"Aquela Noite" chegou à Netflix há poucos dias e já conquistou o terceiro lugar das séries mais vistas tanto em Portugal como a nível mundial.
Baseia-se no romance homónimo da autora britânica Gillian McAllister, um bestseller que foi publicado em dez idiomas.
A minissérie espanhola de seis episódios, é o novo fenómeno da plataforma e percebe-se porquê: uma história de três irmãs, um acidente que muda tudo e segredos que começam a destruir as suas vidas.
O enredo
Elena, a mais nova das irmãs Arbizu, é uma jovem mãe neurótica que precisa desesperadamente de umas férias. Convence a irmã do meio, Paula, a visitarem a irmã mais velha, Cris, na República Dominicana, numa promessa de sol, descanso e reencontro familiar. O que começa como uma escapadela descontraída transforma-se rapidamente num pesadelo.
Após sair de uma discoteca, Elena é confrontada por um ladrão armado. Na tentativa de fugir, atropela-o com o carro. O homem morre. Em pânico e sozinha, Elena não liga à polícia. Liga às irmãs.
O argumento é simples e humano: tem uma filha bebé, Ane, à espera em casa. O que seria dela se a mãe fosse presa num país estrangeiro?
Quando Cris e Paula chegam ao local, as opiniões dividem-se imediatamente. Cris, a mais idealista das três, quer chamar a polícia e limpar o nome da irmã. Paula, mais pragmática, descobre que o homem atropelado era um agente da polícia local e decide que o assunto deve ser resolvido em família, sem autoridades envolvidas.
A minha opinião
"Aquela Noite" é exatamente o tipo de produção que a Netflix domina: um thriller competente, bem embalado e fácil de consumir, mas que está muito longe de deixar marca.
Ao contrário de obras como "Adolescência" ou "Aos Olhos da Justiça", que são magistrais e que ficam connosco por muito tempo e nos obrigam a pensar, esta minissérie espanhola entra e sai sem deixar rasto.
A premissa é interessante, a execução é sólida, mas falta profundidade, faltam personagens que nos prendam de verdade e falta aquele elemento que transforma uma boa série numa obra inesquecível. É entretenimento de qualidade aceitável: vês, gostas razoavelmente e esqueces na semana seguinte.
O que diz a crítica
No Rotten Tomatoes, a crítica está longe de ser boa. Segue com uma classificação de 57%, o que está na faixa do "razoável".
"Tivemos muita dificuldade em conectar-nos com as irmãs e com a situação complicada em que se metem naquela noite. A sensação é de que não sabemos se as coisas vão melhorar à medida que a história avança", escreve o Decider.
"Pode começar como um thriller de alta tensão sobre as consequências de um assassinato involuntário, mas transforma-se num drama familiar muito mais impactante, que questiona de forma bela e dolorosa o valor da lealdade familiar", destaca o Collider.
