
A Google anunciou recentemente o Project Genie, uma ferramenta de inteligência artificial capaz de criar mundos fotorrealistas e interativos em 3D a partir de simples descrições de texto.
A ferramenta também permite criar personagens capazes de se mover pelo mundo com câmaras em primeira ou terceira pessoa, além de poderem “remixar” mundos existentes com diferentes estilos artísticos.
Por agora, esta tecnologia está limitada a criações de 60 segundos e pode “não parecer completamente realista” ou seguir “as leis da física do mundo real”, e os personagens podem, por vezes, ser “menos controláveis”, conforme relata a própria empresa.
Pouco tempo após o anúncio do Project Genie, os utilizadores já começaram a criar os seus próprios mundos utilizando a ferramenta, com personagens e elementos de propriedades intelectuais de grandes empresas dos jogos, como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, GTA V, Minecraft e mais.
Impacto no mercado e ações
Com a repercussão da tecnologia, diversas publishers e empresas de tecnologia para jogos viram as suas ações caírem de maneiras significativas.
A Unity, empresa desenvolvedora de engines para jogos, teve uma queda de 24% nas suas ações no dia do anúncio do Project Genie (via The Verge). As ações da Take-Two, publisher da série GTA, caíram 7,93%, enquanto a Roblox teve uma queda de 13%. Além disso, outras gigantes dos jogos, como CD Projekt Red e Nintendo, também tiveram quedas expressivas.
A queda nas ações mostra que os investidores que tinham dinheiro injetado nessas grandes empresas ficaram assustados com o Project Genie, acreditando que essa tecnologia poderia substituir o longo processo de desenvolvimento de jogos.
Não, o Project Genie não substituirá os programadores
Mas a grande verdade é que o Project Genie — ou qualquer ferramenta de IA com propósito semelhante — não chega nem perto de substituir o trabalho de programadores das gigantes dos jogos. Engines — softwares utilizados para desenvolvimento de jogos eletrónicos — como a Unreal (da Epic Games) ou a Unity contam com funcionalidades de física, renderização, animação, som, controlos, IA dos personagens e mais.
Diferentemente desses softwares, o Project Genie não cria jogos do zero, mas sim cria clones de jogos já existentes, com uma movimentação muito simples e com poucos comandos, como observa o Tom’s Hardware. Nos vídeos de demonstração e nos conteúdos publicados por utilizadores, os personagens apenas avançam pelos cenários, sem mais nenhum elemento de jogabilidade capaz de cativar os jogadores.
Este caso mostra como os investidores de grandes empresas entendem pouco sobre videojogos e como eles são feitos, algo que Jason Schreier da Bloomberg, um dos principais jornalistas de jogos, destacou em publicação no Bluesky:
“Isso é resultado de um mercado que não entende como os videojogos são feitos. Os mercados estão assustados porque acreditam que ferramentas como o Project Genie permitirão que qualquer pessoa crie um videojogo. Isso não é possível.”
- Jason Schreier
A própria Google corrobora isso. Em comunicado, a Google DeepMind relata que o Project Genie pode criar “novas oportunidades para educação e formação, ajudando estudantes a aprender e especialistas a adquirir experiência”. A empresa também avalia que a tecnologia pode servir para treinar “agentes como robôs e sistemas autónomos”.