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Meta em polémica: óculos IA levantam questões sérias de privacidade

Uma investigação sueca descobriu que os óculos IA da Meta estão a enviar imagens sensíveis de intimidade e documentos financeiros dos utilizadores para revisores humanos, no Quénia.

Pessoa a usar óculos Meta
Crédito@Meta

Meta envolvida em nova polémica relacionada com privacidade

Ainda que sejam um sucesso de vendas, os óculos com IA da Meta envolveram a empresa em mais uma polémica relacionada com gestão de dados e questões de privacidade. A notícia foi divulgada por dois jornais suecos – sendo um destes o Svenska Dagbladet – que estão a avançar que revisores no Quénia tiveram acesso a conteúdos sensíveis e íntimos dos utilizadores dos óculos inteligentes da marca.

Na prática, estes revisores têm a função de ajudar a tecnologia IA da empresa a interpretar dados. O problema é que alguns dos conteúdos que chegaram a estes revisores incluíam imagens de nudez, sexo e documentos financeiros.

Ainda que exista um sistema de segurança que oculta automaticamente o rosto das pessoas, um ex-funcionário da Meta assumiu ao jornal Svenska Dagbladet que nem sempre este funciona e, por isso, alguns rostos são visíveis.

Em declarações ao site The Verge, Tracy Clayton, porta-voz da Meta, garantiu que as imagens captadas pelos óculos ficam alojados “no dispositivo”, a menos que o utilizador os partilhe com outra pessoa ou com a Meta.

Tracy Clayton esclarece ainda que quando os conteúdos são partilhados, a empresa recorre a empresas de terceiros “para fazer a revisão dos dados com o objetivo de melhorar a experiência de utilização, como muitas outras empresas fazem”.

Acrescentando ainda que a empresa tem implementadas medidas para garantir a privacidade de todos os utilizadores e “impedir que informações de identificação sejam analisadas”.

Meta tem um longo historial relacionado com questões de privacidade

Esta não é a primeira vez que a Meta está envolvida em polémica devido aos direitos de privacidade. Em 2018, o conhecido caso Cambridge Analytica de recolha de dados sem consentimento para fins de influência política valeu à empresa uma multa de 5 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros), nos EUA.

Em 2023, a Meta foi acusada de transferir dados de utilizadores europeus para servidores nos EUA, nos quais estavam expostos à vigilância das autoridades norte-americanas. Este caso valeu à Meta uma multa de 1,2 mil milhões de euros imposta pelo regulador irlandês, tendo este valor sido um dos mais elevados atribuídos no âmbito do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD).

Aguardam-se agora os próximos capítulos e possíveis sanções sobre este novo caso. Até porque uma ação coletiva foi já interposta, a qual acusa a empresa de publicidade enganosa e violação das leis de privacidade.

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Mónica Marques
Mónica Marques
Ao longo de mais de 20 anos de carreira na área da comunicação assistiu à chegada do 3G e outros eventos igualmente inovadores no mundo hi-tech. Em 2020 juntou-se à equipa do 4gnews.