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Mercado global de smartphones caminha para a maior queda da década em 2026

Remessas devem cair 12,9% enquanto preços médios deverão subir 14%.

Mercado global de smartphones caminha para a maior queda da década em 2026

O mercado global de smartphones pode estar prestes a atravessar o seu pior ano em mais de uma década. De acordo com a International Data Corporation (IDC), as remessas mundiais deverão cair 12,9% em 2026, resultando em 1,12 mil milhões de unidades vendidas globalmente.

Trata-se da maior queda já registada pelo setor nos últimos dez anos, impulsionada pela crise global de chips de memória, que se tem vindo a agravar desde o final de 2025. Segundo o relatório da IDC, não estamos perante um simples ajuste temporário, mas sim um “choque” estrutural que pode redefinir o mercado nos próximos anos.

A crise da memória está a empurrar os preços para cima

O problema começa na cadeia de abastecimento de memória. Com os custos dos componentes a subir, os fabricantes enfrentam margens de lucro mais apertadas e acabam por transferir parte desse aumento para o consumidor final.

A própria IDC estima que o preço médio global dos smartphones suba 14% em 2026, atingindo um valor recorde de 523 dólares. Isto significa que, mesmo com menos unidades vendidas, os preços continuarão a subir.

Mas não precisamos de esperar muito para ver o impacto da crise das memórias nos novos lançamentos de smartphones; lançamentos recentes como a série Galaxy S26 já demonstram isso.

Em Portugal, a nova geração Galaxy S26 já chegou com preços superiores aos da série anterior. O modelo base de 256 GB custa 1.039,90 €, enquanto o Galaxy S26+ arranca nos 1.299,90 €. Para comparação, o Galaxy S25 tinha sido lançado a partir de 939 €, e o S25+ desde 1.199 €.

Galaxy S26

Xiaomi já confirmou aumentos na linha Redmi

A pressão não se limita aos topos de gama. A Xiaomi confirmou recentemente que irá aumentar os preços dos smartphones da série Redmi devido ao encarecimento dos chips de memória.

Segundo a marca, o aumento dos custos cria um efeito em cadeia: os componentes ficam mais caros, as marcas sobem os preços, os consumidores compram menos e o custo por unidade acaba por subir ainda mais.

No final de 2025, a fabricante lançou o Redmi K90, que chegou ao mercado chinês por 2.599 yuans (321 euros), acima dos 2.499 yuans (309 euros) praticados no modelo anterior, o Redmi K80.

Após críticas por parte dos consumidores, o presidente da Xiaomi, Lu Weibing, justificou o aumento de preços justamente com os preços dos chips de armazenamento:

"Não podemos mudar a tendência das cadeias de abastecimento globais, e o aumento nos custos de armazenamento é muito maior do que o esperado e continuará a aumentar.”

Smartphones básicos podem tornar-se inviáveis

A IDC vai mais longe e afirma que esta crise pode tornar permanentemente inviável o segmento de smartphones de baixo custo (abaixo dos 100 dólares). Este mercado representa atualmente cerca de 171 milhões de dispositivos, mas poderá deixar de ser economicamente sustentável.

Os fabricantes mais focados no segmento de entrada deverão ser os mais afetados, especialmente em regiões como o Médio Oriente e África, onde a IDC prevê uma queda superior a 20%. Já a China e a restante Ásia-Pacífico também deverão registar descidas significativas.

Por outro lado, Francisco Jeronimo, vice-presidente de Dispositivos para Clientes Mundiais da IDC, observa que empresas como a Apple e a Samsung poderão estar melhor posicionadas para enfrentar a crise e até expandir a sua quota de mercado.

O que esperar a seguir?

Segundo a IDC, a estabilização dos preços da memória só deverá começar a partir de meados de 2027, e mesmo assim dificilmente regressarão aos níveis anteriores no próximo ano.

Para 2027, é esperada uma recuperação modesta de 2%, seguida de um crescimento mais sólido de 5,2% em 2028.

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 William Schendes
William Schendes
Jornalista e criador de conteúdos, escreve sobre tecnologia, videojogos e cibersegurança desde 2022. No 4gnews, escreve sobre as novidades do mundo tech, mas anteriormente já produziu de tudo um pouco: reviews, reportagens, artigos especiais e tutoriais.