eram dominados, em mais de 90%, pelo Symbian da Nokia;
  • A China por sua vez, registava uma fragmentação mais relevante, com o Symbian a ter "somente" quase 60% de market share;
  • A América do Norte, por sua vez, como teria de ser, mostrava que o Symbian teria de se consumar com a partilha desse território - do qual só detinha 30% de market share em 2004 - com outros softwares, tais como o PalmOS (40%) e o Windows Mobile (20%).

Só daí, se poderia perceber que o Symbian tinha tudo, num curto prazo, para se assumir como o software dos smartphones, dado que era líder do mercado mobile. No entanto, havia um concorrente bastante forte que a Nokia teria de enfrentar. O seu nome era Microsoft, imagine-se.

A empresa de Redmond tinha um potencial de crescimento, neste mercado, bem generoso. Pelo menos era isso que algumas estatísticas mostravam. Mais, em 2010, de acordo com essas estimações, seria o software mobile mais usado do mundo, com cerca de 30% de market share nessa altura.

Ora, não foi isso que aconteceu, mas já lá vamos. Por último, depois de Symbian e Windows Mobile, surgia um outro concorrente muito feroz, prestes a dominar um mercado adormecido, onde a novidade era uma aposta tentadora.

BlackBerry. A BlackBerry depressa ganhou um lugar nos corações dos norte-americanos (principalmente), mas nem isso tirava o sono à Nokia e aos seus telemóveis com Symbian que, como é óbvio, dominavam no resto do mundo, da forma mais natural possível.

Afinal, como seria o mundo da tecnologia móvel sem Apple iPhone?

Por isso, recapitulemos. Symbian, Windows Mobile, BlackBerry. O primeiro era o sistema operativo de sempre. Não era muito difícil de usar, também não era muito simples. Era o que tinha de ser. Não mudava porque não precisava, ou pelo menos foi isso que muitos pensavam. Afinal, "em equipa que ganha não se mexe".

Em segundo, Windows Mobile. Este sistema operativo era o sonho tornado realidade, ou quase. Quase, bem longe. O objetivo era tornar o PC num dispositivo tão pequeno quanto possível. Falhanço. Tantos anos mais tarde e isso ainda não é totalmente possível, de todo.

Em terceiro lugar, uma empresa diferente sim, com um software e forma de pensar distintos. Contudo, o seu produto baseava-se em algo que contrariava, a nível de hardware, a evolução tecnológica. Claro, o seu teclado. É prático? Sim, para aquela altura talvez, hoje também. Mas limitativo, muito, a nível evolutivo.

Porquê? Steve Jobs disse-o na apresentação do Apple iPhone: ninguém quer um teclado de plástico! Ele será sempre o mesmo, terá sempre as mesmas teclas, mas as aplicações ou situações que surgirão ao utilizar o smartphone serão tão distintas que não fará sentido estarem sujeitas a um QWERTY plastificado e sólido.

O Apple iPhone que Steve Jobs apresentou marcou o início dos smartphones...

E então, onde é que entra aqui a questão inicial: como seria a tecnologia de hoje se não tivesse sido apresentado o primeiro iPhone por Steve Jobs em 2007, ou em qualquer outra altura?

Muito, mas muito diferente. Provavelmente, a Microsoft era líder num setor que nunca se conseguiu afirmar. Também seria, talvez, a mais valiosa marca do mundo, em vez de estar no terceiro lugar, como afirma a Forbes.

A Google onde estaria? Bem, teria igualmente a mesma dimensão e, como é claro, teria apostado fortemente num sistema operativo tal como veio a acontecer. A Nokia não teria atravessado um deserto e a BlackBerry poderia ser a marca do smartphone do próximo James Bond.

Ou seja, se o Apple iPhone X, 8 Plus, 8 e restantes não tivessem existido, então, quem sabe, os teclados plásticos no bolso de cada um ainda seriam parte do nosso dia-a-dia e as aplicações como as conhecemos não seriam o que são.

Se o Facebook, ou o Twitter, fossem menos apelativos ao uso nos smartphones que nos PCs, então talvez não tivessem atingido as dimensões que todos conhecemos. E o mesmo se aplica ao YouTube.

As redes sociais poderiam ser muito diferentes sem o Apple iPhone de Steve Jobs...

O primeiro iPhone tinha 3,5 polegadas de ecrã, só ecrã. Um BlackBerry (ou outro qualquer equipamento), com um teclado físico, nunca poderia ter um ecrã assim tão grande sem que sacrificasse a sua ergonomia.

Ainda bem que o iPhone original foi lançado. 10 anos depois poderás estar a ler este artigo no teu smartphone enquanto estás sentado, deitado, de pé, em casa, na rua ou noutro sítio qualquer. O site em si, da 4gnews e na sua maioria no mundo inteiro, tornaram-se adaptáveis ao modo mobile e, de seguida, poderás partilhar o artigo se assim achasses interessante, tudo num único dispositivo.

Tudo, de uma forma facílima. Algo que só devido ao iPhone que Steve criou, em conjunto com a sua equipa, possibilitou. Podem parecer palavras de fanboy, eu sei.

No entanto, não olhes para isso dessa forma. Pensa apenas nas alternativas que poderias adquirir, num exercício imaginativo, no mesmo dia que o iPhone original foi lançado. Depois de fazeres a tua lista, onde terás de excetuar o Apple iPhone, pensa como teria evoluído esse equipamento e o seu software com o passar dos anos.

Aquele era um equipamento futurista, um equipamento atual. Veremos quem será a próxima Apple e o novo Steve Jobs. Estaremos cá para assistir a tudo isso, de bom grado. Até lá!

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