
A ANACOM divulgou um novo relatório, que analisa o grau de literacia digital dos cidadãos e o nível de maturidade digital das empresas, tanto em Portugal como no conjunto da União Europeia (UE). Assim, tornou-se possível comparar a preparação digital destes dois universos.
Portugal está a meio da tabela da UE
De acordo com o Digital Skills Indicator 2.0 da Comissão Europeia, referente a 2025, cerca de 59% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos possuíam competências digitais pelo menos ao nível básico. Deste total, 32% apresentavam competências acima do nível básico e 27,2% situavam-se exatamente nesse patamar. Em sentido oposto, 27,6% tinham competências abaixo do básico, 2,7% não apresentavam qualquer nível e 10,6% não utilizavam a Internet.
No contexto europeu, o estudo diz que Portugal ocupa a 13.ª posição entre os 27 Estados-Membros no que toca à percentagem de população com competências digitais acima do nível básico, ligeiramente acima da média da UE27 (32,0% em Portugal face a 31,4% na União Europeia).
Outro dado relevante tem a ver com a proporção de residentes que não utilizou a Internet nos três meses anteriores ao inquérito. A percentagem tem vindo a diminuir de forma consistente: passou de 17,7% em 2021 para 10,6% em 2025. Este valor colocou Portugal no 5.º lugar do ranking europeu. Entre as famílias sem acesso à Internet em casa, a principal justificação apontada foi a falta de competências digitais, seguida da perceção de pouca utilidade do serviço.
As áreas em que a população portuguesa demonstrou maior domínio digital foram “Comunicação e colaboração”, com 85,2% acima do nível básico, e “Literacia de dados e informação”, com 76,3%. Comparativamente à média europeia, Portugal apresentou resultados superiores nas áreas da Segurança (+7,3 pontos percentuais) e da Literacia de dados e informação (+1,3 p.p.), mas ficou abaixo da média da UE27 em Resolução de problemas (-14,6 p.p.) e em Comunicação e colaboração (-1,5 p.p.).
Os resultados variam consoante a região do país
O relatório evidencia desigualdades significativas em função do território e do perfil sociodemográfico. As zonas urbanas registaram níveis mais elevados de literacia digital, com destaque para a Grande Lisboa e a Península de Setúbal, enquanto o Alentejo e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira apresentaram os valores mais baixos.
Em termos etários e sociais, as competências digitais foram mais elevadas entre os jovens até aos 34 anos, pessoas com ensino superior e estudantes. Em contraste, os níveis mais reduzidos verificaram-se entre a população com 65 ou mais anos, reformados e indivíduos com menor escolaridade. Estas diferenças revelaram-se mais acentuadas em Portugal do que na média da União Europeia.