Se estás habituado aos antigos discos rígidos (HDD), é normal pensares que encher o armazenamento quase até ao limite não faz grande diferença. Mas nos SSDs a realidade é diferente. Quando o espaço livre começa a escassear, o desempenho pode ser afetado, tornando este um dos erros mais comuns entre os utilizadores.
Porque é que os SSDs reagem mal a estarem cheios
Os SSDs modernos armazenam dados em chips de memória flash NAND, e o seu desempenho depende diretamente da quantidade de espaço livre que o controlador tem para gerir esses dados em segundo plano. Quando o disco está quase cheio, essa margem de manobra desaparece e a quebra de desempenho torna-se inevitável, sobretudo nas operações de escrita.
Isto não significa que o disco vá avariar de um momento para o outro só por estar cheio. Um SSD não é uma bomba prestes a explodir aos 100%.
No entanto, manter o disco constantemente perto da capacidade máxima deixa o controlador com muito pouca margem para distribuir o desgaste pelos chips de memória de forma equilibrada. A longo prazo, isso pode reduzir a vida útil do SSD.
A regra dos 80% (e por que faz sentido)
A recomendação mais comum entre especialistas é simples: tenta manter entre 10% e 20% do espaço total livre. Isto é particularmente importante se o disco em causa for aquele onde tens o sistema operativo instalado, já que o Windows está constantemente a criar e apagar ficheiros temporários em segundo plano e precisa de espaço livre para executar essas tarefas sem comprometer o desempenho.
Este detalhe explica também porque é que, mesmo depois de libertares espaço apagando ficheiros temporários acumulados na pasta Temp do Windows, podes continuar a notar o sistema mais lento se voltares a aproximar-te do limite do disco pouco tempo depois.
O que podes fazer?
Não precisas de andar a verificar o espaço disponível todos os dias. Mais importante é teres consciência do que guardas e onde o guardas. Vídeos, fotografias e música não tiram grande partido da velocidade extra de um SSD para serem simplesmente reproduzidos, por isso podem ficar num disco secundário mais lento e económico ou até na cloud.
Já o sistema operativo e os jogos mais exigentes devem permanecer no SSD, uma vez que é aí que a sua maior velocidade faz realmente diferença, reduzindo significativamente os tempos de arranque e de carregamento.
Esta distinção entre o que realmente precisa de estar no disco rápido e o que não precisa é, muitas vezes, mais eficaz a resolver a lentidão de um PC do que comprar componentes novos, já que grande parte dos problemas de desempenho está relacionada com gestão de armazenamento e não com hardware degradado.
Se mesmo depois de organizares os teus ficheiros continuas a bater constantemente no limite vermelho do disco, talvez seja sinal de que está na altura de avançar para um SSD com mais capacidade.
