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Há uma razão para os smartphones da Xiaomi terem baterias mais pequenas em Portugal

Os smartphones Xiaomi lançados no mercado chinês contam com baterias massivas que nunca chegam à Europa e, consequentemente, a Portugal. Mas há uma razão forte para isso acontecer.

Xiaomi 15 Ultra

A autonomia é um ponto crucial. Ninguém pode ficar sem bateria quando dependemos tanto dos nossos telemóveis para cumprir com a maior parte da rotina diária. Mas mesmo os melhores smartphones podem estar equipados com unidades que ficam aquém do desejado.

Para responder a esta necessidades, as fabricantes chinesas como a Xiaomi começaram a aumentar as capacidades das suas baterias. Mas essas unidades massivas não chegam à Europa e esta situação que ainda vai demorar a mudar.

A barreira dos 20 Wh

Tudo isto acontece porque a legislação europeia – à qual Portugal está submetido – estipula que o transporte de baterias individuais com mais de 20 Wh é “mercadoria perigosa. Para efeitos de contexto, Wh significa watt-hora e é a medida da energia real de uma bateria; já mAh traduz-se em miliampere-hora e indica a carga elétrica da bateria.

Ora com a barreira dos 20 Wh, os fabricantes costumam limitar as baterias dos smartphones a 5.500 mAh para evitar problemas logísticos no transporte ou o pagamento de custos extras.

Alguns smartphones conseguem chegar à Europa com baterias com capacidade superior a esta. Mas para o fazer, as marcas têm de recorrer a uma logística de transporte especializada. Há menos transportadoras preparadas para fazer este tipo de transporte e este é sempre mais caro. E é assim que se explica o pagamento de custos extras.

Comprar online um smartphone com bateria maior não é solução

Claro que se recorrermos a plataformas de retalho online fora da Europa conseguimos baterias com capacidades bastante superiores. Mas o utilizador pode sofrer uma consequência direta.

A importação de um equipamento destes pode ter problemas na alfândega com declarações de componente que não respeitam a legislação em vigor. Tal pode levar a que o equipamento seja considerado ilegal e fique retido; outro problema que pode acontecer é complicar uma futura troca ou reparos cobertos pela garantia.

Tudo porque ao ser reenviado o telefone com bateria massiva continua a não respeitar a legislação europeia em vigor.

E a solução de várias células?

Os computadores portáteis resolveram este problema, adicionando várias células à bateria. Várias células de 20 Wh todas juntas conseguem chegar à tão desejada bateria massiva.

Mas esta é uma solução que dificilmente pode ser aplicada aos smartphones. Tudo porque implica adicionar mais camadas, aumento o volume e peso do terminal. Mas mais importante que isso é um pesadelo de engenharia num mercado que se pauta pela espessura fina com componentes de topo para as câmaras e afins que ocupam uma enorme quantidade de espaço no interior do terminal.

Portanto, enquanto a legislação europeia não for alterada, dificilmente teremos na Europa os terminais com baterias massivas acima dos 8.500 mAh. Alguns podem cá chegar, mas o custo extra pago por essa logística e transporte pode refletir-se no preço final de venda ao público. As boas notícias é que parece que há vontade de alterar a legislação já em 2027.

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Mónica Marques
Mónica Marques
Ao longo de mais de 20 anos de carreira na área da comunicação assistiu à chegada do 3G e outros eventos igualmente inovadores no mundo hi-tech. Em 2020 juntou-se à equipa do 4gnews.