
Portugal é o país da União Europeia onde mais famílias subscrevem pacotes de telecomunicações. Não é uma estimativa nem uma tendência: é o que os dados mais recentes da ANACOM confirmam.
87,1% das famílias portuguesas têm os seus serviços de TV, internet e telefone agrupados num pacote, o valor mais alto de toda a UE27.
Para quem paga a fatura todos os meses sem pensar muito no assunto, o número pode surpreender. Para as operadoras, é a confirmação de um modelo de negócio que em Portugal funciona melhor do que em qualquer outro país europeu.
Quase toda a gente tem TV paga, mas há quem não queira saber
O serviço com maior taxa de penetração nas famílias portuguesas em 2025 foi a televisão por subscrição, com 89,4%. Ou seja, quase nove em cada dez famílias pagam TV: um número impressionante para um serviço que, tecnicamente, é opcional.
No entanto, os dados revelam uma tensão crescente. Entre as famílias que não subscrevem TV paga, 33,9% dizem que os canais gratuitos chegam-lhes, 31,6% consideram o serviço demasiado caro e 19,4% simplesmente não têm tempo ou hábito de ver televisão.
O telefone fixo: está em casa, mas ninguém atende
Um dos dados mais curiosos do relatório é o do telefone fixo. Três em cada quatro famílias portuguesas ainda têm linha fixa em casa, o que coloca Portugal no terceiro lugar da UE27, atrás apenas da Grécia e de Malta. Mas mais de metade dessas famílias admite não o utilizar.
O motivo é simples e previsível: têm telemóvel. Para 77,8% das famílias sem telefone fixo, a razão para não o ter é precisamente essa.
A internet chegou a quase todos, mas ainda há quem nunca a tenha usado
Em 2025, 91,1% das famílias portuguesas têm acesso à internet, fixa ou móvel. É um número que continua a crescer, mas que ainda coloca Portugal no 24.º lugar do ranking da UE27, 3,7 pontos percentuais abaixo da média europeia.
Mais preocupante é o facto de 9,6% da população nunca ter utilizado internet. O principal motivo não é o custo, é a literacia digital: 41,4% das pessoas sem acesso dizem simplesmente não saber utilizar.
O retrato real do consumidor português
No fundo, o que os dados da ANACOM desenham é um país altamente conectado, quase toda a gente tem contrato, quase toda a gente paga pacote, mas com tensões reais no conteúdo.
A TV paga enfrenta a concorrência do streaming, o telefone fixo existe sem ser usado, e a internet ainda não chegou a todos da mesma forma.
Portugal lidera a Europa nos pacotes de telecomunicações. A questão é por quanto tempo esse modelo se mantém à medida que os portugueses percebem que podem pagar menos e ter exatamente o que precisam.
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