
O maior medo de quem pondera comprar um carro elétrico usado é sempre o mesmo: em que estado está a bateria? A resposta, até agora, era vaga. Mas um estudo independente realizado pelo TÜV NORD em parceria com a empresa tecnológica Carly, com uma amostra de quase 50.000 carros elétricos e híbridos plug-in, veio finalmente dar números concretos a esta questão.
A degradação até aos 90.000 km é quase impercetível
A conclusão mais relevante é que, durante a primeira fase de vida do veículo, as baterias envelhecem muito melhor do que a maioria dos condutores espera. Até aos 90.000 quilómetros, a perda de capacidade é em média de apenas 0,7 pontos percentuais por cada 10.000 km percorridos. Na prática, isso significa que um carro com 80.000 km ainda deverá ter uma bateria com mais de 94% da capacidade original. Um valor que deve tranquilizar bastante quem está no mercado de usados.
O marco dos 90 000 km que faz a diferença
A partir desse marco, a situação altera-se de forma clara. A taxa de degradação acelera para uma média de 2,3 pontos percentuais por cada 10.000 km, ou seja, mais do triplo do ritmo anterior. Um carro que aos 90.000 km ainda mostra 94% de saúde da bateria pode chegar aos 130.000 km com menos de 85%. É uma diferença que se sente na autonomia real e que deve pesar muito na negociação do preço.
Se te estás a questionar se vale a pena proteger o estado da bateria com hábitos de carregamento corretos, a resposta é sim. E a ciência já mostrou que as baterias de elétricos podem durar mais do que o esperado com uso dinâmico, algo contra intuitivo, mas confirmado por investigadores da Universidade de Stanford.
Há diferenças grandes entre marcas
Não é tudo igual. O estudo analisou modelos mais antigos e identificou diferenças significativas entre fabricantes. Hyundai, Kia e Mercedes aparecem no topo, com baterias a manter capacidades entre 90% e mais de 95% mesmo em veículos com mais anos de uso.
Já alguns modelos mais antigos da Renault, Volkswagen e Citroën mostram valores entre os 70% e os 80%, o que é relevante se estiveres a comparar propostas de marcas diferentes no mercado de usados.
Curiosamente, a Volkswagen está também a tratar de garantir um futuro melhor para as suas baterias, recentemente mandou recolher quase 95.000 elétricos com módulos potencialmente defeituosos, um sinal de que a transparência nesta área está a crescer.
A boa notícia: o padrão está a ser superado
A conclusão mais positiva do estudo é que a maioria das baterias supera em larga medida o padrão de garantia atual, que exige 70% de capacidade residual ao fim de 8 anos ou 160.000 km. Na realidade, quase todos os veículos analisados passam este teste, o que é uma boa notícia tanto para os atuais proprietários como para o mercado de usados em geral.
O futuro também aponta na direção certa: da bateria da Toyota com 40 anos de vida útil às novas tecnologias de estado sólido que prometem revolucionar a autonomia e a durabilidade, a tecnologia está a avançar a bom ritmo.
Como verificar o estado da bateria antes de comprar
Se vais comprar um elétrico usado, não te fies apenas na palavra do vendedor. Existem ferramentas de diagnóstico que leem o estado de saúde da bateria (SOH) diretamente no veículo, em segundos.
Lembra-te que estes números são apenas médias, pois o estado real de cada bateria depende muito de como o carro for utilizado e carregado ao longo da sua vida.
