
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Autonomia | Até 620 km (WLTP) |
| Potência | 200 kW / 272 cv (Single Motor) |
| Aceleração | 0-100 km/h em 7,1 segundos |
| Carregamento | 10-80% em 30 minutos (pico de 200 kW) |
| Sistema operativo | Android Automotive (Apple CarPlay disponível) |
Introdução
A Polestar já não é uma estranha nas nossas estradas. Depois de termos colocado à prova a autonomia da marca numa viagem entre Lisboa e Faro com o Polestar 2, chegou a vez de testarmos o membro mais recente e polémico da família: o Polestar 4. Posicionado entre o 2 e o 3 (sim, a numeração da Polestar não segue o tamanho, mas a ordem de lançamento), este é um SUV coupé 100% elétrico que decidiu abdicar de algo que damos por garantido há mais de um século: o vidro traseiro.
Tivemos oportunidade de passar uma semana ao volante da versão Long range Single motor. O preço base deste modelo ronda os 64 900 €, o que o coloca num patamar exigente. No entanto, a marca tem uma campanha ativa até 28 de fevereiro que baixa o valor para uns muito competitivos 52 600 €. Fizemos as malas, carregámos a bateria e fomos até à "terrinha", misturando muita autoestrada com algumas voltinhas urbanas, para perceber se este carro é apenas "estilo" ou se tem substância.

A nossa opinião
Design e construção
O Polestar 4 é um "vira-cabeças". O design é minimalista, futurista e aerodinâmico. Não é à toa que tive alguns olhares indiscretos durante os testes e mais que uma pessoa a perguntar-me de que marca era este carro. A silhueta de coupé desportivo é elegante, mas a ausência do vidro traseiro é o que gera conversa em qualquer paragem.

A marca sueca (com engenharia partilhada com a Geely) afirma que isto permite estender a estrutura do tejadilho para trás, garantindo mais espaço em altura para os passageiros traseiros sem comprometer a aerodinâmica. Não sou propriamente fã e as limitações notam-se mais à noite, com algum embaciamento da câmara à mistura. Mas nada de problemático na maioria das ocasiões.

O interior é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes. A qualidade de construção é irrepreensível, com materiais de topo que gritam "premium" sem serem ostensivos. Nem se esperava outra coisa por este preço. O espaço no banco de trás é também digo de registo e acaba por beneficiar da tal ausência de vidro que permitiu recuar a estrutura. Os bancos são poltronas autênticas, ideais para viagens longas.

Tecnologia e infotainment
Aqui a Polestar joga em casa. O sistema de infoentretenimento corre Android Automotive nativo. Isto significa que tens o Google Maps, Google Assistant e Spotify integrados diretamente no carro, sem precisares do telemóvel. É fluido, intuitivo e, na minha opinião, continua a ser o melhor sistema do mercado.

Embora não seja um grande problema com este sistema, sentimos a falta de Android Auto neste modelo, que ainda não está disponível na versão de teste. O que grande problema, no entanto, está na talvez simplificação excessiva. Existem poucos botões físicos. Queres ajustar os espelhos laterais? Ecrã. Queres mudar a direção das saídas de ar? Ecrã. Queres ligar o ar condicionado ou desembaciar os vidros? Ecrã. Embora a interface seja limpa, obriga a desviar o olhar da estrada mais vezes do que gostaríamos.
E o espelho retrovisor? É um ecrã de alta definição ligado a uma câmara no tejadilho. A visibilidade é superior à de um espelho tradicional (sem barreiras a estorvar), mas os teus olhos demoram uma fração de segundo a reajustar o foco de "longe" (estrada) para "perto" (ecrã), algo que não acontece com um espelho de vidro. Requer habituação, especialmente à noite ou com chuva onde sofre mais como dissemos acima, embora a câmara tenha boa definição.

Desempenho e experiência de condução
Testámos a versão Single Motor (tração traseira) com 272 cv e 343 Nm de binário. Será pouco para um carro deste tamanho? Honestamente, não. A aceleração 0 aos 100 km/h cumpre-se em 7,1 segundos, o que é mais do que suficiente para ultrapassagens seguras e uma condução despachada. O carro sente-se estável e seguro, disfarçando bem o peso das baterias.
Na viagem até à "terrinha", o Polestar 4 revelou-se um estradista nato. A insonorização é boa e a suspensão filtra bem as irregularidades, mesmo não tendo a suspensão pneumática da versão Dual Motor. Em cidade, a conversa é outra. É um carro largo e comprido. Em ruas estreitas ou parques de estacionamento subterrâneos antigos, não há como não ter uns suores frios. As câmaras 360º ajudam, mas não diminuem as dimensões físicas do veículo.

Bateria, autonomia e carregamento
A bateria de grande capacidade promete 620 km WLTP. No mundo real, com muita autoestrada à mistura e ar condicionado ligado, podes contar realisticamente com valores entre os 350 e os 400 km, o que continua a ser muito bom. Numa condução mista e cuidada em cidade, aproximas-te mais dos valores anunciados.
O carregamento é outro ponto positivo. A arquitetura elétrica permite carregar dos 10% aos 80% em cerca de 30 minutos em postos rápidos (até 200 kW), o que torna as viagens longas perfeitamente viáveis com paragens curtas para café. Em postos públicos, deves procurar carregadores que se adequem à velocidade carregamento do teu veículo, o que nem sempre é possível.

Espaço e praticidade na vida real
A bagageira é generosa com 526 litros (que se transformam em 1536 com bancos rebatidos) e o acesso é facilitado pela porta elétrica acessível com um simples botão. É uma bagageira preparada para grandes viagens, com bastante espaço disponível. Há também um pequeno "frunk" (bagageira dianteira) útil para guardar os cabos de carregamento, e que acaba por libertar espaço na mala principal.

No entanto, a vida a bordo é dominada pela sensação de "casulo". A ausência de vidro traseiro, combinada com o teto de vidro panorâmico (que se estende até atrás da cabeça dos passageiros traseiros), cria uma atmosfera que devemos assinalar. Mas é sempre estranho para quem está habituado a olhar para trás para ver a estrada ou para ver como estão as crianças nos bancos traseiros.

Para quem é (e não é) o Polestar 4
Este carro é para ti se valorizas o design, a tecnologia e o conforto de condução acima da performance pura de arranque. É ideal para quem quer um elétrico diferente do habitual Tesla Model Y, com um acabamento superior.
Não é para ti se tens uma garagem apertada, se fazes muita condução em centros históricos com ruas estreitas ou se és um purista que não consegue abdicar do espelho retrovisor tradicional e de botões físicos para o ar condicionado.

Conclusão
O Polestar 4 mostra toda a ousadia da marca. Ao abdicar do vidro traseiro, ganha em habitabilidade e design, perdendo na curva de aprendizagem do condutor a habituar-se a esse facto.
Com o preço promocional de 52 600 €, deixa de ser apenas uma escolha emocional para se tornar numa das opções mais interessante neste segmento premium elétrico. Se conseguires viver com o espelho digital e poucos botões, tens aqui um dos melhores elétricos que o dinheiro pode comprar em 2026.
Sabe mais sobre o Polestar 4 no site oficial da Polestar
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