Portugal: 16% dos inquiridos concorda com a perseguição digital ao companheiro

Rui Bacelar
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O mais recente estudo "The State of Stalkerware in 2021" vem dar-nos algumas métricas sobre o comportamento digital dos portugueses. Mais concretamente, em Portugal, 16% dos inquiridos concorda com a perseguição digital ao companheiro. Em simultâneo, cerca de 15% dos inquiridos acredita já ter sido alvo destes abusos.

Em causa está o Stalkerware - software que permite espiar a vida privada de outra pessoa através de um dispositivo inteligente. O fenómeno já afetou mais de 32 000 pessoas em todo o mundo no ano passado. Com efeito, junto de outras tecnologias, o stalkerware é frequentemente utilizado em relações abusivas.

Ligação direta entre a violência online e offline

"There's a growing rate of smart devices used in intimate partner violence. While stalkerware is common, there are many other tools for tech abuse." - Toby Shulruff, NNEDV Tech Safety Project ManagerVia @kaspersky's The State of Stalkerware in 2021: https://t.co/rFRGEZfB9k

— NNEDV (@nnedv) 12 de abril de 2022

Em causa estão os dados citados no relatório da Kaspersky que identificou uma ligação direta entre a violência online e violência offline. Assim, tornando ainda mais essencial abordar este problema de forma holística.

O relatório "The State of Stalkerware in 2021" analisa a utilização de stalkerware a nível mundial, com o objetivo de melhor compreender a ameaça que representa. Também fornece uma análise mais ampla do fenómeno do stalkerware e do abuso de tecnologia. Assim como aconselhamento para organizações sem fins lucrativos e potenciais vítimas.

Houve uma diminuição significativa dos utilizadores afetados a nível mundial

Kaspersky
Crédito: divulgação Kaspersky

Embora tenham testemunhado uma diminuição significativa dos utilizadores afetados a nível mundial. Isto em comparação com os dados recolhidos pela Kaspersky desde 2018, e uma redução de 39% em relação aos números de 2020, há ainda trabalho a ser feito. Tal como refere a própria empresa, é "importante notar que estas estatísticas representam apenas a ponta do iceberg."

Aliás, segundo uma estimativa aproximada da Coalition against Stalkerware, a utilização desta tecnologia poderia aproximar-se de um milhão de casos por ano em todo o mundo.

Portando, ao comparar estes dados com os resultados do inquérito de perseguição digital, é fácil ver uma ligação entre a violência online e offline.

15% dos inquiridos em Portugal, acredita que já foi alvo destes abusos

Em Portugal, 16% dos inquiridos concorda com a perseguição digital ao companheiro. Já cerca de 15% dos inquiridos em Portugal, acredita que já foi alvo destes abusos. A mesma correlação foi também encontrada na maioria dos países onde o inquérito foi realizado.

Importa ainfa frisar que duas organizações sem fins lucrativos que também participaram no relatório e partilharam a sua experiência com as vítimas. Mais concretamente, a NNEDV (National Network to End Domestic Violence) baseada nos EUA e a WWP EN (Working with Perpetrators of Domestic Violence in Europe). Ambas confirmam que o abuso através da tecnologia é um problema crescente.

Os stalkers continuam a afetar muitas vítimas em todo o mundo. O relatório identificou utilizadores afetados em mais de 185 países e territórios. Aqui sendo a Rússia, o Brasil, os Estados Unidos e a Índia novamente os quatro países com o maior número de utilizadores únicos identificados.

Por fim, esta edição do relatório sobre o Estado do Stalkerware fornece também uma visão geral dos países mais afetados a nível regional. Integra estatísticas para a América do Norte, América Latina, Europa, Médio Oriente e África, Europa Oriental. Aqui excluindo países da UE, Rússia e Ásia Central, e a região da Ásia-Pacífico.

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Rui Bacelar
Rui Bacelar
Na escrita e comunicação repousa o gosto, nas leis a formação. Ocupa-se com as novidades de tecnologia na 4gnews. Email: ruifbacelar@gmail.com