Quão segura é a nova tecnologia de carga da Xiaomi e Motorola?

Rui Bacelar
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A tecnologia Xiaomi Mi Air Charge foi um dos destaques tecnológicos da semana passada com a Xiaomi a surpreender o mundo com a nova forma de carregamento através do ar. Sim, a possibilidade de carregar a bateria ao circular, por exemplo, pela casa.

Ao mesmo tempo, também a Motorola, fabricante detida pela Lenovo, revelou um conceito similar. Em ambos os casos surgiriam várias questões relativamente à segurança e potencial impacto na saúde humana destas cargas elétricas a "viajar" pelo ar.

A tecnologia de carregamento revolucionária da Xiaomi e Motorola

Revolutionizing the current wireless charging methods, #MiAirCharge Technology charges your devices remotely, without cables and charging stands. Let's see it in action! #InnovationForEveryone pic.twitter.com/9bD0Awul4s

— Xiaomi (@Xiaomi) 29 de janeiro de 2021

Nenhuma das fabricantes se debruçou sobre as preocupações de saúde expressadas pelos utilizadores ao conhecerem este método de carregamento à distância e, até ao momento, existe muito pouco que possamos avançar nesse sentido. No entanto, existem algumas pistas que podemos divulgar, presentes na documentação técnicas divulgada então pela Xiaomi e pela Motorola.

Em primeiro lugar, apesar de similares na sua premissa - carregar o smartphone através do ar, sem carregadores (sem-fios), ou qualquer tipo de acessório, as tecnologias da Motorola e da Xiaomi têm diferenças ao nível prático.

A primeira, da Motorola, assenta no padrão Qi, ao passo que a Xiaomi desenvolve a própria tecnologia e arquitetura para possibilitar esta comodidade.

Segundo várias fontes asiáticas, a Xiaomi usa uma matriz de antenas para detetar a presença de equipamentos na área, não muito distinto do conceito de mesh Wi-Fipara detetar dispositivos e os carregar a 5 W

A tecnologia Mi Air Charge da Xiaomi

Ao "sentir" que um smartphone está nas suas imediações, o sistema de antenas da Xiaomi envia ondas milimétricas carregadas de eletricidade até aos dispositivos móveis. Estes, no que lhes concerne, são capazes de receber e armazenar essa energia recebida através de uma nova rede de antenas incorporadas, uma nova arquitetura de antenas tanto no emissor, como no recetor.

A tecnologia da Xiaomi implica várias antenas (emissoras) espalhadas pela casa para poder carregar um, ou vários, dispositivos móveis em simultâneo. A velocidade / potência de carregamento anunciado é de 5 W.

A Motorola usa o padrão Qi para enviar eletricidade pelo ar

A Motorola, detida pela Lenovo, aposta em algo diferente. Trata-se de uma derivação do padrão Qi, atualmente usado para o carregamento sem-fios por indução magnética. Algo perfeitamente comum, presente nos iPhone e tantos outros telefones.

A particularidade da tecnologia da Motorola e Lenovo assenta na possibilidade de carregar um dispositivo até uma distância máxima de 80 centímetros a 1 metro. Já a Xiaomi não especificou a distância ou raio de eficácia do seu carregamento através do ar.

Por outro lado, tal como a Xiaomi, também a Motorola assegura um carregamento a 5 W, um padrão lento, mas cuja potência está longe de ser capaz de provocar danos em tecidos biológicos. Por outras palavras, é um padrão seguro para o ser humano.

Dito isto, a tecnologia continuará a ser estudada com o intuito de apurar possíveis consequências até aqui desconhecidas.

Ambas as empresas afirmam que a tecnologia é segura

Xiaomi
Representação esquemática da antena emissora, feixes e dispositivos a carregar.

A Lenovo afirma ainda que, caso o sistema deteta alguma mão, ou qualquer parte do corpo no percurso dos feixes carregados de energia, o sistema entrará imediatamente em suspensão. Na prática, ao detetar obstáculos a carga será interrompida.

Por outro lado, tanto a Xiaomi como a Lenovo afirmam que a presença de outros obstáculos físicos não deverá afetar a velocidade de carregamento e transferência de energia.

Relembramos, por fim, que ambos os sistemas estão em fase de desenvolvimento. São duas tecnologias promissoras, mas ainda em fase embrionária e, como tal, carecendo de maior estudo e controlo.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
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