Há uma nova aplicação a querer mudar a forma como socializas nas cidades. Chama-se Joiner, nasceu na Lituânia e aterrou em Lisboa em Março com a proposta trocar o ecrã pelo mundo real.
Criada por Eduard Titov e Jurate Plungyte, a plataforma posiciona-se como alternativa às apps de encontros tradicionais — como o Tinder. Aqui não há deslizes para a esquerda ou para a direita, nem menus digitais para avaliar perfis. Esta app foca-se em eventos presenciais, interesses em comum e interações em grupo. Estamos preparados para voltar a sair de casa sem a promessa de um “match”?
Como funciona a Joiner?
O conceito é fundamentalmente simples. Crias um perfil com base nos teus interesses, exploras eventos através de geolocalização e preferências de idioma e decides se queres participar ou organizar.
Há caminhadas, festas temáticas, encontros informais e até viagens internacionais. Se preferires liderar o processo, podes assumir o papel de anfitrião e criar o teu próprio evento.
E tem atenção a este detalhe: quem organiza pode analisar o teu perfil antes de te aceitar. Só depois é revelada a morada exata do encontro. A aplicação inclui ainda chats de grupo para participantes confirmados e mensagens privadas apenas entre utilizadores que se seguem mutuamente.
Do ponto de vista da segurança e controlo de dinâmica, é uma mais-valia . Mas também levanta a questão: até que ponto esta curadoria social pode criar bolhas?
Sem anúncios, mas com potencial de negócio
A Joiner não permite perfis comerciais nem publicidade direta. Ainda assim, há espaço para monetização. Os organizadores podem criar eventos pagos e negociar diretamente com espaços físicos.
Para já, os pagamentos acontecem fora da plataforma, mas está prevista a integração futura de transações dentro da app. A empresa quer ganhar através de comissões geradas pelo tráfego que cria para bares, restaurantes e outros espaços. Ou seja, não há anúncios a aparecer de repente no ecrã, mas existe um plano para transformar popularidade em receita.
Além disso, há uma camada de "gamificação". Participas, organizas, adicionas fotografias, segues pessoas. Em troca, sobes de nível e ganhas estrelas. No futuro, esses níveis poderão desbloquear novas ferramentas.
Crescimento acelerado e para o mundo
A aplicação foi lançada na Lituânia há pouco mais de um ano e decidiu expandir-se internacionalmente após uma visita a Lisboa durante a Web Summit.
Portugal está a receber um investimento superior a 300 mil euros para equipas locais nas áreas de marketing e tecnologia. A estratégia passa por usar o país como base operacional para crescer noutros mercados.
Na lista de próximos destinos estão Espanha e Chéquia ainda em 2026. Brasil é prioridade e a entrada no mercado norte-americano está prevista até 2030.
Será inovação ou só mais uma app de encontros?
Há relatos de utilizadores que desenvolveram relações amorosas e (e não só) através da plataforma. Outros destacam a possibilidade de participar em eventos ou organizar iniciativas, desde encontros a viagens internacionais.
A ideia é reduzir a pressão associada às apps de encontros e promover ligações que nascem naturalmente em grupo. Na teoria, esta dinâmica elimina a expectativa de impressionar alguém logo no primeiro minuto. Mas não nos podemos esquecer que esta continua a ser uma plataforma. Continua a depender de algoritmos, perfis e níveis de popularidade.
Vale a pena experimentar?
Se estás numa cidade nova, se trabalhas numa área onde o networking não acontece de forma espontânea ou se simplesmente queres sair da rotina digital do swipe infinito, a Joiner pode ser uma alternativa.
A app é gratuita neste momento e tudo indica que essa fase serve para ganhar tração antes da chegada de um modelo premium com benefícios extra para utilizadores frequentes e ferramentas avançadas para organizadores. No fundo, tudo vai depender do teu tipo de personalidade e do que tu procuras.
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