Não perdoo o final de "Lupin": a série nº1 da Netflix em Portugal

Poucas séries me prenderam tanto como “Lupin”. Por isso custa aceitar o final da 4.ª temporada, estreada há pouco mais de uma semana. (Nota: há conteúdo spoiler)

Netflix
(via Netflix)

Já vejo Netflix há alguns anos e foram poucas as séries que me prenderam tanto como "Lupin". Para quem não conhece, é uma série francesa, protagonizada por Omar Sy, que se baseia nos crimes de Arsène Lupin: o ladrão cavalheiro fictício e mestre dos disfarces, criado em 1905 pelo escritor francês Maurice Leblanc.

Na série, Assane Diop, interpretado por Omar Sy, é uma espécie de reencarnação deste personagem. No entanto, confesso que a forma como acabou a 4ª temporada, lançada há pouco mais de uma semana, desiludiu-me profundamente. Neste artigo, explico-te porquê.

(Nota: o artigo tem informação spoiler, por isso, se ainda não viste e queres desvendar o final por ti mesmo, é melhor guardar o artigo para mais tarde)

O que se passou com Raoul?

Toda a série nos mostrou que Raoul, filho de Assane, sempre teve uma grande admiração pelo pai. No entanto, a sua frustração foi crescendo a cada ausência do pai, a cada promessa não cumprida e a cada escândalo nacional causado pelas aventuras de Assane.

No entanto, da terceira temporada para a quarta, senti uma radicalização na evolução da personagem de Raoul. Outrora um rapaz doce e tímido, passou a ser um criminoso revoltado e amargurado com o pai. Sem que nada o fizesse prever, já fazia assaltos, misturava-se com gangues e seguia os crimes do pai.

O rapaz que apenas gostava de jogar basquetebol nas temporadas passadas, do nada, já era um mestre na arte do crime, com engenho para roubar carros, entrar em edifícios e até rastrear polícias e assaltos.

Efeito "wow" nem sempre é uma coisa boa

Uma coisa tenho de admitir: "Lupin" conseguiu deixar-me de boca aberta várias vezes, na última temporada. Mas a questão aqui é: isso é bom? Poucas horas depois de já ter visto a última temporada toda, acho que isso não é necessariamente uma coisa positiva.

Benjamin, o melhor amigo de Assane, sem que nada o fizesse prever, apaixona-se por Claire e passam a viver em família? Assane, um dos maiores criminosos da história do país, passa a trabalhar com a Polícia? Afinal, Assane tem uma filha Adèle, que também é uma mestre do crime? Raoul tira Pellegrini da prisão na Malásia e engana-o sobre o mais valioso tesouro francês?

Estes foram só alguns dos vários momentos "wow" da série, mas pareceram-me forçados, sinceramente. Já para não falar do facto de Assane (e a filha) escaparem sempre com uma facilidade tremenda à polícia, mesmo quando parece impossível.

É ficção, eu sei, faz parte. No entanto, preferia uma temporada 4 com uma narrativa melhor construída. Achei pouco credível em muitas partes e o final, para mim, foi um pouco estranho.

Por fim... o final

O final é, para mim, a parte mais estranha de todas. Raoul pressiona Assane a escolher entre a sua vida e a de Adèle, simulando que há um botão com temporizador que pode simplesmente matar Adèle. Desde logo, uma dinâmica impensável entre os dois.

Assane não consegue escolher e Raoul sai furioso para o helicóptero do Sr. Pellegrini, o grande inimigo de Assane durante muitos anos. Em simultâneo, chega a polícia que procura Raoul por ter ferido uma agente da autoridade. A polícia dispara e, miraculosamente, Assane leva o tiro que era destinado a Raoul.

Depois desta bomba, a temporada acaba. Agora a questão é: terá sido mesmo o final? Ou será que Assane sobrevive e vem aí uma temporada 5? Para já, nada está previsto, mas "Lupin" já nos mostrou que as surpresas são o prato forte do menu.

Luís Guedes
Luís Guedes
O Luís é redator no 4gnews e traz-te as novidades mais recentes sobre as melhores séries e filmes do momento, bem como sobre smartphones.