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O evento de apresentação da Apple já passou e o mundo já ficou a conhecer o novo Apple iPhone 7 e o grande Apple iPhone 7 Plus numa apresentação extremamente divertida, energética e sinceramente, a melhor de que tenho memória. Pois bem, depois de ter tido algum tempo para processar todas as novidades e equacionar todas as emoções que ontem senti ao assistir e comentar em directo o evento Apple.

A conclusão a que chego, hoje, é a de que a Apple anunciou tudo aquilo que já estávamos à espera, confirmou praticamente todos os rumores e nada mais. As surpresas são meramente estéticas, produtos familiares com uma boa dose de “make up” que se tornarão completamente irresistíveis para o vulgo consumidor e por muito empolgante que tenha sido o evento, agora que olho para os produtos este entusiasmo começa a dissipar-se.

   

Não me entendam mal, o Apple iPhone 7 e o Apple iPhone 7 Plus parecem excelentes dispositivos, fantásticos aliás mas o mesmo podia ser dito sobre os seus antecessores. O novo processador e a nova câmara certamente farão a diferença mas o desempenho e a câmara dos iPhone’s sempre foi excelente. Certo? Portanto nada muda, nem sequer a bateria cuja capacidade não foi mencionada e cuja autonomia foi apenas “tocada” de leve, muito ao de leve…mais 1 hora aqui, mais 2 horas acolá, enfim…nada em concreto e isto inquietou-me.

Volto a frisar, não houve nada necessariamente mau neste evento Apple mas, logo que acabou, fiquei com a sensação de que também não houve nada fantástico. E não, não estou a falar dos preços mirabolantes. Refiro-me sim, às melhorias ou upgrades que nos foram apresentadas e se afastarmos o fascínio e o factor “WOW” que nos foi incutido desde o primeiro minuto com o “Carpool Karaoke”, as melhorias e novidades são perfeitamente tangenciais e sem nada de extraordinário.

Melhorias previsíveis, novidades com pouco de “novo” e nada que não existisse previamente na concorrência, desde a resistência à água às câmaras duplas, o factor “WOW” foi brilhantemente orquestrado mas assentou na típica fórmula da Apple em que cada parâmetro abordado era enfeitado com um adjectivo “fantástico”, “brilhante”, “o mais poderoso que já fizemos”, “o mais potente em qualquer dispositivo Apple”- Estranho era, se o novo gadget não fosse mais potente que o seu antecessor!

Pessoalmente, o que mais me surpreendeu foram as poderosas parcerias apresentadas neste evento Apple. Desde logo, a Nintendo e a Apple, unidas pelo Mario Run que será lançado, (em primeiro lugar mas não em exclusivo) no sistema operativo da Apple mas…se virmos bem, aquilo não passa de um “Flappy Bird” com uma personagem icónica em vez de um pássaro tosco. Poderoso Marketing é certo mas pouco empolgante per se. Isto é, será um sucesso pelo poder associado ao Super Mario mas enquanto jogo duvido que te mantenha entretido mais do que uma semana.

 Depois do Mario Run tivemos uma série de anúncios neste evento Apple que caracterizo como over-hyped, isto é, novidades cuidadosamente apresentadas para nos criar uma enorme expectativa e para nos deixar ingenuamente maravilhados, esta é a velha formula da Apple e está melhor do que nunca, agora sob a batuta de Tim Cook.

Justificando o injustificável

Adicionando novas funcionalidades ao seu Apple iPhone 7 e Apple iPhone 7 Plus para justificar o aumento assustador de preços. Aumentando os esquemas de memória de 16GB para 32GB no modelo base e para uns impressionantes 256GB de armazenamento, pagos a preço de ouro. Utilizando a tradicional mnemónica dos números:"até 50% mais performance", "1 bilião de processamentos por segundo", números grandes para cabeças pequenas. Funciona, sempre!

Adiante, temos também um novo relógio, o Apple Watch 2, não...Apple Watch Series 2, sim porque é tão semelhante ao original que a Apple decidiu chamar-lhe apenas "Series 2". Em sua defesa, o novo relógio tem um processador bem mais potente, aguentará até 50 metros de profundidade e se rapidamente estávamos a ficar aborrecidos com a falta de novidades deste relógio, eis que entra o génio Jonh Ive cuja sedutora voz tem o dom de abrir as nossas carteiras de par em par. Genial! A sério, vê/ouve este vídeo, é só 1 minuto e diz-me se não tenho razão:

 Olhem para o Apple Watch original, agora olhem para o Apple Watch Series 2. Olhem para o iPhone 6, iPhone 6s e agora olhem para o Apple iPhone 7 e Apple iPhone 7 Plus. Ficariam entusiasmados se não fosse a encantadora voz do tio Jony Ive? Duvido muito e adoro quando a Apple se esforça tanto para nos convencer de que isto ou aquilo é uma mudança radical. Já agora, será que o ouviram referir-se, alguma vez, à capacidade das baterias, números em concreto? Pois, eu também não (nem convinha).

Coragem de (não) mudar?

Já sabíamos que o fim do jack de 3.5mm para os headphones ia desaparecer nos Apple iPhone 7 e Apple iPhone 7 Plus, algo que foi comprovado neste evento Apple. Um assunto sobre o qual já manifestei a minha opinião marcadamente contra. Contudo, aguardei ansiosamente a justificação da Apple sobre esta controversa decisão.

Foi o senhor Phill Schiller que nos iluminou sobre os quês e porquês do fim do jack. Ora, segundo ele: " A razão para seguir em frente: Coragem. A coragem de inovar e criar algo que é melhor para todos nós". Será mesmo melhor tio Phill, será a Apple assim tão corajosa? A resposta veio imediatamente e demonstrou, inequivocamente, o receio da Apple em tomar esta decisão. Ora, acham que a Apple incluiria o adaptador de 3.5mm para Lightning se não estivesse com receio de que isto causasse algum desconforto nos consumidores? Desenganem-se, a Apple está bem ciente do risco que correu ao tomar esta decisão que teve tanto de coragem como teimosia.

Vê também: Apple Watch Series 2 oficialmente apresentado!

Aliás, o senhor Phill Schiller apressou-se a suavizar o impacto desta mudança ao dizer que já existem 900 milhões de dispositivos com conexão Lightning. Muito bem, até pode ser verdade mas aqui estão incluídos todos os dispositivos Apple desde que a conexão Lightning foi introduzida pela primeira vez no iPhone 5 ou no iPad Touch de 5ª geração, o que levanta a questão, quantas destes equipamentos ainda estarão em utilização? Pois, mais uma vez, a Apple mantendo-se fiel à sua fórmula bem experimentada, números grandes para causar uma grande impressão no púbico, menosprezando-se a concordância com a realidade.

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Adiante, as minhas preocupações não se ficam por aqui. Em primeiro lugar, quem é que quer andar com um sem-fim de fios atrás de si só para ouvir música? E se eu quiser ouvir música enquanto carrego o smartphone, posso? Não, nem sequer temos aqui carregamento sem-fios, algo que eu perdoo nos modelos convencionais mas no Apple iPhone 7 e Apple iPhone 7 Plus em Jet Black poderiam aproveitar o acabamento vitrificado para implementar também esta funcionalidade. Algo que até poderia ajudar a justificar o seu preço.

Aqui, a Apple providenciou uma alternativa para quem quer ouvir música e manter a porta Lightning desobstruída e para tal apresentou os seus earphones sem-fios, os "AirPods" cujo preço de 179€ até ficou abaixo das minhas expectativas. Contudo, este "remedeio" consiste em mais um acessório que terás de carregar regularmente e em mais peças que facilmente podes perder. São repletos de funcionalidades, é certo e não me vou pronunciar relativamente ao seu design.
 Algo que ficou por dizer, ou melhor, por explicar foi a qualidade de som e de que modo esta se compara face aos EarPods via Lightning ou demais acessórios que utilizam a conexão Bluetooth mas também quem procurar a melhor qualidade de áudio sabe que nada se compara à conexão via cabo. Em suma, estes novos AirPods surgem como a alternativa mais conveniente para quem não quer andar com fios atrás. Pelo lado positivo, os novos iPhone's possuem altifalantes stéreo e isso é de se louvar.
Vê também: Apple apresenta os “AirPods” os seus phones Wireless

A César o que é de César

CUPERTINO, CA - SEPTEMBER 09: Apple CEO Tim Cook speaks during an Apple special event at the Flint Center for the Performing Arts on September 9, 2014 in Cupertino, California. Apple announced the new iPhone 6 and Apple Watch. (Photo by Justin Sullivan/Getty Images)

Tim Cook está de parabéns, este evento Apple provou que esta é a marca dominante no mundo dos dispositivos móveis (caso alguém tivesse dúvidas). A Apple de Tim Cook é a prova viva de que não é preciso ter especificações fantásticas ou um sem fim de inovações para deixar o mundo abismado com os seus novos produtos.

Os novos Apple iPhone 7 e Apple iPhone 7 Plus venderão mais do que nunca, custando mais do que nunca e tornando-se, mais do que nunca, em objecto de desejo, ostentação e predileção. Apesar de não haver justificação para os mais de 900€ para a versão base do Apple iPhone 7 Plus (Jet Black) em Portugal, isso pouco importa, este será o modelo mais vendido graças à sua dupla câmara que utiliza a palavra "telefoto ou teleobjectiva" (mais uma jogada de mestre no campo do marketing), apesar de considerar bem mais útil a abordagem da Huawei do que a capacidade de fazeres Zoom nas fotos mas, adiante.

Vê também: iPhone 7 e iPhone 7 Plus: O que lhes falta para serem perfeitos?

A Apple pode empurrar qualquer tecnologia para o mercado, da forma que bem lhe aprouver que rapidamente se torna no exemplo a seguir, na marca a ter, no objecto a comprar.

A Apple é uma máquina de marketing bem afinada. Este evento Apple foi prova disso, começando logo com o Carpool Karaoke, uma espécie de "Cafés da Manhã" ou "Chamadas do Nilton" lá dos USA e que deixou o público logo em delírio. Em seguida veio o Mario Run que deixou, mais uma vez, o público em êxtase com todo o apelo da a nostalgia. Logo após, o Pokemon Go que chegou agora ao Apple Watch e que conquistou imediatamente o público mais jovem ( e em breve será bem explorado/publicitado pela comunidade gamming do YouTube). Ora, com tantas parcerias de peso, cada uma conquistando uma, ou várias faixas etárias, a Apple nem precisaria de apresentar novos produtos, o público já estava rendido.

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Apple iPhone 7 Plus

Mentalizem-se, um produto não vende apenas por ter boas especificações, apenas por ser barato, apenas por ser bem construído. Um produto vende por ser desejado, por sentirmos necessidade de o ter e isto é um jogo muito mais psicológico do que tecnológico.

Aqui sim, Tim Cook mostrou que é um génio, ele cimentou de vez a ideia, no público americano, de que iPhone é sinónimo de smartphone, o resto é paisagem, o resto é para quem não pode ter um. Ele não precisa de provar que o seu produto é o melhor, basta simplesmente dizer que é o melhor, o público apenas quer que o apazigúem. O vulgo consumidor apenas quer um produto de confiança e uma voz amiga que lhe diga, " Avança, este é o caminho".

Se eu vou comprar um iPhone? Não, não sinto qualquer necessidade de tal mas não consigo deixar de admirar este evento Apple, este César e o seu toque de Midas.

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