Está na altura de reflectir um pouco sobre a OnePlus e o rumo das suas recentes decisões/estratégias. A jovem marca chinesa sentiu que estava na altura de apresentar um novo equipamento ao mundo, um novo topo de gama, um novo flagship. O seu valor é inquestionável, as suas especificações são arrebatadoras, o preço extremamente cativante e a nível de performance está ao nível dos melhores, senão mesmo acima de gigantes como o Google Pixel, entre outros. Contudo, será que este OnePlus 3T trará fortuna ou desgraça para esta empresa?

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Afinal de contas o que é que este OnePlus 3T tem para oferecer? Uma bateria de 3400mAh que carrega completamente (0-100%) em 90 minutos, processador Snapdragon 821 (quad-core a 2.35Ghz), 6GB de memória RAM, câmara traseira e frontal de 16MP, construção em alumínio, leitor de impressões digitais, Android 7.0 Nougat e porta USB do Tipo C. Tudo isto por 439€ na variante com 64GB de armazenamento ou 479€ na versão mais cara, com 128GB de memória.

   

A Revolta

Agora que já sabemos quais são as armas e as novidades do novo topo de gama da OnePlus...porque é que temos um novo topo de gama? Qual a necessidade? Qual a urgência em conceber, produzir e comercializar um novo flagship passados escassos meses sobre o lançamento do OnePlus 3?

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O novo OnePlus 3T

Caro leitor, se porventura tem um OnePlus 3 diga-me quais são as suas queixas do dispositivo? A bateria só dura para um dia? Aí confirmo e concordo, o OnePlus 3 deixa algo a desejar na sua autonomia mas será isso motivo suficiente para terem lançado o OnePlus 3T?

Caro leitor, a performance do seu OnePlus 3 já o desiludiu em alguma situação? Duvido muito que tal tenha acontecido, aliás...eu comprei um para a minha cara metade e com toda a utilização despreocupada durante estes meses nunca, mas nunca, teve motivos de queixa ou frustrações com o seu smartphone. Então pergunto-me, havia necessidade de colocar um novo processador, o Snapdragon 821 face ao Snapdragon 820 do OP3?

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Caro leitor, a câmara fotográfica frontal do OnePlus 3 alguma vez o deixou ficar mal? Será que 8MP é uma resolução manifestamente baixa para a câmara de selfies? Precisa de 16MP para imprimir formatos como um póster das suas fotos em frente ao espelho ou das duckfaces? Pergunto-me se uma melhor câmara frontal é motivo para criar um novo smartphone. Ainda se melhorassem a câmara traseira, aí já compreenderia.

OnePlus 3T em dourado
OnePlus 3T em dourado

A (des)confiança

Uma marca, um topo de gama por ano, é assim tão difícil? Custa assim tanto respeitar as legítimas expectativas do consumidor? Serão assim tão autistas ao ponto de ignorar o exemplo dourado da Apple, a sério, façam um exercício de imaginação e pensem neste cenário. E se a Apple lançasse dois ou três topos de gama por ano, equipamentos extremamente semelhantes entre si e que indubitavelmente vão competir entre si. Pergunto-vos, estaria a Apple ainda no topo do mercado?

O ciclo de confiança é a chave do sucesso no mundo Mobile e aplica-se um pouco a todos os ramos de negócio. Uma nova marca apresenta o seu produto e, por muito bom que ele seja, tem que merecer a confiança do público e isto demora sempre alguns meses ou, regra geral, alguns anos. A OnePlus é um destes casos, surgiram do nada com o OnePlus One e começaram a conquistar o grande público com o OnePlus 2, um feito que foi cimentado com o OnePlus 3 e antes disso com o OnePlus X (durante alguns meses o melhor gama média que podias comprar).
De melhor smartphone de gama média até 300€ até se tornar numa das maiores desilusões em 2016, sendo apenas superada pela decisão da Apple em remover o jack de 3.5mm ou as portas USB 3.0 dos MacBook "Pro", ou do triste destino dos Galaxy Note 7, a OnePlus soube mostrar ao mundo o que não fazer. Precocemente cancelado, mesmo depois de ter sido unanimemente aclamado por toda a comunidade tecnológica o OnePlus X foi o primeiro sinal de que um período conturbado se aproximava.

Com a apresentação e lançamento do OnePlus 3 a minha confiança na marca voltou a sarar e levou-me a investir num dos seus equipamentos. Soubesse eu que após uns meros 6 meses este mesmo produto seria descontinuado não teria investido um cêntimo nesta marca chinesa. O OnePlus 3T ofendeu-me enquanto consumidor, traiu-me enquanto cliente. Os 399€ que investi foram guilhotinados e isto custa-me, mesmo sendo um autor dedicado ao mundo da tecnologia e sempre ávido por novidades.

Agarrando a oportunidade

Num esforço para tentar perceber a existência deste OnePlus 3T, cujo teor amador da sua apresentação não vou comentar, tenho matutado nas possíveis causas do seu lançamento e no total abandono do OnePlus 3 com a sua descontinuação e só consigo pensar na sedução que o vazio deixado pelo Galaxy Note 7 provocou nas demais construtoras Android.

Imaginem esta situação: estão a tentar estacionar a vossa viatura em pleno 23 de dezembro no shopping da zona. Escusado será dizer que os lugares estão lotados e pacientemente aguardam uma vaga, uma alma caridosa que vos dê o lugar. Até que do nada, um camião TIR é rebocado e surge uma oportunidade de ouro para que várias viaturas mais pequenas consigam o seu lugar ao sol. Até aí tudo bem mas a OnePlus agiu como aquele Smart que pode ficar sem os espelhos ou raspar a traseira toda mas vai estacionar à força, ignorando tudo e todos!
 Custa-me a crer que este tenha sido o único motivo para a existência do OnePlus 3T mas não consigo imaginar mais nenhum. Tampouco consigo recomendar a qualquer um de vocês que compre um OnePlus 3T. Pode ser um smartphone excelente e não lhe pretendo retirar valor mas não lhe consigo reconhecer mérito. Diz "Não" aos novos topos de gama de 6 em 6 meses, valoriza o teu investimento e escolhe uma marca que respeite os seus clientes.

Este assunto já foi amplamente debatido e noticiado pelos meus colegas mas não consegui ficar indiferente a este OnePlus 3T e ao que ele representa. Depois da Sony a minha confiança foi novamente traída com a OnePlus. De jovem promessa a desilusão em menos de 50 minutos. Parabéns!

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