
Para quem nunca ouviu falar de GPL
GPL significa Gás de Petróleo Liquefeito, uma mistura de propano e butano que, sob pressão, se torna líquida e alimenta um motor de combustão. Os carros bi-fuel modernos arrancam a gasolina e passam automaticamente para GPL assim que o motor aquece. Quando o depósito de gás acaba, regressam à gasolina sem qualquer intervenção do condutor. Para quem está ao volante, é completamente transparente, não há botões, não há ajustes.
O que está a custar agora
A 20 de março de 2026, o preço médio do GPL em Portugal, calculado com base nos dados comunicados pelos operadores, situa-se nos 0,956 €/litro. Para comparar, a gasolina 95 ronda os 1,97 € e o gasóleo os 2,05 €. Segundo o agregador Mais Gasolina, na Galp o GPL está nos 0,939 €, na BP nos 0,999 € e na Repsol nos 0,954 €.
Ou seja, o GPL custa hoje pouco menos de metade da gasolina. Isto é o ponto de partida para todas as contas que se seguem.
Vantagens reais
O argumento mais forte é o mais óbvio: o combustível é muito mais barato. Mas há mais.
Os sistemas atuais são instalados de fábrica, com garantia da marca, nada a ver com as conversões caseiras de há 15 anos. A condução é igual à de qualquer outro carro.
A autonomia combinada (GPL + gasolina) nos modelos mais recentes fala por si: o novo Dacia Sandero 2026 com motor ECO-G tem um depósito de 49,6 litros de GPL, o que se traduz numa autonomia combinada de até 1590 km.
Desvantagens que convém conhecer
Nada é perfeito. Há três pontos que tens de ponderar antes de decidir:
- Existem atualmente cerca de 398 postos com GPL em Portugal, contra os milhares que vendem gasolina e gasóleo, fora das grandes cidades e autoestradas principais, pode ser difícil encontrar onde abastecer.
- Os carros a GPL mais recentes já podem estacionar na maioria dos parques fechados e cobertos. A restrição aplica-se sobretudo a veículos convertidos mais antigos, por isso vale a pena confirmar antes de comprar.
- O GPL tem menos energia por litro do que a gasolina, por isso o motor consome um pouco mais, entre 15% a 20%, mas ainda assim, como o combustível custa quase metade, a matemática continua favorável.
As contas para 15 000 km por ano
Com os preços atuais e um consumo médio estimado de 7,0 l/100 km a gasolina e 8,2 l/100 km a GPL (consumo tipicamente superior em cerca de 17%):
| Gasolina 95 | GPL | |
|---|---|---|
| Preço/litro | 1,97 € | 0,96 € |
| Consumo médio | 7,0 l/100km | 8,2 l/100km |
| Custo por 100 km | 13,79 € | 7,87 € |
| Custo anual (15 000 km) | 2 069 € |
1 181 € |
Poupança anual estimada: 888 €
Em dois anos já amortizaste qualquer diferença de preço face a um equivalente a gasolina, quando essa diferença existe,é porque em muitos casos não há.
Quem aposta no GPL em Portugal agora
A Dacia é a marca mais comprometida com o GPL no mercado português, e os números provam-no: cerca de 57% dos veículos Dacia vendidos em Portugal são da gama ECO-G. A gama inclui atualmente o Sandero a partir de 14 200 €, o Sandero Stepway a partir de 16 300 €, o Logan a partir de 17 150 €, o Jogger a partir de 18 500 € e o Duster a partir de 19 900 €.
Há ainda duas versões de topo novas, o Duster Hybrid-G 150 4×4 e o Bigster Hybrid-G 150 4×4, que combinam GPL com mild-hybrid de 48V e tração integral, com preços a partir de 27 850 € e 30 350 €, respetivamente.
A Renault também tem o Clio e o Captur bi-fuel disponíveis, e o Fiat Pandina mantém versão a GPL no catálogo, uma alternativa mais compacta para quem vive em cidade.
Então, compensa ou não?
A resposta honesta é: depende do teu perfil. Se percorres mais de 12 000 km por ano, vives numa zona com postos de GPL acessíveis e não precisas de garagem coberta no dia a dia, compensa claramente. A poupança é imediata, verificável e acumula a cada abastecimento.
Se fazes menos quilómetros ou tens dificuldade de acesso a postos, a amortização é mais lenta. Mas mesmo nesses casos, em modelos onde o GPL não tem custo extra face à gasolina equivalente, e a Dacia é o exemplo mais claro, não há grande risco em optar por ele.
O que é certo é que o GPL não é uma tecnologia do passado. Com os elétricos ainda caros e a infra-estrutura de carregamento a crescer lentamente, é uma transição simples, acessível e com poupanças concretas. E em Portugal, onde o preço do combustível pesa no orçamento de qualquer família, isso conta.
