
O futuro é incerto, mas para Elon Musk há uma certeza. Pelo menos, uma convicção: o mundo vai deixar de necessitar de mão de obra humana. Nas palavras do CEO da Tesla, estamos perante uma noção de “abundância sustentável”.
Ou seja, com tecnologia tão avançada, desde os robots à IA, o dinheiro e o trabalho deixarão de ser relevantes. Para Musk, as necessidades serão facilmente acessíveis, sendo este o caminho para o qual, diz o próprio, “já caminhamos” (via New York Times).
Quais os verdadeiros objetivos de Elon Musk?
A Tesla é conhecida pelos seus automóveis. No entanto, nem se pode dizer que esteja a fazer muito sucesso nesse setor, ultimamente, pelo menos em comparação com alturas anteriores. A marca de Musk tem apostado muito em robótica.
Se olharmos para outras empresas de Musk, também vemos que o foco está no que aí vem. A SpaceX, por exemplo, tem o objetivo de criar um centro de dados com Inteligência Artificial no espaço e “bases autossustentáveis na Lua”.
No entanto, a questão aqui é: o que é que Elon Musk realmente quer? Quem deu uma pista sobre o assunto foi Robyn Denholm. Em declarações ao Times, o executivo da Tesla diz que Elon Musk simpatiza muito com o conceito de abundância sustentável, muito por causa de um objetivo: tornar-se o primeiro trilionário da história.
No fundo, a visão de Musk passa por reestruturar o mundo, tal como o conhecemos. Ou seja, criar uma realidade onde "bens e serviços possam ser produzidos em abundância".
Faz sentido a visão de Musk?
É sempre interessante conhecer versões fora da caixa, quando pensamos o futuro. No entanto, é igualmente importante questioná-las. Foi isso que fez Alex Imas, professor da Universidade de Chicago, citado pelo New York Times.
A questão que este coloca é: como se distribuiria a riqueza? É uma questão pertinente e que não é de simples resposta, pelo menos à partida. O próprio menciona ainda a excessiva dependência que se criaria das empresas tecnológicas, o que naturalmente pode representar uma ameaça.
A minha opinião…
Musk é conhecido pelas suas visões futuristas do mundo. No entanto, para além do que refere Imas, há outro aspeto que considero crítico: qual seria o propósito humano? Ninguém vive só para trabalhar, mas convenhamos: o trabalho é uma parte significativa do nosso propósito.
Todos gostamos de nos sentir úteis e, ainda que por vezes o cansaço do dia a dia possa fazer parecer que um mundo sem trabalho era um sonho, tenho dúvidas que assim fosse. Afinal de contas, é por isso que valorizamos as férias. Porque não são “eternas”.
Será que estaríamos preparados para estar uma vida inteira de férias? Por mais estranho que possa parecer, eu acho que acabaria, mais tarde ou mais cedo, por se tornar num pesadelo.
É caso para dizermos que só o futuro dirá se as previsões de Musk faziam sentido ou não.
