
Imagina um carro que não segue apenas regras programadas. Um carro que percebe quando o condutor está cansado, que identifica um risco antes de este se tornar um acidente, e que se adapta ao ambiente como um humano faria. É isso que o BERTHA Project quer tornar possível e Portugal está mesmo no meio desta iniciativa europeia.
A FI Group by EPSA Portugal integra o BERTHA Project, um consórcio com 14 parceiros de seis países financiado com 7,9 milhões de euros pelo Horizon Europe. O projeto é coordenado pelo Instituto de Biomecânica de Valência.
No centro do trabalho está o Driver Behavioural Model, um modelo computacional que tenta reproduzir decisões humanas ao volante e melhorar os atuais sistemas de assistência à condução.
Já há testes em carros reais
O projeto não ficou apenas no papel. Quatro dos módulos centrais foram já validados com sucesso em veículos reais, incluindo um Toyota Corolla e um Nissan Leaf. E o que é ainda mais relevante: estão agora disponíveis em formato open source, abertos a empresas e centros de investigação em toda a Europa.
A ideia é simples e poderosa. Ao partilhar este trabalho, outros investigadores e fabricantes podem construir sobre o que já foi feito, poupando tempo e dinheiro no desenvolvimento de soluções de assistência à condução mais seguras. Num setor em que a Toyota já trabalha com a Nvidia e a Tesla enfrenta questões sérias com o seu sistema Full Self-Driving, ter dados e modelos abertos pode ser uma vantagem decisiva para a Europa.
O papel de Portugal
A empresa lidera as atividades de comunicação, difusão e exploração de resultados, ligando os parceiros técnicos ao ecossistema europeu de inovação. Participou também na candidatura ao Horizon Europe, ajudando a definir uma proposta alinhada com as prioridades da UE para a mobilidade automatizada.
Não é o único sinal de que Portugal está a posicionar-se nesta área. A NOS já demonstrou o potencial do 5G na condução autónoma em Aveiro, com um carro a travar sozinho em resposta a um obstáculo detetado pela rede. Este é mais um sinal de que Portugal está a afirmar-se na área da condução autónoma na Europa.
