Signal e Telegram 'sofrem' com o êxodo do WhatsApp

Rui Bacelar
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O Signal e Telegram registaram um imprevisto afluxo de novos utilizadores "fartos" da plataforma dominante, o WhatsApp. Apesar de a empresa do grupo Facebook já ter feito saber que não aplicará as mudanças anunciadas até maio próximo, o estrago está feito.

Por outro lado, as plataformas rivais usufruem assim de uma vaga redobrada de bonança que, tal como a 4gnews noticiou ontem, superou a capacidade dos servidores do Signal, deixando o serviço inoperacional durante várias horas até à madrugada de hoje (16).

A Signal continua a debater-se com o êxodo do WhatsApp

We are still working as quickly as possible to bring additional capacity online to handle peak traffic levels.

— Signal (@signalapp) 16 de janeiro de 2021

Caso estejam a tentar usar os serviços da Signal e não consigam não há nada de errado com o vosso dispositivo móvel. A plataforma continua a debater-se com dificuldades em acomodar o êxodo de utilizadores do WhatsApp que migraram para este serviço.

Após a primeira exposição na 4gnews, a problemática manteve-se até à madrugada de hoje (16), com a empresa a recorrer ao Twitter para assegurar os utilizadores. "Continuamos a trabalhar o mais depressa possível para trazer mais capacidade aos servidores e gerir os picos de tráfego", assim se lê numa das mais recentes publicações na rede social.

Perante o exposto vários utilizadores da plataforma expressaram a sua gratitude perante os serviços da empresa. Alguns, como evidencia o seguinte tweet, foram mais longe ao apoiar financeiramente a Signal.

My donation pic.twitter.com/y8Lf8WMP62

— ℜaghunath (@TheRaghunathD) 16 de janeiro de 2021

O apoio espontâneo que se fez sentir junto da Signal indica que um número crescente de utilizadores descontentes com as práticas de outras plataformas, nomeadamente o WhatsApp. O serviço dominante, apesar de ter recuado na implementação dos novos Termos, debate-se com dificuldades ao tentar reconquistar a confiança do público.

A Telegram congratula-se com o fiasco do WhatsApp

Telegram surpassed 500 million active users. 25 million new users joined in the last 72 hours: 38% came from Asia, 27% from Europe, 21% from Latin America and 8% from MENA. https://t.co/1LptHZb9PQ

— Telegram Messenger (@telegram) 12 de janeiro de 2021

Com mais de 500 milhões de utilizadores ativos, mais de 25 milhões de novos utilizadores agregados em três dias e mais a cada hora que passa, a Telegram é uma das melhores alternativas ao WhatsApp. No entanto, também a Telegram sente a pressão "extra" com o súbito afluxo de novos utilizadores descontentes com a plataforma dominante e decididos a encontrar uma nova solução.

Adicionalmente, a Telegram recebeu uma forte migração de antigos utilizadores da plataforma Parler. A rede social sem moderação que acolhia grupos de extrema-direita, recentemente removida da Play Store, App Store, tendo inclusive os seus servidores desativados pela Amazon Web Services.

Há novos desafios para as plataformas de comunicação online

Como resultado, também a Telegram se debate agora com novos canais e sobretudo utilizadores que podem tirar proveito dos seus serviços para prosseguir fins opostos aos princípios democráticos de um Estado de Direito.

NEW: Telegram - the messaging app that's exploded in popularity in the wake of the Parler shutdown - began shutting down public domestic extremist/white supremacist groups for the first time yesterday, according to researchersStory w/ @SVR13 https://t.co/KiWtVKHiR2

— Hannah Murphy (@MsHannahMurphy) 14 de janeiro de 2021

Há, portanto, novos desafios a serem enfrentados por ambas as alternativas ao WhatsApp. O primeiro, de fácil solução, consiste no reforço dos servidores para evitar que o serviço fique indisponível durante os picos de utilização.

O segundo, mais sensível, apelará ao bom-senso e boa-fé dos utilizadores, e principalmente aos mecanismos de moderação das plataformas online. Esta temática tem despertado críticas junto da Comissão Europeia.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. É na tecnologia que encontrou o seu expoente máximo e na 4gnews a plataforma ideal para a redação e produção de vídeo.