Para além de uma minissérie espanhola que conquistou a Netflix nas últimas duas semanas, há agora uma outra, falada em português, que está a conquistar não só os assinantes lusos.
Como mostram os dados fo FlixPatrol, é atualmente a mais vista no nosso país. Porém, também está a fazer furor a nível mundial, sendo a terceira a nível global.
Estamos a falar de "Emergência Radioativa", uma produção brasileira criada por Gustavo Lipsztein que chegou ao catálogo da plataforma de streaming nos últimos dias, sendo uma das quatro obras em estreia que destacámos atempadamente.
Tem a particularidade de se basear numa história verídica que teve lugar em Goiânia no ano de 1987.
Qual o enredo?
Tudo começa com um erro que parece pequeno, mas que rapidamente escala para uma crise sem precedentes. Dois homens entram num hospital abandonado e levam uma máquina de radioterapia que estava destrancada, com o objetivo de vender as peças como sucata.
Ao desmontarem o equipamento, encontram um pó azul brilhante que desperta curiosidade e acaba por ser partilhado entre familiares e amigos.
O que ninguém sabia é que aquela substância era Césio-137, um material altamente radioativo que começa a provocar sintomas graves em várias pessoas, nomeadamente febre, náuseas, vómitos, mas também erupções cutâneas.
Apesar de os casos se multiplicarem, o diagnóstico tarda em chegar. Até que um físico - Márcio - que estava em Goiânia de passagem para o aniversário do pai é contactado por um médico amigo e percebe que em causa está um episódio de contaminação radioativa.
A partir daí, especialistas de todo o país são mobilizados para tentar conter a propagação, enquanto equipas de emergência isolam zonas afetadas e lidam com uma população em pânico e que nem sempre é cooperativa-
A minha opinião
Confesso que não estava minimamente a par sobre este assunto antes de começar a ver esta minissérie. É por isso mesmo que este tipo de produção baseada/inspirada em factos reais é tão importante.
Não é só entretenimento, é também enriquecimento histórico. "Emergência Radioativa" retrata um dos episódios mais negros da história recente do Brasil. Em 1987, uma máquina de radioterapia abandonada num hospital foi aberta num ferro-velho em Goiânia.
As consequências foram nefastas. Foi libertado material radioativo que contaminou dezenas de pessoas, matou quatro e obrigou mais de cem mil a serem examinadas. A série prende do primeiro ao último episódio.
O ritmo é tenso e bem construído, o elenco tem interpretações muito sólidas (destaque para Johnny Massaro e Ana Costa) e a narrativa equilibra de forma inteligente o rigor histórico com a emoção dramática.
Em apenas cinco episódios (que pessoalmente considero ser o número ideal para minisséries), consegue transmitir o caos da situação, o desespero das equipas médicas sem protocolos definidos e o heroísmo silencioso de cientistas e profissionais de saúde que enfrentaram o desconhecido.
É o tipo de produção que se vê praticamente de uma só vez, sem que nos apercebamos do tempo a passar.
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