
A Nissan decidiu transformar o seu SUV elétrico num laboratório sobre rodas para testar uma das ambições mais antigas da mobilidade sustentável. A marca japonesa revelou uma versão do Ariya equipada com painéis solares, num estudo que quer demonstrar como o sol pode ser convertido diretamente em quilómetros de autonomia.
O objetivo, claro está, é reduzir a necessidade de ligar o carro à corrente com tanta frequência. Este projeto resulta de uma colaboração técnica entre equipas de engenharia no Dubai e em Barcelona, com o apoio da Lightyear, empresa conhecida pelo seu trabalho no desenvolvimento de veículos solares.
Como funciona este protótipo do Nissan Ariya
O protótipo foi apresentado com um sistema personalizado de 3,8 metros quadrados de painéis fotovoltaicos. Estas células de grande eficiência foram integradas no capô, no tejadilho e na porta da bagageira, com uma combinação de polímeros e vidro para converter a luz solar em energia para a bateria.
O objetivo passa por criar uma fonte de alimentação complementar que funcione tanto com o carro em movimento como estacionado. Embora saber carregar o carro elétrico em postos públicos continue a ser fundamental para as grandes viagens, esta inovação dá-nos outra perspetiva de um futuro onde a dependência da rede pública poderá ser menor.

O que demonstraram os testes
Os testes realizados em ambiente real trazem dados promissores, especialmente se considerarmos o clima de Portugal, muito semelhante ao de Barcelona onde foram feitos alguns ensaios. Em condições ideais, o sistema conseguiu gerar energia suficiente para adicionar até 23 quilómetros de autonomia num único dia.
Na cidade catalã, a média fixou-se nos 17,6 quilómetros diários. É um valor que cobriria as deslocações curtas de muitos condutores portugueses sem gastar um cêntimo em eletricidade. Para além de seguires as 3 dicas essenciais para uma condução eficiente num carro elétrico, ter o carro a produzir a sua própria energia traz ainda mais eficiência.
A análise da Nissan indica que esta tecnologia permitiria reduzir a frequência de carregamento entre 35% e 65%, dependendo do perfil de utilização. Num cenário de viagem de longa distância, como os 1550 quilómetros testados entre os Países Baixos e Barcelona, a integração solar permitiu reduzir as paragens para carregamento de 23 para apenas 8.
Isto se considerarmos um condutor que percorra 6000 km anuais. Mesmo numa viagem curta de duas horas, o sistema é capaz de produzir 0,5 kWh, garantindo cerca de 3 km extra de borla. Agora resta saber quando poderemos ver um destes protótipos a chegar ao público.
