O DLSS 5 foi anunciado com enormes promessas: mais qualidade visual, menos esforço para a GPU, inteligência artificial a fazer o trabalho pesado. Mas agora que a Nvidia começou a explicar como o sistema funciona mesmo por dentro, surgiu um detalhe que está a gerar debate e que vale a pena perceber antes de decidires se isto te interessa ou não.
O que é que o DLSS 5 "vê" afinal?
A confirmação veio de Jacob Freeman, porta-voz da Nvidia, numa troca de mensagens com o criador de conteúdos Daniel Owen: o DLSS 5 não lê a geometria 3D do motor de jogo. Trabalha apenas com o frame final já renderizado em 2D e com os vetores de movimento da cena, o que ajuda a explicar algumas das alterações visuais observadas em certos jogos.
É como pedir a alguém que melhore uma fotografia sem lhe dar acesso à cena original: a pessoa adivinha o que está ali com base naquilo que vê.
Isto tem uma lógica técnica: processar dados 3D em tempo real exigiria um poder de computação que nenhuma placa atual tem para dar. A abordagem 2D é muito mais eficiente. O problema é o que se perde no processo.
A IA adivinha, mas às vezes erra
Os materiais que os artistas definem num motor de jogo como a rugosidade, o reflexo metálico ou o comportamento da luz numa superfície, são ignorados pelo DLSS 5. A IA reconstrói essas características a partir da imagem que recebe. Na maior parte das vezes funciona, mas quando falha, o resultado pode surpreender visualmente.
Os exemplos já circulam: em Starfield, o cabelo de uma personagem muda de aspeto com o DLSS 5 ativo. Em Resident Evil Requiem, Grace, a protagonista do jogo, surge com uma maquilhagem que não existia no modelo original.
A Nvidia admite que a geometria subjacente não muda. Mas, quando a IA reinterpreta a iluminação e os materiais de forma incorreta, o resultado visual é diferente daquilo que o artista criou mesmo que os polígonos sejam os mesmos.
E os programadores têm controlo sobre isto?
Têm, mas limitado. A Nvidia garante que os estúdios vão poder ajustar a intensidade, contraste, saturação, e até aplicar mascaras em zonas específicas do ecrã para excluir elementos da ação da IA.
O problema é que esse controlo é genérico. Se a IA decidir que uma personagem fica melhor com um blush, não há forma direta de corrigir esse detalhe, só podes reduzir o efeito global ou desligar na zona inteira.
Vale a pena para ti enquanto jogador?
Se o teu foco é desempenho, mais frames, imagem mais suave, menos esforço para a GPU,o DLSS 5 tem argumentos reais. Para jogos single-player onde cada detalhe visual importa e foi desenhado com intenção, a questão é outra.
O DLSS 5 ainda está em fase de antevisão.
As demonstrações mostram melhorias claras em muitas situações, mas também os problemas que referi. Se comprares uma RTX série 50 por causa do DLSS 5, percebe bem: não é magia, é uma IA a reinterpretar a imagem. Na maior parte das vezes melhora, mas nem sempre.
