A Microsoft resolveu um problema que "assombrava" os seus utilizadores há mais de dez anos. O novo portátil Surface Laptop Ultra, que custa 2599 dólares (cerca de 2325 euros), tem uma porta USB-C com fixação magnética integrada. Chama-se Magnetic Connect e tem uma particularidade que o diferencia do que conhecemos da Apple.
O que a Apple já tinha, mas com uma (grande) diferença
A Apple já conhece muito bem esta ideia. O MagSafe existe há vários anos e faz o que já se espera desta tecnologia: se alguém prender o pé no cabo, a ficha solta-se e o portátil fica quieto, no mesmo sítio.
Mas há um preço a pagar por esta comodidade. O MagSafe usa uma porta própria, só para carregar. É um conector proprietário que ocupa espaço no corpo do portátil e que não serve para mais nada. Quem queria a segurança do íman abdicava da universalidade do USB-C, e quem queria o USB-C abdicava da segurança. Durante mais de uma década, foi isto ou aquilo.
A diferença está na porta
Honestamente, a Microsoft não criou nada de novo, mas pegou na ideia da Apple e aperfeiçoou-a — neste caso, podemos dizer que "o feitiço virou-se contra o feiticeiro". A porta do Surface Laptop Ultra continua a ser uma porta USB-C normal. O íman é um extra que trabalha em cima de um standard que já existe, em vez de o substituir.
No fundo, isto quer dizer que a mesma porta faz dois trabalhos:
- Com o cabo magnético, carrega e solta-se sozinho se alguém puxar.
- Sem ele, aceita qualquer periférico USB-C, ecrã ou carregador.
Neste caso, não ficas com uma porta que serve apenas para carregar, pois funciona como uma porta USB. Isto é a flexibilidade que o MagSafe, tal como é, não consegue oferecer atualmente.
E como se porta no uso?
De acordo com o Tom's Guide, o cabo solta-se de uma forma limpa e imediata quando é puxado, tal como no MagSafe. O chassis é de alumínio e pesa cerca de 4,5 libras (à volta de 2 kg), e aparentemente não houve qualquer arrasto quando o cabo se soltou. O portátil mal se mexeu.
O que me interessa mais é o outro lado da moeda. Um íman que se larga com facilidade também se pode largar quando não devia.
Aqui, os ímanes alinham bem a ficha com a porta e puxam o cabo para uma ligação firme. Mesmo a abanar e a mexer no cabo com força, a conexão não ficou instável. É isto que separa uma boa ideia de uma ideia que funciona.
O carregador também alinha
A Microsoft não ficou só pela porta do portátil. O carregador que vem na caixa tem 140 W, é pequeno e leve, e tem também uma porta USB-C magnética na ponta onde liga o cabo. Desta forma, o íman está nas duas extremidades, e quem viaja com o portátil vai provavelmente agradecer ao Bill Gates.
Será que passará a ser uma norma nos futuros portáteis?
Há uma coisa aqui que acho curiosa. O Surface Laptop Ultra tem um processador de topo, mas a porta foi o que mais se destacou. Na apresentação, o público reagiu com alguns dos aplausos mais fortes precisamente a este conector.
Vendo esta reacção, isto diz alguma coisa sobre o que as pessoas valorizam. Pode haver muita potência para inteligência artificial, mas o que se quer realmente sentir no dia a dia é não ver o portátil cair da mesa por causa de um cabo. Embora seja uma "pequena" inovação, é grande em termos de segurança — até porque ninguém, no seu perfeito juízo, vai pegar no portátil pelo cabo.
O que muitos esperam é que esta medida se torne um padrão adotado por outras marcas. Se o íman funciona sobre o USB-C normal, não há um motivo para que isto fique apenas na Microsoft. Seria bom que o resto do mercado adoptasse esta noção.
Obrigado pela ideia, Apple
A Apple mostrou que um cabo magnético faz todo o sentido, mas fê-lo com um conector só seu (típico). Embora anos tenham passado desde a introdução deste tipo de conector, a Microsoft finalmente pegou na mesma ideia e aplicou-a ao standard que todos já usam.
Se formos a pensar, até é uma pequena revolução, mas com uma óbvia melhoria.