O mercado português de televisão por subscrição fechou 2025 com um número que impressiona à primeira vista: 4,7 milhões de assinantes.
Mas o que os dados da ANACOM revelam é que, por baixo desse volume, o crescimento foi o mais lento em quase duas décadas. Apenas 25 mil novos assinantes face ao ano anterior, o aumento anual mais baixo desde 2006.
Para perceber o que está realmente a acontecer, é preciso olhar para as operadoras uma a uma.
MEO lidera e continua a crescer, já a NOS...
A MEO terminou o quarto trimestre de 2025 como a operadora com maior quota de mercado em TV por subscrição: 42% do total de assinantes, com um crescimento líquido que lhe valeu mais 0,1 pontos percentuais face ao trimestre homólogo.
No segmento empresarial, o domínio é ainda mais expressivo: a MEO detém mais de metade dos assinantes não residenciais, com uma quota de 55,4%.
Do lado oposto está o Grupo NOS, que terminou o trimestre com 35,7% de quota de mercado e uma perda de 0,3 pontos percentuais.
No segmento residencial, onde a NOS tem historicamente uma posição forte com 36,9%, a tendência de queda é um sinal que a operadora não pode ignorar. Num mercado com crescimento quase estagnado, perder quota significa perder assinantes para a concorrência.
A DIGI é a surpresa do trimestre
A grande novidade continua a ser o Grupo DIGI/NOWO, que apesar de ainda representar apenas 2,8% do mercado total, foi uma das operadoras que mais assinantes captou em termos líquidos, igualando a MEO no crescimento relativo.
Para uma operadora com preços significativamente mais baixos do que a concorrência, os números confirmam que está a ganhar espaço de forma consistente, sobretudo junto de consumidores mais sensíveis ao preço.
A fibra domina, o cabo recua
A nível tecnológico, a fibra ótica (FTTH/B) representa já 70,1% de todos os assinantes de TV por subscrição em Portugal, tendo atingido 3,3 milhões de clientes.
É a única tecnologia em crescimento: todas as outras, do cabo ao satélite ao ADSL, continuam a perder assinantes. Ainda assim, até a fibra registou o crescimento anual mais baixo desde que chegou a Portugal, em 2007.
A TV por cabo representa ainda 23,1% do mercado, seguida pelo satélite com 5,8% e pelo ADSL com apenas 1%.
O que dizem os números no fundo
Com 88,3% dos assinantes no segmento residencial e apenas 1,6% a subscrever TV de forma isolada (sem pacote), o mercado português está maduro e consolidado. Quase toda a gente que quer TV paga já a tem, e a grande maioria tem-na integrada num pacote com internet e telefone.
O crescimento quase nulo é, por isso, menos surpreendente do que parece: não há muito mais mercado para conquistar. O que há é uma batalha silenciosa entre operadoras pelo mesmo conjunto de clientes. E nessa batalha, a MEO está a ganhar.
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