
O restaurante escolhido para o teste recorreu aos robôs XMAN-R1, fabricados pela Keenon Robotics, empresa de Xangai que lidera o mercado global de robôs de serviço comercial e já tem mais de 100 mil unidades implementadas em mais de 60 países. Não é a primeira vez que o modelo aparece em contexto de hospitalidade.
Em outubro de 2025, o hotel Shangri-La Traders no aeroporto de Xangai já tinha implementado o XMAN-R1 na receção para cumprimentar hóspedes. O McDonald's é um ambiente bem mais caótico e de grande volume, o que torna este teste particularmente relevante.
Os humanoides não estão a cozinhar nem a operar as caixas. O papel deles é de anfitrião: receber quem entra, responder a perguntas e criar uma atmosfera diferente. A tarefa mais operacional fica a cargo de outros robôs da Keenon, que transportam refeições às mesas e recolhem tabuleiros usados. Não é bem o que se vê nos filmes de ficção científica, mas está mais perto do que parece.
Porquê agora, e porquê na China?
O timing não é coincidência. A China vive uma contradição económica curiosa: há setores com dificuldade em contratar, ao mesmo tempo que milhões de jovens têm dificuldade em encontrar emprego.
A Keenon tem um argumento preparado para isso. O fundador e CEO Li Tong defende que os robôs são pensados para substituir tarefas repetitivas, libertando humanos para funções com mais valor. Há também uma componente demográfica: a população ativa chinesa está a envelhecer e os candidatos mais jovens mostram cada vez menos interesse em funções repetitivas.
Não é exclusivo da China, mas lá o problema é mais urgente. Não é por acaso que empresas como a Amazon já estão a testar robôs humanoides como estafetas.
Isto vai chegar ao McDonald's em Portugal?
A curto prazo, improvável. A tecnologia ainda está numa fase de demonstração e o modelo mais realista para os próximos anos é um arranjo híbrido, com humanos a tratar da maior parte do trabalho e robôs a assumir funções básicas de linha da frente.
Para Portugal, o custo de implementação e as particularidades do mercado de trabalho tornam este cenário ainda mais distante. Ainda assim, vale a pena acompanhar. A Tesla já anunciou planos para o seu robô humanoide entrar no mercado de trabalho ainda em 2026 e o ritmo de adoção está a acelerar.
O que este teste mostra, acima de tudo, é que a automação no setor da restauração deixou de ser teórica. O McDonald's em Xangai é a prova disso.
